O analista de semicondutores do Citi, Peter Lee, invoca explicitamente o Paradoxo de Jevons: a melhoria na eficiência tecnológica reduz o custo unitário de uso, o que historicamente leva a um aumento — e não a uma diminuição — no consumo total de recursos . Em um podcast do Citi Research gravado meses antes do lançamento do K3, Lee afirmou diretamente: "Acho que esse tipo de eficiência de software não é uma ameaça para a memória. Acho que é positivo para a demanda, porque torna a IA mais barata e mais útil, o que impulsiona um ciclo de compras de demanda ainda maior por chips avançados. Então, acho que é como o paradoxo de Jevons"
.
Seu raciocínio sobre por que a arquitetura do Kimi K3 especificamente impulsiona mais demanda por memória:
O Citi também elevou separadamente as previsões de preços de memória, projetando que os preços de DRAM podem disparar até 200% em 2026 e o preço do HBM pode subir 30% trimestre a trimestre no 4º trimestre de 2026, indicando que eles já esperavam um superciclo de memória impulsionado por IA antes do Kimi K3 . O Citi também já havia alertado em setembro de 2025 que tanto a DRAM quanto a memória flash NAND entrariam em escassez de oferta até 2026
.
O Bank of America não usou explicitamente a frase "Paradoxo de Jevons" em comentários publicados sobre o Kimi K3, mas suas análises pré-existentes e pós-liquidação se alinham com a mesma lógica:
A liquidação do DeepSeek-R1 em janeiro de 2025 seguiu o mesmo padrão: um modelo chinês mais barato e eficiente causou pânico nos semicondutores, e então a demanda por chips realmente acelerou à medida que a implantação se ampliou . O Citi e o BofA veem o Kimi K3 como "DeepSeek 2.0" — o mesmo medo, e provavelmente o mesmo resultado final para os fabricantes de memória como Samsung, SK Hynix e Micron
.
Os dados do setor apoiam a tese. A TrendForce projetou que a demanda por HBM aumentará 70% ano a ano apenas em 2026, com o HBM consumindo 23% da produção total de wafers de DRAM . Analistas estimam que os data centers de IA poderão consumir cerca de 70% da DRAM de alto padrão em 2026
. Os próprios fabricantes de memória — incluindo o CEO da Micron, Sanjay Mehrotra — reconheceram que a escassez persistirá além de 2026
.
Até mesmo o mercado coreano reconheceu o argumento: em 20 de julho, o Chosun Ilbo informou que um memorando do setor de valores mobiliários citando o Paradoxo de Jevons fez com que as ações da Samsung e da SK Hynix se tornassem positivas brevemente antes da liquidação mais ampla ser retomada .
É importante notar os limites dessa tese. Nenhum dos bancos afirma que a liquidação foi irracional — apenas que foi direcionalmente errada. O BofA reconheceu explicitamente que os "temores legítimos de inflação de custos na memória" estavam parcialmente impulsionando o declínio . As previsões de preços de memória do Citi, embora otimistas, também implicam pressão de preços que pode apertar as empresas de IA a jusante. E o Bank of America não usou explicitamente a frase "Paradoxo de Jevons" em comentários publicados sobre o Kimi K3; o alinhamento de sua lógica é inferido a partir de suas análises pré-existentes e pós-liquidação
.
Ambos os bancos reconhecem o medo do mercado de curto prazo, mas sua posição consistente é que o menor custo e o lançamento de pesos abertos do Kimi K3 ampliarão a adoção da IA, aumentarão o volume total de inferência e elevarão a demanda por memória — e não a estrangularão. O Paradoxo de Jevons, observado pela primeira vez no consumo de carvão do século XIX, pode se mostrar a estrutura mais confiável para entender a demanda de semicondutores para IA em 2026.