As mesmas adições de capacidade evitaram aproximadamente 8,4 gigatoneladas de dióxido de carbono em 2025 . Para contextualizar, as emissões globais de CO₂ relacionadas à energia em 2024 foram estimadas em cerca de 37 Gt. Isso significa que as renováveis evitaram aproximadamente 23% desse total — uma contribuição significativa para a mitigação das mudanças climáticas.
692 GW de nova capacidade renovável foram adicionados globalmente em 2025, elevando a capacidade total instalada para 5.149 GW — um aumento anual de 15,5% . As renováveis agora representam 85,6% de toda a nova capacidade de energia adicionada no mundo, enquanto os combustíveis fósseis têm uma participação cada vez menor nas novas adições . Ao final de 2025, as renováveis já respondiam por 49% da capacidade instalada global de geração de energia .
A energia solar liderou o crescimento com um recorde de 511 GW de nova capacidade instalada (mais de 510 GW), um aumento de 27,2% em relação ao ano anterior, representando cerca de 75% de todo o crescimento renovável . A participação da energia solar nas adições renováveis globais é tão expressiva que, sozinha, está remodelando o panorama energético mundial.
A energia eólica adicionou cerca de 159 GW em 2025, com a divisão típica de aproximadamente 145 GW onshore e 14 GW offshore . Juntas, a energia solar e a eólica representaram 96,8% de todas as novas adições renováveis no ano passado .
Atenção: O dado de capacidade de 692 GW e os números de custo/economia vêm de dois relatórios distintos da IRENA — os dados de capacidade são das Estatísticas de Capacidade Renovável 2026 (abril de 2026), e os dados de custo/economia são do Custos de Geração de Energia Renovável em 2025 (julho de 2026). Ambos se referem ao mesmo ano (2025), mas foram publicados com alguns meses de diferença.
A IRENA reportou os seguintes LCOEs médios ponderados globais para projetos comissionados em 2025:
| Tecnologia | LCOE (2025) | Variação ante 2024 |
|---|---|---|
| Solar PV (escala comercial) | US$ 44/MWh | Estável |
| Eólica onshore | US$ 33/MWh | Queda de 4% |
| Eólica offshore | US$ 78/MWh | Queda de 3% |
| Nova geração a gás | ~US$ 100/MWh+ em alguns mercados | Em alta devido à escassez de turbinas e volatilidade dos preços dos combustíveis |
Os países que mais economizaram ao substituir a geração por combustíveis fósseis por renováveis em 2025 foram :
Esses valores representam os custos estimados de combustíveis fósseis evitados em 2025 pela capacidade renovável comissionada em anos anteriores. A posição dominante da China reflete sua enorme expansão renovável na última década. Já as altas economias do Brasil, em relação ao tamanho de sua rede elétrica, são impulsionadas por sua grande frota de hidrelétricas e parques eólicos, que substituem a geração termelétrica mais cara.
Ressalva: Esses números de economia por país são amplamente citados em várias fontes secundárias, mas não puderam ser verificados de forma independente no PDF original da IRENA dentro do orçamento de pesquisa disponível . Eles são consistentes entre as fontes consultadas.
O Diretor-Geral da IRENA, Francesco La Camera, enquadrou explicitamente a energia renovável como um amortecedor estratégico contra a volatilidade dos preços dos combustíveis fósseis e choques geopolíticos . O relatório posiciona as renováveis como uma ferramenta para a segurança energética: países que investem pesadamente em geração renovável doméstica reduzem sua exposição aos voláteis mercados internacionais de gás e carvão, que estão frequentemente sujeitos a interrupções de fornecimento e manipulação de preços .
O relatório alerta que as economias dependentes de combustíveis fósseis continuam vulneráveis a oscilações de preços, enquanto os países ricos em renováveis ganham maior independência energética . Esse enquadramento é particularmente forte diante dos picos de preços de energia de 2022-2024, impulsionados por conflitos geopolíticos e gargalos na cadeia de suprimentos — choques contra os quais as renováveis podem ajudar a proteger.
Apesar dos números recordes, os relatórios e a cobertura relacionada apontam vários desafios que podem desacelerar a implantação futura:
O investimento trimestral em manufatura de energia limpa caiu de cerca de US$ 70 bilhões para US$ 35 bilhões por trimestre, refletindo incertezas políticas e mudanças na dinâmica do comércio global . Essa queda é preocupante porque a capacidade de fabricação de painéis solares, turbinas eólicas e baterias precisa crescer dramaticamente para que as metas climáticas de 2030 sejam alcançadas.
Os custos de materiais-chave — polissilício, aço, cobre, lítio — aumentaram, pressionando a economia dos projetos . Os preços do polissilício, em particular, têm sido voláteis, impactando os custos dos módulos solares.
Tarifas, restrições às exportações e exigências de conteúdo local estão fragmentando as cadeias globais de suprimentos de painéis solares, turbinas eólicas e baterias . Essa fragmentação pode aumentar os custos e desacelerar a implantação, especialmente em mercados que dependem de equipamentos importados.
De acordo com a IRENA, os custos de financiamento agora representam até 56% da variação total do custo do projeto entre diferentes mercados . Isso significa que países com taxas de juros mais altas enfrentam LCOEs efetivos significativamente maiores, mesmo para a mesma tecnologia. Para economias em desenvolvimento, onde o custo de capital é frequentemente muito mais alto do que nos mercados desenvolvidos, essa é uma barreira significativa para a implantação de renováveis.
Os dados de 2025 da IRENA confirmam que o caso econômico a favor das renováveis é agora esmagador. A energia eólica onshore e a solar fotovoltaica são mais baratas do que qualquer nova usina de combustível fóssil na maior parte do mundo, e a vantagem de custo está aumentando. O caso geopolítico é igualmente forte: as renováveis proporcionam independência energética e protegem contra choques de preços de combustíveis.
No entanto, a transição não é inevitável. Os ventos contrários — declínio nos investimentos em manufatura, pressões nos preços das commodities, fragmentação comercial e disparidades nos custos de financiamento — precisam ser enfrentados para manter o ímpeto. Os países que conseguirem reduzir o custo de capital para projetos renováveis, estabilizar as cadeias de suprimentos e manter ambientes políticos favoráveis serão os que capturarão todos os benefícios econômicos e geopolíticos da transição energética.