A queima global de gás atingiu 151 bilhões de metros cúbicos (bcm) em 2024, contra 148 bcm em 2023 — um aumento de 2%. Esse é o maior volume registrado desde 2007, marcando o segundo ano consecutivo de alta e sinalizando um retrocesso nos esforços para conter a prática.
O custo ambiental é significativo. A Parceria Global para Redução de Queima e Metano (GFMR) do Banco Mundial estima que a queima em 2024 liberou 389 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, com uma parcela substancial vindo de metano não queimado, um potente gás de efeito estufa. De acordo com o jornal britânico The Guardian, esse volume de emissões equivale à pegada de carbono anual da França.
O relatório aponta uma forte concentração da atividade. Os nove maiores queimadores foram responsáveis por três quartos de toda a queima em 2024, embora produzam menos da metade do petróleo mundial. Os países são:
A concentração entre os três maiores — Rússia, Irã e Iraque — se intensificou com o tempo. A participação conjunta deles subiu de 33% da queima global em 2012 para 46% em 2024. Enquanto isso, os outros mais de 70 países com queima responderam por apenas 24% do total em 2024, contra 35% em 2012, indicando que o problema está se concentrando em um número menor de grandes emissores.
O desperdício econômico é estarrecedor. Os 151 bcm de gás queimados em 2024 tinham um valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 63 bilhões, calculado com base no preço de referência do gás natural Henry Hub. Para dar uma dimensão, o volume de gás perdido equivale a praticamente todo o consumo anual de gás natural da África, que é de cerca de 162 bcm.
O relatório de 2025 não forneceu uma estimativa de custo global agregada para eliminar a queima rotineira. No entanto, ele destaca o desempenho dos países comprometidos com a iniciativa Queima Zero Rotineira até 2030 (ZRF, na sigla em inglês). Lançada em 2015, a ZRF compromete governos e empresas de petróleo a acabar com a queima rotineira até 2030, por meio de regulação, tecnologia e arranjos financeiros.
Os dados são reveladores: desde 2012, os signatários da ZRF obtiveram uma redução média de 12% na intensidade da queima, enquanto os não signatários registraram um aumento de 25%. Mas, com apenas cinco anos restantes para a meta de 2030, alcançar a ZRF exigiria uma redução de quase 40% na queima rotineira a cada ano, um ritmo ambicioso diante das tendências atuais.
O relatório identifica várias barreiras estruturais persistentes que dificultam o progresso, mesmo quando os argumentos econômicos e ambientais são claros:
Apesar da tendência negativa geral, há exceções notáveis. Os países que aderiram à ZRF superaram consistentemente seus pares, demonstrando que compromisso e ação política podem produzir resultados mensuráveis. A iniciativa ZRF continua sendo o principal arcabouço para coordenar esforços globais, visando acabar com a queima rotineira por meio de regulação, implantação de tecnologia e instrumentos financeiros.
Em resumo, o relatório de 2025 do Banco Mundial documenta uma crise crescente de queima de gás: volumes em alta, concentrados em poucos grandes produtores de petróleo, com US$ 63 bilhões em gás desperdiçados anualmente e nenhuma estimativa de custo único para resolver o problema. As barreiras estruturais são bem conhecidas — regulação frágil, lacunas de infraestrutura e altos custos —, enquanto a iniciativa ZRF oferece um caminho comprovado, mas com prazo limitado, para os países dispostos a se comprometer.
A queima global de gás atingiu 151 bilhões de metros cúbicos (bcm) em 2024, contra 148 bcm em 2023 — um aumento de 2%. Esse é o maior volume registrado desde 2007, marcando o segundo ano consecutivo de alta e sinalizando um retrocesso nos esforços para conter a prática.
O custo ambiental é significativo. A Parceria Global para Redução de Queima e Metano (GFMR) do Banco Mundial estima que a queima em 2024 liberou 389 milhões de toneladas de CO₂ equivalente, com uma parcela substancial vindo de metano não queimado, um potente gás de efeito estufa. De acordo com o jornal britânico The Guardian, esse volume de emissões equivale à pegada de carbono anual da França.
O relatório aponta uma forte concentração da atividade. Os nove maiores queimadores foram responsáveis por três quartos de toda a queima em 2024, embora produzam menos da metade do petróleo mundial. Os países são:
A concentração entre os três maiores — Rússia, Irã e Iraque — se intensificou com o tempo. A participação conjunta deles subiu de 33% da queima global em 2012 para 46% em 2024. Enquanto isso, os outros mais de 70 países com queima responderam por apenas 24% do total em 2024, contra 35% em 2012, indicando que o problema está se concentrando em um número menor de grandes emissores.
O desperdício econômico é estarrecedor. Os 151 bcm de gás queimados em 2024 tinham um valor de mercado estimado em aproximadamente US$ 63 bilhões, calculado com base no preço de referência do gás natural Henry Hub. Para dar uma dimensão, o volume de gás perdido equivale a praticamente todo o consumo anual de gás natural da África, que é de cerca de 162 bcm.
O relatório de 2025 não forneceu uma estimativa de custo global agregada para eliminar a queima rotineira. No entanto, ele destaca o desempenho dos países comprometidos com a iniciativa Queima Zero Rotineira até 2030 (ZRF, na sigla em inglês). Lançada em 2015, a ZRF compromete governos e empresas de petróleo a acabar com a queima rotineira até 2030, por meio de regulação, tecnologia e arranjos financeiros.
Os dados são reveladores: desde 2012, os signatários da ZRF obtiveram uma redução média de 12% na intensidade da queima, enquanto os não signatários registraram um aumento de 25%. Mas, com apenas cinco anos restantes para a meta de 2030, alcançar a ZRF exigiria uma redução de quase 40% na queima rotineira a cada ano, um ritmo ambicioso diante das tendências atuais.
O relatório identifica várias barreiras estruturais persistentes que dificultam o progresso, mesmo quando os argumentos econômicos e ambientais são claros:
Apesar da tendência negativa geral, há exceções notáveis. Os países que aderiram à ZRF superaram consistentemente seus pares, demonstrando que compromisso e ação política podem produzir resultados mensuráveis. A iniciativa ZRF continua sendo o principal arcabouço para coordenar esforços globais, visando acabar com a queima rotineira por meio de regulação, implantação de tecnologia e instrumentos financeiros.
Em resumo, o relatório de 2025 do Banco Mundial documenta uma crise crescente de queima de gás: volumes em alta, concentrados em poucos grandes produtores de petróleo, com US$ 63 bilhões em gás desperdiçados anualmente e nenhuma estimativa de custo único para resolver o problema. As barreiras estruturais são bem conhecidas — regulação frágil, lacunas de infraestrutura e altos custos —, enquanto a iniciativa ZRF oferece um caminho comprovado, mas com prazo limitado, para os países dispostos a se comprometer.