Nos primeiros dias de julho, a frágil trégua entre Estados Unidos e Irã ruiu. Em 7 de julho, o Irã disparou mísseis contra navios comerciais que atravessavam o Estreito de Ormuz . Os EUA retaliaram com ataques a mais de 80 alvos dentro do Irã, incluindo sistemas de defesa aérea, radares costeiros, mísseis antinavio e mais de 60 barcos da Guarda Revolucionária Iraniana (IRGC) . O Irã respondeu com mísseis e drones contra aliados dos EUA e anunciou o fechamento do Estreito . O tráfego pelo estreito caiu drasticamente , e o nível de ameaça a navios foi elevado para "severo" .
O TTF saltou 3,35% em um único dia em 13 de julho, e os preços dispararam novamente em 7 de julho após a primeira onda de ataques a navios . O estreito segue contestado, com trocas de ataques que se estenderam por três fins de semana consecutivos até 14 de julho .
Um inverno rigoroso em 2025/2026 drenou os estoques europeus muito além do normal. Em meados de julho, os estoques da UE estão em aproximadamente 51-52% da capacidade operacional — cerca de 15 pontos percentuais abaixo da média sazonal dos últimos cinco anos para esta época . Este é o nível mais baixo para o verão em 15 anos . Para atingir a meta de 90% da UE até 1º de novembro, a Europa precisa injetar cerca de 39 pontos percentuais em aproximadamente 108 dias — um ritmo que as taxas de injeção de meio de ano não têm acompanhado . Previsões da consultoria Wood Mackenzie indicam que a Europa pode entrar no inverno com apenas 76% da capacidade, o menor nível em 15 anos .
Esse baixo armazenamento cria uma demanda massiva e urgente por cargas de GNL exatamente no momento em que a crise em Ormuz ameaça sua entrega.
A Europa depende agora quase inteiramente do GNL para reabastecer seus estoques, após a perda da maior parte do gás russo por gasoduto. O mercado global de GNL está estruturalmente apertado: o inverno rigoroso também reduziu as reservas da Ásia, e pouca nova capacidade de liquefação está entrando em operação em 2026 . A nova lei de metano da UE pode restringir ainda mais a disponibilidade de oferta a longo prazo . Qualquer interrupção sustentada em Ormuz — por onde transita uma parcela significativa dos embarques mundiais de GNL — estrangularia diretamente a capacidade da Europa de reabastecer antes do inverno.
Os quatro fatores formam uma espiral auto-reforçadora:
O Grupo de Coordenação de Gás da Comissão Europeia afirmou em 1º de julho que não há "preocupação imediata" para a segurança do suprimento de gás na UE, mas reconheceu que os níveis de armazenamento permanecem abaixo das médias pré-crise e confirmou que atingir 80% seria suficiente — um limite que agora parece incerto . O verdadeiro risco se materializa neste outono: se o armazenamento não atingir níveis adequados antes do inverno, um cenário de crise total de abastecimento no início de 2027 se torna uma possibilidade realista .