Sainz recebeu uma penalidade de uma volta após a corrida, uma forma rara de punição na Fórmula 1. Isso o tirou do 12º lugar na pista para o 17º na classificação final. Diferente de uma penalidade de tempo padrão (geralmente 5 ou 10 segundos adicionados ao tempo de corrida), uma penalidade de volta efetivamente reverte uma volta ganha ilegalmente na classificação. A sanção foi aplicada após a corrida porque a infração ocorreu durante uma sequência incomum sob condições de safety car.
Os comissários concluíram que Sainz violou o procedimento de deslapagem sob safety car. Especificamente, ele se deslappou quando não tinha direito a isso.
De acordo com os regulamentos da F1, quando o safety car é acionado no final de uma corrida, carros com uma volta de atraso geralmente podem ultrapassar o safety car e se juntar ao final do pelotão da volta principal — um processo conhecido como "deslapagem" (unlapping). A questão central no caso de Sainz era se ele era considerado um "carro com volta de atraso" no ponto de referência usado pela direção de prova para determinar quais carros estavam autorizados a se deslapar.
A confusão surgiu devido à geometria incomum da entrada dos boxes de Silverstone. Ao contrário de muitos circuitos, onde a entrada dos boxes diverge após a linha de largada/chegada, em Silverstone a entrada se separa da pista antes da linha de largada/chegada.
Veja como a sequência se desenrolou:
O problema é que Sainz não era elegível para se deslapar naquele momento. A anomalia de tempo criada pela entrada dos boxes fez parecer que ele havia ganhado uma volta legitimamente, mas os comissários julgaram posteriormente que ele não tinha direito a isso de acordo com os regulamentos.
De acordo com relatos da corrida, a Williams admitiu que a equipe cometeu erros ao lidar com a situação do safety car de Sainz. Os dois erros reconhecidos foram:
A Williams aceitou que Sainz efetivamente ganhou uma volta à qual não tinha direito, e a equipe não contestou a conclusão dos comissários.
A decisão dos comissários foi baseada em uma conclusão direta: Sainz ultrapassou o safety car para se deslapar quando não era um dos carros autorizados a fazê-lo. O layout incomum da entrada dos boxes de Silverstone contribuiu para a confusão, mas os comissários determinaram que os regulamentos eram claros.
A penalidade de uma volta foi a sanção escolhida porque efetivamente reverteu a volta ganha indevidamente na classificação — um remédio mais cirúrgico do que uma penalidade de tempo neste contexto. A penalidade foi incomum não apenas pelo tipo, mas porque foi aplicada após a corrida ter terminado, e não durante.
Sainz terminou em 12º na pista, o que estava fora das posições de pontuação na Fórmula 1 (apenas os 10 primeiros marcam pontos). A penalidade de uma volta o rebaixou para 17º, mas como ele já estava fora da zona de pontos, a sanção não alterou a distribuição de pontos da corrida.
Em outras palavras, a penalidade foi uma curiosidade estatística — alterou a ordem de chegada no papel, mas deixou a classificação do campeonato inalterada.
O incidente é um estudo de caso de como peculiaridades específicas de cada pista podem interagir com o denso livro de regras da F1 para produzir resultados inesperados, e por que mesmo as penalidades mais incomuns às vezes acabam sendo pouco mais do que uma nota de rodapé na disputa pelo título.