No entanto, quase todo esse crescimento é uma história do setor de petróleo e gás, não um sinal de solidez orgânica na economia europeia mais ampla. Ao excluir o setor de energia, o número principal desaba para aproximadamente 5-6% . O contraste com os Estados Unidos é gritante: as empresas não energéticas europeias apresentam apenas cerca de 6% de crescimento, contra aproximadamente 19,6% de seus pares americanos . Para o ano completo de 2026, espera-se que o S&P 500 entregue cerca de 24,5% de crescimento de lucros, contra 14,3% do STOXX 600 .
A principal razão para essa distorção é o conflito em curso no Irã. Desde que a guerra interrompeu o suprimento de petróleo e fez os preços da commodity dispararem, as estimativas de lucros do setor de energia europeu foram revisadas para cima em cerca de 28% desde o início do 2º trimestre . Dados do LSEG mostram que o crescimento dos lucros do setor de energia supera em muito todos os outros setores . Espera-se que as empresas de energia do STOXX 600 mais do que dobrem seus lucros, com algumas estimativas mostrando um crescimento do setor de até 109,3% na comparação anual . Isso se compara ao crescimento do setor de tecnologia, de cerca de 14% .
Esse padrão não é novo. No 1º trimestre de 2026, as empresas europeias de energia já haviam registrado um crescimento de lucros de 33,7% . O conflito turbinou uma tendência pré-existente: antes da guerra, os lucros do setor de energia estavam projetados para cair .
Além da distorção causada pela energia, a preocupação mais persistente para os investidores é o crescente fosso nos lucros impulsionados pela IA entre os EUA e a Europa. A Reuters relata que "as empresas americanas movidas a IA continuam ampliando a lacuna de crescimento com a Europa", e os investidores permanecem preocupados que a região não possua motores de crescimento suficientes baseados em IA para acompanhar o ritmo .
Um estudo da Brookings Institution do final de 2025 constatou que 43% dos trabalhadores americanos usam IA generativa em seus empregos, contra 26-36% na Europa, e 5% das horas trabalhadas nos EUA envolvem IA, contra 1,5-2,8% na Europa . Um documento de trabalho do FMI estima os ganhos de produtividade da IA para a Europa em aproximadamente 1% acumulados em cinco anos — modestos, mas comparáveis às estimativas para os EUA . No entanto, para a atual temporada de balanços, a lacuna permanece ampla.
Muitos analistas continuam céticos de que preços mais baixos do petróleo após o cessar-fogo no Irã anunciem uma rotação para longe do crescimento dos lucros impulsionado pela IA nos EUA . Como um analista resumiu, a grande maioria das regiões e setores ainda está vendo mais revisões para baixo do que para cima .
Apesar do viés energético, o ciclo de revisão de lucros não se limita às petroleiras. De acordo com dados do LSEG, cerca de 80% dos setores do STOXX 600 tiveram revisões positivas de lucros, com bancos, recursos básicos e empresas selecionadas de tecnologia e IA também contribuindo . A Bloomberg observa que a recuperação é "impulsionada por resultados excepcionais de petroleiras, bancos e empresas relacionadas à inteligência artificial" . No entanto, excluindo as commodities, as expectativas agregadas de lucros e margens permaneceram amplamente estáveis, sem aceleração .
À medida que a temporada de balanços do 2º trimestre de 2026 começa, algumas empresas servirão como indicadores das tendências mais amplas em jogo:
O quadro dos lucros europeus para o 2º trimestre de 2026 é uma história de duas faces. O título principal de ~15,3% de crescimento é o mais forte em mais de três anos, mas ele mascara um núcleo muito mais fraco, de cerca de 5-6%, quando o vento favorável da energia é removido. O conflito no Irã é uma bênção exógena para as petroleiras, enquanto o fosso estrutural da IA com os EUA continua sendo a principal preocupação dos investidores. As revisões de lucros são amplas (cerca de 80% dos setores), mas a falta de um catalisador claro de IA na Europa significa que a região continua negociando com um desconto de valuation em relação a Wall Street. Os próximos relatórios da ASML, SAP e dos bancos serão testes cruciais para saber se a Europa consegue mostrar algum impulso genuíno nos lucros impulsionado pela tecnologia.