A proposta é direta: não importa se o incidente foi intencional ou acidental — o piloto que provocar a bandeira perde três posições. Essa abordagem evita a difícil tarefa de provar a intenção, que sempre foi um problema para a FIA em casos semelhantes .
A proposta foi motivada diretamente pela sessão de classificação do GP da Áustria de 2026, no dia 27 de junho . Durante as voltas finais do Q3, o holandês Max Verstappen, da Red Bull, perdeu o controle do carro na Curva 9 e acertou o muro externo, provocando bandeiras amarelas .
O piloto da Mercedes, George Russell, que estava em uma volta rápida, passou pela zona de bandeira amarela sem reduzir totalmente e marcou o melhor tempo da sessão, conquistando a pole position. A FIA decidiu içar apenas bandeiras amarelas simples na Curva 9 e, após revisar o incidente, não tomou nenhuma providência, afirmando que Russell agiu dentro do regulamento .
A decisão enfureceu vários pilotos. Kimi Antonelli, que reduziu ao ver as bandeiras amarelas e terminou em quarto, defendeu que bandeiras amarelas duplas — que forçariam todos os pilotos a abandonar a volta — deveriam ter sido usadas . A FIA só elevou o sinal para bandeiras amarelas duplas cerca de 25 segundos depois, quando tanto Russell quanto Antonelli já haviam completado suas voltas .
O acidente de Verstappen na Curva 9 não foi um erro de pilotagem. Relatos apontam para um problema mecânico — uma "falha no carro" enquanto ele corria em terceiro lugar . O piloto da Red Bull perdeu o controle após uma suspeita de falha e bateu no muro externo . Sainz destacou que a batida não foi um ato deliberado ou imprudente, mas, mesmo assim, acredita que o regulamento atual é insuficiente para proteger a competição justa na classificação .
Até 2 de julho de 2026, a proposta continua sendo uma sugestão informal de Sainz, ainda não formalmente submetida ou adotada pela FIA . Sainz disse que gostaria de ser ouvido antes do fim de semana de sprint em Silverstone, mas reconheceu que a agenda apertada de um fim de semana de corrida dificulta a aprovação rápida de mudanças no regulamento. A FIA não respondeu publicamente à proposta nem anunciou qualquer intenção de alterar as regras .
A proposta faz parte de um debate mais amplo e antigo na F1 sobre como lidar com interrupções na classificação. Os pilotos pedem regras mais duras há anos. O próprio Sainz já disse que "houve casos muito claros em circuitos de rua em que, entre nós pilotos, identificamos pessoas gerando bandeiras vermelhas de propósito" . Esteban Ocon apoiou pedidos semelhantes, e o Motorsport.com noticiou em 2022 que os pilotos pressionavam por uma regra que punisse quem quer que provocasse uma bandeira vermelha ou amarela, mesmo que acidentalmente .
Se adotada, a punição de três posições no grid de Sainz representaria uma mudança significativa em relação às diretrizes atuais da FIA. Pelas regras vigentes, não reduzir a velocidade em bandeiras amarelas simples pode render uma punição de cinco posições no grid e dois pontos na carteira, enquanto ignorar bandeiras amarelas duplas pode gerar uma punição de 10 segundos, drive-through ou perda de posições no grid . Mas, atualmente, não há punição para o piloto que causa a bandeira, apenas para quem deixa de respeitá-la.
É essa assimetria que Sainz quer corrigir. Na classificação do GP da Áustria, Russell se beneficiou ao passar por bandeiras amarelas que a FIA considerou legais, enquanto a falha mecânica de Verstappen, sem culpa do piloto, encerrou a sessão para outros. Uma regra que puna o piloto que causa a bandeira, independentemente da intenção, eliminaria qualquer incentivo para os pilotos arriscarem além do limite nas voltas finais, sabendo que sofreriam uma punição no grid se batessem.
Por enquanto, a proposta é apenas uma ideia. Mas, com a FIA já atualizando suas diretrizes de punição para 2026, dando aos comissários critérios mais claros para julgar infrações de bandeira amarela , a porta está aberta para novas reformas. Resta saber se a entidade máxima do esporte abraçará a sugestão de Sainz.