Mercado em circulação continua crescendo. O mercado de cat bonds em circulação encerrou o primeiro trimestre de 2026 em US$ 63,9 bilhões, novo recorde trimestral e alta de 4% em relação aos US$ 61,3 bilhões do final de 2025 . Ao final de junho, esse número subiu para US$ 65,6 bilhões, um crescimento de 7% desde o fim do ano anterior .
Spreads voltam a níveis de 2021. Os spreads dos cat bonds — o prêmio pago aos investidores — caíram de forma expressiva desde os picos observados depois do furacão Ian (2023). Em fevereiro de 2026, os prêmios de risco já estavam em patamares vistos pela última vez antes da passagem do furacão em 2022, e a compressão continuou ao longo do primeiro semestre, rumo aos níveis de 2021 . Um relatório da Fitch destacou que o aumento de capacidade em novas transações e nos aumentos de tamanho "resultou em compressão de spreads, reduzindo o retorno dos investidores em um ambiente de resseguro alternativo mais suave" .
Novos patrocinadores e emissões recorrentes. O mercado atraiu 15 patrocinadores estreantes em 2025, e esse fluxo continuou em 2026 . Os fundos de cat bonds no formato UCITS (regulados na União Europeia) ultrapassaram US$ 20 bilhões em ativos sob gestão no primeiro trimestre de 2026, sinal da crescente demanda institucional, especialmente de fundos de pensão e gestores de ativos .
A estreia do Fidelis Partnership com o Woody Re. O sindicato 3123 da Lloyd’s, ligado ao Fidelis Partnership, garantiu sua primeira proteção via cat bond com a operação Woody Re 2026-1, no valor de US$ 75 milhões. O título foi precificado com sucesso no piso da faixa indicativa, por meio da plataforma Arthur Re, da Gallagher Re, no final de junho de 2026 . A transação reforça a tendência de novos sindicatos da Lloyd’s e seguradoras especializadas entrarem no mercado de cat bonds pela primeira vez.
2025 foi o ano em que todos os recordes do setor caíram: pela primeira vez, as emissões anuais superaram US$ 20 bilhões, fechando em US$ 25,6 bilhões (alta de 45% sobre 2024), com 122 transações e 15 novos participantes . O quarto trimestre de 2025 também foi recorde, com mais de US$ 7 bilhões emitidos . O mercado em circulação chegou a US$ 61,3 bilhões no fim do ano, crescimento de 24% .
Já 2026 mostra um mercado que se consolidou em um patamar muito elevado: a base de patrocinadores está mais ampla e diversificada, e o custo menor continua atraindo tanto emitentes recorrentes quanto estreantes. A emissão absoluta, porém, deve ficar abaixo do pico extraordinário de 2025 . Ainda assim, o primeiro semestre de 2026 já mostrou que o mercado sustenta atividade bem acima dos níveis pré-2025. O segundo trimestre de 2026, com US$ 11,3 bilhões em novo capital de risco, foi o maior trimestre da história .
A principal pergunta para o restante de 2026 é se o mercado conseguirá manter o ritmo para alcançar ou superar US$ 20 bilhões no ano. Com o recorde de US$ 11,3 bilhões no segundo trimestre e o primeiro semestre em quase US$ 18 bilhões, a trajetória parece sólida . No entanto, vencimentos programados e resgates antecipados — especialmente de seguradoras de mercado residual — podem moderar o crescimento do mercado em circulação no segundo semestre . O fluxo contínuo de novos patrocinadores e a expansão dos fundos UCITS de cat bonds sugerem que a mudança estrutural na demanda veio para ficar, mas os investidores estarão de olho nos níveis de spread à medida que a competição por retorno se intensifica.