O BIP-361, coautorado por Jameson Lopp (CTO da Casa) e outros cinco desenvolvedores, e introduzido em 14 de abril de 2026, vai além. A proposta define um plano de três fases ao longo de cinco anos para eliminar gradualmente as assinaturas legadas ECDSA e Schnorr, congelando no final todas as carteiras que não tiverem migrado para endereços resistentes à computação quântica . O alvo são cerca de 1,7 milhão de BTC em carteiras antigas, incluindo os 1,1 milhão de moedas de Satoshi
. Algumas estimativas colocam o total de BTC vulneráveis em endereços P2PK (Pay-to-Public-Key) em impressionantes 5,6 a 6,9 milhões de BTC — aproximadamente um terço de todo o Bitcoin já minerado
.
Os defensores argumentam que é mais seguro travar essas moedas permanentemente do que permitir que um estado com um computador quântico suficientemente avançado as roube primeiro . As moedas são frequentemente descritas como "perdidas" na prática — muitas não são movidas há mais de uma década —, então congelá-las não causaria danos econômicos reais, ao mesmo tempo que evitaria um choque catastrófico de oferta se fossem roubadas.
O campo do 'não congelamento' — imutabilidade em primeiro lugar.
Os opositores argumentam que congelar moedas à força — especialmente as do criador anônimo do Bitcoin — representa uma violação fundamental do princípio central do Bitcoin de que nenhuma entidade pode censurar, confiscar ou congelar transações . Eles veem qualquer ação desse tipo como um precedente perigoso que poderia ser expandido no futuro para congelar outras moedas. Críticos alegam que um congelamento minaria a confiança na oferta fixa do Bitcoin e em suas propriedades de 'dinheiro sólido', provando efetivamente que as regras do Bitcoin podem ser alteradas retroativamente por consenso entre desenvolvedores e mineradores
. A proposta já foi descrita como "a discussão mais controversa do mundo cripto" e um "teste de governança que o Bitcoin nunca passou"
. Alguns críticos rotularam o BIP-361 de "confisco autoritário", embora Lopp tenha respondido que prefere congelar as moedas a vê-las roubadas
.
O caminho do meio — BIP-360.
O BIP-360, introduzido no início de 2026, adota uma abordagem menos agressiva. Ele propõe um novo tipo de saída resistente a quantum chamado Pay-to-Merkle-Root (P2MR), que remove a vulnerabilidade de gasto por chave do Taproot e oferece um caminho de migração voluntária para os detentores — sem congelar as moedas de ninguém . Esta é uma via intermediária: atualizar a criptografia, mas preservar a liberdade de escolha.
O debate não é mais teórico. Desenvolvedores e especialistas em segurança acreditam que um computador quântico suficientemente poderoso pode quebrar a criptografia ECDSA do Bitcoin em um prazo previsível, possivelmente de 5 a 10 anos . A transição da rede para assinaturas pós-quânticas levaria, por si só, anos para ser projetada, testada e implantada.
A bomba-relógio das moedas adormecidas. As moedas de Satoshi — e cerca de 5,6 milhões de outros BTC em endereços P2PK legados — têm suas chaves públicas visíveis na blockchain, tornando-as imediatamente vulneráveis a um ataque quântico assim que existir hardware capaz . Um atacante não precisaria adivinhar chaves privadas; ele simplesmente as calcularia a partir da chave pública exposta usando o algoritmo de Shor. Isso cria uma corrida: ou a rede migra primeiro e congela as moedas não movidas, ou os ladrões quânticos as reivindicam.
Nenhum proprietário conhecido para agir. Satoshi não moveu nenhuma de suas moedas em mais de uma década e é amplamente considerado falecido ou permanentemente inativo. Mesmo que esteja vivo, não tem mecanismo para provar a propriedade sem se expor. Isso significa que os 1,1 milhão de BTC de Satoshi quase certamente nunca serão migrados por conta própria, tornando-os o ponto focal do debate sobre o congelamento . Um estudo do Google indicou que, até 2029, cibercriminosos poderiam potencialmente usar métodos avançados de computação quântica para acessar as carteiras de Satoshi em apenas nove minutos
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Risco à estabilidade do mercado. O roubo ou a liberação súbita de 1,1 milhão de BTC (cerca de 5% da oferta total) por um atacante quântico devastaria o preço e a credibilidade do Bitcoin. O congelamento preventivo é apresentado como um mal menor em comparação com esse resultado .
Tanto o BIP-361 quanto a proposta de CZ ainda estão em estágios iniciais e não oficiais — o BIP-361 é um rascunho no repositório de propostas de melhoria do Bitcoin, enquanto CZ deixou claro que sua ideia é uma questão teórica, não uma mudança de protocolo ativa . Implementar qualquer uma delas exigiria um fork controverso da rede ou um consenso de supermaioria, e não há uma resolução clara até o final de junho de 2026.
Em última análise, o debate é uma tensão fundamental entre segurança preventiva (congelar moedas não reivindicadas antes que ladrões quânticos possam roubá-las) e imutabilidade (nenhuma entidade deve ter o poder de congelar as moedas de ninguém, nunca). Como — ou se — a comunidade do Bitcoin resolverá isso pode definir a governança da rede por décadas.