Para garantir que sua posição seja cumprida, Fico afirmou que vai consultar o ministro da Defesa, Robert Kaliňák, antes da cúpula para assegurar que a delegação eslovaca não receba nenhum mandato para aprovar um empréstimo militar ou qualquer contribuição financeira adicional . A ideia é que os representantes do país viajem para Ancara sem autoridade para fechar novos compromissos
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Antes mesmo do movimento contra a Otan, Fico já havia se posicionado contra o pacote de empréstimo de €90 bilhões da União Europeia para a Ucrânia, acertado pelos líderes do bloco em dezembro de 2025 e aprovado pelo Parlamento Europeu em fevereiro de 2026 . O pacote é dividido em €60 bilhões para a defesa e €30 bilhões para assistência macrofinanceira
. Fico classificou a medida como um "empréstimo de guerra" (war loan) e argumentou que ela só serviria para "prolongar o sofrimento e a matança"
. Em uma carta enviada em dezembro de 2025 ao presidente do Conselho Europeu, António Costa, ele deixou claro que não apoiaria nenhuma solução voltada a financiar os gastos militares da Ucrânia
. A Eslováquia foi um dos únicos dois Estados-membros da UE (ao lado da Hungria) a não endossar o empréstimo de €90 bilhões
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A insatisfação de Fico com a política ocidental para a Ucrânia não é de agora. O premier eslovaco mantém uma posição firme contra a entrada da Ucrânia na Otan. Já em outubro de 2024, ele declarou que "impediria a Ucrânia de entrar na Otan durante todo o seu mandato" e que "instruiria" a delegação eslovaca a vetar qualquer convite em regime de urgência . Essa posição faz parte de uma guinada na política externa do país desde que Fico retornou ao poder em 2023
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Fico também é um crítico consistente das sanções da UE contra a Rússia, argumentando que elas prejudicam mais as economias europeias do que a própria Rússia. Apesar de não vetar as sanções de forma geral, seu governo já atrasou ou condicionou renovações, especialmente em medidas ligadas à energia, usando como moeda de troca a dependência eslovaca do petróleo e gás russos .
Em uma jogada que pegou muitos de surpresa, em junho de 2026 Fico anunciou que vai cobrar formalmente uma compensação da União Europeia pelos equipamentos militares que a Eslováquia doou à Ucrânia em gestões anteriores . Ele planeja levar o assunto diretamente à presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, argumentando que a UE deveria "pagar o que deve" pelos sistemas de armas transferidos sob governos passados
. A compensação, originalmente, deveria vir do Fundo Europeu para a Paz (EPF, na sigla em inglês)
. Desde que Fico assumiu o cargo em 2023, a Eslováquia interrompeu toda a ajuda militar estatal à Ucrânia
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Fico já afirmou que "não pode impedir que outros países fortaleçam sua defesa", mas alerta constantemente para o "risco de escalada da guerra" com o contínuo armamento da Ucrânia . Seu governo adotou uma "política dos quatro cantos do mundo", caracterizada por um ceticismo aberto em relação à ajuda militar ocidental e um esforço para "normalizar" as relações com Moscou
. Foi, inclusive, o único líder da UE a comparecer às celebrações do Dia da Vitória em Moscou
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Na cúpula de Ancara, espera-se que os aliados da Otan projetem unidade em torno do aumento das metas de gastos com defesa (alguns países pressionam por 3,5% do PIB), do reforço da capacidade de produção industrial e da manutenção do apoio de longo prazo à Ucrânia. A Eslováquia, sob o comando de Fico, surge como uma das mais proeminentes vozes dissonantes internas na política para a Ucrânia, ao lado da Hungria, o que complica o objetivo da aliança de alcançar decisões unânimes sobre o pacote de €70 bilhões e sua mensagem estratégica mais ampla.