O Marshal Vasilevskiy (IMO 9778313) não é um navio-tanque comum. Construído em 2018 pela Hyundai Heavy Industries, a embarcação de 174.000 m³ também funciona como uma Unidade Flutuante de Armazenamento e Regaseificação (FSRU) no terminal de GNL de Kaliningrado, na Rússia, com capacidade para fornecer até 3,7 bilhões de metros cúbicos de gás por ano ao enclave russo no Báltico . Desde que o trânsito de gás por terra através da Lituânia cessou repetidamente em 2024–2025, esta embarcação tornou-se estrategicamente crítica para o fornecimento de energia de Kaliningrado . Dados de rastreamento marítimo confirmam que, desde agosto de 2025, o navio fez a mesma viagem de ida e volta — do local da FSRU em Kaliningrado a São Petersburgo e de volta — pelo menos quatro vezes, navegando ao longo das costas da Estônia, Letônia e Lituânia .
A investigação do OCCRP relatou que, além da tripulação, a embarcação transporta cerca de duas dezenas de "passageiros" com histórico nas forças armadas e serviços de inteligência russos, identificados por meio de plataformas de recrutamento online, aplicativos de namoro, redes sociais e bancos de dados oficiais vazados . Os relatórios descobriram que 22 desses passageiros tinham histórico em estruturas militares russas, incluindo o FSB, com cinco desses 22 apresentando identificações militares do serviço de inteligência . No entanto, o nome específico "Dmitry Artenko" como um passageiro ligado ao FSB a bordo desde agosto de 2025 não pôde ser verificado de forma independente nas reportagens de fontes abertas de 29 de junho de 2026. Os artigos do OCCRP, Meduza, TWZ e Delfi referem-se a um indivíduo apenas como "Dmitry A." ou com redações semelhantes .
Oficiais de inteligência dos países bálticos citados nos relatórios interpretaram o armamento como um sinal deliberado: a Rússia está avisando os estados da Otan de que sua rota crítica de fornecimento de energia para Kaliningrado é defendida e que qualquer tentativa de interferir — incluindo a abordagem e inspeção de navios russos sob a aplicação de sanções — pode ser recebida com força letal . Um oficial de inteligência da área do Mar Báltico disse aos investigadores: "Minha avaliação: Essas armas foram colocadas a bordo com 50% de propósito de repelir um potencial ataque de drone marítimo ucraniano e 50% para sinalizar aos países ocidentais" . As armas servem como um dissuasor visível contra o tipo de operações de abordagem da chamada 'frota fantasma' que a Finlândia e a Estônia realizaram nos últimos meses, como a detenção do navio-tanque Eagle S em dezembro de 2024 .
Jens Wenzel Kristoffersen, um comandante naval dinamarquês (Orlogskaptajn) e analista de defesa independente, anteriormente no Comando de Defesa Dinamarquês, Comando Ártico e Comando Marítimo Aliado da Otan , disse ao veículo dinamarquês Danwatch que as armas pretendem enviar uma mensagem poderosa aos países que se opõem à Rússia . Numa análise mais ampla das operações russas na zona cinzenta, Kristoffersen tem enfatizado que Moscou está testando sistematicamente os limites de resposta da Otan no Báltico .
Este desenvolvimento se insere num ambiente de segurança em rápida deterioração no Mar Báltico:
O desenvolvimento também coincide com exercícios da Frota do Báltico Russa, incluindo exercícios do sistema de mísseis costeiros Bal em fevereiro de 2026 que ensaiaram ataques simulados contra navios de superfície hostis, reforçando a mensagem de que Moscou está preparada para defender sua linha de vida energética no Báltico pela força .