Os Emirados deixam a OPEP.
Em abril de 2026, os EAU anunciaram sua saída da OPEP e da OPEP+, um desafio direto ao domínio de décadas da Arábia Saudita sobre a política de produção de petróleo do cartel. A Reuters classificou a medida como um sinal de "um aprofundamento da rivalidade à medida que o poder no Golfo se desloca" . Os Emirados há muito se ressentiam das cotas de produção impostas pela Arábia Saudita, que consideravam um freio à sua expansão de capacidade
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Modelos econômicos divergentes.
Os dois países têm visões fundamentalmente diferentes para o futuro. Os EAU priorizam o comércio aberto, a logística global e um hub de negócios com regulação leve. A Arábia Saudita, sob o Visão 2030 de Mohammed bin Salman, está puxando agressivamente sedes regionais, mandatos de investimento e poder de decisão para Riad — muitas vezes às custas de Abu Dhabi e Dubai. O Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel (INSS) descreveu a mudança como "de uma competição silenciosa para uma rivalidade aberta por liderança, prestígio e influência regional" .
A guerra dos EUA e Israel com o Irã começou em 28 de fevereiro de 2026 com ataques aéreos que mataram o Líder Supremo do Irã . Esse conflito cristalizou a divisão entre sauditas e emiratis de maneiras que antes eram evitáveis.
Posturas estratégicas diferentes em relação ao Irã.
Análises do King's College London e do Chatham House mostram que os EAU e Omã estão numa ponta do espectro, preferindo a desescalada e a manutenção de laços comerciais com o Irã . A Arábia Saudita foi arrastada para um conflito direto: mísseis iranianos de retaliação atingiram refinarias de petróleo sauditas, e forças sauditas realizaram secretamente ataques aéreos contra o Irã
. Os EAU foram muito mais cautelosos, temendo que a escalada pudesse devastar a economia de Dubai, dependente do comércio. O especialista do King's College, Andreas Krieg, observou: "Encontrar uma posição comum no Golfo será, portanto, extremamente difícil"
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O Soufan Center reportou que a guerra com o Irã "ampliou as diferenças entre a Arábia Saudita, que favorece um acordo com o Irã e seus aliados regionais, e os Emirados Árabes Unidos, que acredita que o confronto militar com o Irã pode produzir mudanças transformadoras" .
Fechamento do Estreito de Hormuz.
A guerra com o Irã levou ao fechamento de facto do Estreito de Hormuz para a maior parte do transporte marítimo, apresentando "riscos fundamentais para a segurança e vitalidade econômica" dos estados do GCC . Os EAU, dependentes de rotas marítimas abertas para o porto de Jebel Ali e o transbordo de petróleo, sofreram uma perturbação econômica desproporcional — aprofundando sua frustração com a postura mais agressiva de Riad.
A rivalidade se espalha para as finanças.
Desde pelo menos maio de 2026, bancos sauditas vêm bloqueando, atrasando ou devolvendo pagamentos de entidades sauditas para contas com base nos EAU — muitas vezes sem explicação . O Financial Times e a Bloomberg relataram os atrasos, com empresas afirmando que transferências que antes eram processadas normalmente agora ficam retidas indefinidamente
. Um executivo ocidental disse que três pagamentos de um cliente saudita de longa data foram bloqueados e devolvidos
. Isso forçou as empresas a rotear pagamentos através do Bahrein ou usar métodos mais caros
. A Semafor informou que alguns indivíduos recorreram a viajar entre os dois estados do Golfo com grandes quantias em dinheiro vivo
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A magnitude do que está em jogo.
Os fundos soberanos do Golfo — incluindo o Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF, com aproximadamente US$ 925 bilhões), a ADIA, ADQ e Mubadala dos EAU, além do QIA do Catar e do KIA do Kuwait — administram ativos combinados estimados em US$ 3 trilhões ou mais . Esses fundos estão entre as maiores fontes de capital do mundo para as divisões de gestão de ativos, consultoria e private banking de Wall Street
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O ultimato da sede em Riad.
A Arábia Saudita efetivamente exigiu que qualquer banco que queira mandatos do governo ou do PIF estabeleça uma sede regional dentro do Reino. "Nenhum deles teria acesso a mandatos governamentais no Reino sem esse pedaço de papel", observou um relatório do setor . JPMorgan Chase, Goldman Sachs e Morgan Stanley obtiveram licenças de sede em Riad
. A Goldman Sachs sozinha triplicou seu quadro de funcionários em Riad para cerca de 60 pessoas e lançou serviços de gestão de patrimônio privado local
. O PIF saudita também ancorou novos fundos focados no Golfo com a Goldman Sachs Asset Management
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O ato de equilíbrio impossível.
De acordo com uma reportagem da Bloomberg publicada em 12 e 13 de julho de 2026, baseada em entrevistas com mais de uma dúzia de banqueiros de Wall Street e executivos de private equity, a rivalidade no Golfo agora força as instituições financeiras a escolher lados . Um banco que aprofunda laços com Riad corre o risco de alienar Abu Dhabi — e vice-versa. Um artigo intitulado "A Rixa de US$ 3 Trilhões entre Arábia Saudita e EAU que Wall Street Não Pode Ignorar" descreveu conversas privadas que revelam "uma preocupação mais silenciosa, mas de longo alcance, que tem passado despercebida pelo radar público"
. A mesma reportagem observou que Goldman Sachs, Morgan Stanley, BlackRock, Brookfield e KKR começaram a elaborar planos de contingência para o caso de as relações entre os dois países piorarem
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O padrão emergente.
Todos os três bancos ainda mantêm operações nos EAU, mas a trajetória é clara: Riad está exigindo primazia, e Wall Street está respondendo porque o Reino controla o maior volume de capital disponível e pode reter mandatos de empresas que não cumprirem.
O Irã historicamente buscou explorar divisões dentro do Conselho de Cooperação do Golfo. Tanto a análise do King's College London quanto um relatório da Brookings Institution observam que o Irã vê a rivalidade saudita-emirati como uma vulnerabilidade estratégica que pode explorar . Ataques de retaliação iranianos atingiram solo saudita, mas foram mais contidos em relação aos EAU, o que os analistas interpretam como um esforço deliberado para aprofundar a divisão no Golfo, em vez de unificar Riad e Abu Dhabi contra um inimigo comum
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Vale notar que, embora o padrão estratégico esteja bem documentado, esta análise não conseguiu verificar de forma independente uma única ameaça explícita iraniana de "esmagar os emiratis" a partir das fontes recuperadas. As evidências disponíveis mostram que o Irã calibrou sua resposta militar de forma diferente para cada país, de acordo com uma estratégia de dividir e pressionar, mas não necessariamente uma ameaça direta à existência dos EAU.
A rivalidade entre Arábia Saudita e EAU não é mais um desacordo a portas fechadas. Tornou-se uma característica estrutural da geopolítica do Oriente Médio com consequências diretas para as finanças globais, os mercados de energia e a segurança. A guerra com o Irã forçou ambos os países a mostrar suas cartas, e Wall Street está sendo convidada a fazer suas apostas. Os bancos que administram os trilhões do Golfo estão descobrindo que, nesta nova guerra fria, a neutralidade pode não ser mais uma opção.