Na madrugada do dia 2 de julho, a Rússia lançou uma ofensiva combinada de proporções enormes contra a capital ucraniana. Autoridades ucranianas relataram que Moscou utilizou 74 mísseis e 496 drones em um bombardeio que durou 11 horas . O ataque destruiu pelo menos 20 prédios residenciais e danificou estruturas civis em mais de 30 pontos da cidade . O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, afirmou que quase metade dos mísseis eram balísticos e que a frota de drones incluía modelos Shahed movidos a jato . Autoridades descreveram o evento como uma "noite de horror" para Kiev .
O custo humano foi severo. A Procuradoria-Geral da Ucrânia reportou pelo menos 30 mortos . Relatos da Reuters, Time e CBC, na época, situaram o número de mortos entre 17 e 25, com mais de 80 feridos . Essa variação reflete as operações de busca e resgate que ainda estavam em andamento. O Serviço de Emergência da Ucrânia confirmou ao menos 25 fatalidades e mais de 80 feridos até o final do dia 2 de julho . Investigadores ucranianos afirmaram que os ataques não visaram instalações militares ou estratégicas, mas tiveram como objetivo explícito causar danos à população civil .
O SBU alega que Gerasimov planejou, organizou e ordenou pessoalmente os ataques que tinham como alvo a infraestrutura civil e as áreas residenciais de Kiev . As acusações se enquadram no Artigo 438, Parte 2, do Código Penal da Ucrânia – violação das leis e costumes de guerra, especificamente por dirigir ataques contra objetos civis e edifícios residenciais .
Investigadores ucranianos afirmam ter estabelecido a cadeia de comando direta de Gerasimov e seu envolvimento pessoal no planejamento do ataque de 2 de julho, incluindo as decisões que resultaram em zonas residenciais sendo atingidas . O SBU declarou que "por ordens de Gerasimov, as forças militares russas subordinadas estão engajadas no planejamento, preparação e execução de ataques aéreos contra a Ucrânia usando bombardeiros, navios de guerra lançadores de mísseis e sistemas terrestres" .
Este novo processo interno na Ucrânia é uma ação separada do mandado de prisão já existente do Tribunal Penal Internacional (TPI) contra Gerasimov, emitido em junho de 2024 por ataques anteriores à infraestrutura energética da Ucrânia . A teoria legal é semelhante em ambos os casos: alegar o crime de guerra de dirigir ataques contra civis e objetos civis. No entanto, o ataque de 2 de julho oferece um incidente novo e discreto com evidências documentadas de ataque direto a prédios residenciais.
O Ministério da Defesa da Rússia classificou o ataque de 2 de julho como uma "resposta massiva" aos ataques ucranianos de longo alcance contra instalações petrolíferas russas . O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, confirmou que o próprio Gerasimov informou pessoalmente o presidente Vladimir Putin sobre os resultados do ataque . A Rússia mantém que os ataques visaram "exclusivamente alvos militares ou ligados a militares", uma afirmação rejeitada por autoridades ucranianas e observadores internacionais, dada a extensão dos danos a edifícios residenciais .
Este caso cria uma estratégia de responsabilização em duas vias: Gerasimov agora enfrenta tanto um mandado de prisão do TPI quanto um processo criminal ucraniano separado . As acusações foram anunciadas enquanto a Ucrânia se preparava para consultas com os EUA, adicionando pressão diplomática para que parceiros internacionais apoiem mecanismos de responsabilização .
Na prática, Gerasimov permanece na Rússia e é altamente improvável que seja julgado, a menos que seja capturado no exterior – um cenário atualmente remoto. As acusações servem principalmente para documentar evidências, construir um registro legal e manter o foco político e jurídico sobre a responsabilidade de comando por danos civis em massa . O caso também fortalece a base probatória para qualquer futura acusação internacional ou julgamento doméstico à revelia.
O processo por crimes de guerra da Ucrânia contra Valery Gerasimov pelo ataque de 2 de julho de 2026 a Kiev representa uma escalada significativa nos esforços de responsabilização legal. Ao acusar pessoalmente o principal general da Rússia – e não apenas seus subordinados – a Ucrânia busca uma estratégia jurídica de alto risco que documenta a responsabilidade direta de comando por um dos maiores ataques a uma capital durante a guerra. Independentemente de Gerasimov algum dia enfrentar um tribunal, o caso constrói um registro público detalhado da escala do ataque e da cadeia de comando por trás dele.