Durante uma visita de campo à província de Bamyan em junho de 2026, a funcionária da ONU, Sra. Cherevko, relatou uma mensagem recorrente das mulheres afegãs: "quando as oportunidades para as mulheres são limitadas, toda a família sofre" . As mulheres disseram a ela que estão profundamente preocupadas com as filhas, que não podem mais frequentar a escola e talvez não tenham futuro. A ONU afirma que o país não conseguirá se recuperar econômica ou socialmente sem reverter essas proibições.
Em 7 de setembro de 2025, as forças de segurança do Talibã impediram fisicamente mulheres afegãs funcionárias da ONU de entrar nas dependências da ONU em Cabul — uma proibição que foi posteriormente estendida para escritórios de campo em todo o país . A proibição foi anunciada pela primeira vez em abril de 2023, mas não foi aplicada de forma consistente até 2025 .
A ONU pediu imediatamente a reversão das restrições, alertando que a ajuda humanitária que salva vidas — incluindo a assistência a sobreviventes de terremotos — estava sendo prejudicada . O Representante do ACNUR, Arafat Jamal, declarou: "Simplesmente não conseguimos operar sem as mulheres" . Em março de 2026, especialistas da ONU continuavam a condenar a proibição como "um ataque direto aos direitos das mulheres" sem "nenhuma justificativa cultural, religiosa ou administrativa" . A proibição continua em vigor em meados de 2026.
Uma crise paralela se desenrola à medida que milhões de afegãos retornam de países vizinhos, sobrecarregando severamente a habitação e os serviços públicos. Entre meados de setembro de 2023 e 30 de maio de 2026, aproximadamente 6,04 milhões de afegãos retornaram do Irã e do Paquistão . Só em 2025, chegaram 2,9 milhões de retornados, impulsionados pelo Plano de Repatriação de Estrangeiros (IFRP) do Paquistão e ações semelhantes de deportação no Irã . No primeiro trimestre de 2026, outros 600 mil já haviam retornado, com projeções de mais 1,7 milhão ao longo do restante do ano .
A escala está sobrecarregando um país já frágil. Uma avaliação na fronteira de Islam Qala, na província de Herat, em julho de 2025, constatou que 85% dos retornados não tinham abrigo nos pontos de entrada na fronteira, com muitos forçados a dormir ao relento . A ONU e ONGs lançaram um plano de resposta de US$ 529 milhões para atender 2,7 milhões de retornados no restante de 2026 .
Uma análise do UNICEF de abril de 2026 descobriu que as restrições à educação de meninas e ao emprego feminino custam à economia afegã cerca de US$ 84 milhões por ano em perda de produtividade econômica, com perdas que devem aumentar com o tempo, enquanto as mulheres continuam impedidas de estudar e trabalhar . A mesma análise alerta que o Afeganistão pode perder 20 mil professoras e 5,4 mil trabalhadoras de saúde até 2030 .
No entanto, o valor de US$ 84 milhões representa apenas as perdas anuais atuais de uma medida de produção econômica. Estimativas mais amplas apontam para danos muito maiores:
Em resumo, o valor de US$ 84 milhões é um retrato conservador da situação atual; o custo econômico de longo prazo está na casa dos bilhões.
O Afeganistão continua sendo uma das maiores crises humanitárias do mundo. Estima-se que 21,9 milhões de pessoas — cerca de 45% da população — precisarão de ajuda humanitária em 2026 . A ONU pediu US$ 1,7 bilhão para ajudar quase 18 milhões de pessoas em necessidade urgente . Sem a participação plena das mulheres, a ONU adverte que o país não conseguirá se recuperar da crise cada vez mais profunda.
As evidências são claras: as restrições às mulheres não são apenas uma catástrofe de direitos humanos — são uma catástrofe econômica e humanitária, com consequências que se acumularão por gerações.