Os atacantes passaram meses preparando um ataque cirúrgico contra as camadas de governança e confiança social da Drift.
1. Criação de token falso. O atacante criou um token sem valor chamado CarbonVote Token (CVT) com uma oferta inicial de 750 milhões de tokens .
2. Manipulação de preço. Eles semearam uma minúscula pool de liquidez de US$ 500 na Raydium e fizeram 'wash trading' (negociações fictícias) até que os oráculos da Drift reconhecessem o CVT como colateral válido, com um preço artificial de aproximadamente US$ 1 .
3. Campanha de engenharia social de longo prazo. Ao longo de vários meses, os atacantes se passaram por representantes de uma legítima empresa de trading quantitativo, cultivando a confiança dos signatários do multisig da Drift em conferências e interações contínuas .
4. Golpe das transações pré-assinadas. Os atacantes induziram os signatários do multisig a pré-aprovar transações que pareciam de rotina, mas que, na verdade, autorizavam a tomada administrativa do Security Council (Conselho de Segurança) da Drift .
5. Exploração de 'nonces duráveis'. Um 'ataque inovador envolvendo nonces duráveis' permitiu que o atacante assumisse o controle total de administrador sem qualquer mecanismo de 'timelock' (atraso na execução), explorando uma característica da arquitetura da Solana .
6. O saque. Uma vez no controle, o atacante listou o CVT inflado como colateral válido, removeu as salvaguardas de saque e executou 31 saques rápidos, drenando ativos reais dos usuários — ETH, USDC, SOL e BTC encapsulado — no valor de aproximadamente US$ 285 milhões em menos de 12 minutos .
A TRM Labs descreveu a causa raiz como "uma combinação de engenharia social de signatários multisig para pré-assinar autorizações ocultas e uma migração do Security Council sem timelock que eliminou a última linha de defesa do protocolo" . A equipe da Drift confirmou que a exploração não foi um bug no código, mas uma falha de segurança operacional
.
Paralisação imediata. A Drift pausou depósitos e negociações em menos de uma hora após detectar a violação e emitiu um aviso público de que "não era uma piada de 1º de abril" .
Investigação. A equipe acionou a polícia e firmas forenses terceirizadas — TRM Labs, Chainalysis, Elliptic e Halborn — para rastrear os fundos e identificar os atacantes . Mensagens na blockchain foram enviadas para quatro carteiras Ethereum que detinham cerca de 129.000 ETH dos ativos roubados
.
Fundo de recuperação. A emissora de stablecoin Tether se comprometeu a liderar um programa de recuperação de US$ 150 milhões, com US$ 127,5 milhões contribuídos diretamente pela Tether e outros parceiros não divulgados, para restaurar os fundos dos usuários e relançar a plataforma .
Modelo de token de recuperação. Os usuários afetados receberam 'tokens de recuperação' avaliados em aproximadamente US$ 1 por token, representando suas perdas verificadas. Esses tokens funcionam como créditos proporcionais sobre um pool de recuperação que começou com cerca de US$ 3,8 milhões em ativos restantes do protocolo e o compromisso de US$ 147,5 milhões liderado pela Tether .
Reforma de segurança. A Drift implementou verificação rigorosa de signatários, controles de acesso baseados em funções, verificação de transações fora da cadeia, monitoramento comportamental de signatários e eliminação dos riscos de transações pré-assinadas .
Em junho de 2026, a Drift anunciou uma reformulação completa de sua marca (rebranding). Ao contrário de alguns rumores iniciais, o rebranding não é para um nome como 'Velocity DEX'. Em vez disso, a Drift está relançando como uma exchange de futuros perpétuos dedicada à Solana (descrita como uma 'Solana Perp DEX'), focada exclusivamente em negociação de swaps perpétuos baseados em USDT .
Principais elementos do rebranding:
O hack da Drift foi o maior ataque a DeFi de 2026 e o segundo maior da história da Solana . Ele expôs vulnerabilidades críticas na segurança da governança e na camada humana das operações multisig — vulnerabilidades que nenhuma auditoria de contrato inteligente poderia ter evitado.
A resposta e o rebranding da Drift representam uma mudança de um hub DeFi de propósito geral para uma DEX de perpétuos de propósito único e alta segurança — um reconhecimento implícito de que a superfície de ataque de múltiplos produtos anteriores criava riscos operacionais e de governança excessivos. O escopo reduzido, combinado com o fundo de recuperação ancorado pela Tether, a nova arquitetura de segurança e a liderança experiente, são projetados para reconstruir a confiança dos usuários e recuperar a posição da Drift como a exchange de perpétuos dominante na Solana.
Para o ecossistema mais amplo da Solana, o incidente se tornou um ponto de referência para a importância de uma verificação robusta de signatários, monitoramento comportamental e eliminação dos riscos de transações pré-assinadas em sistemas de governança .