A queda do Bitcoin parece ter sido, sobretudo, parte de um movimento mais amplo de aversão ao risco: a venda de ações de tecnologia passou para o mercado cripto, e liquidações de posições alavancadas intensificaram a pressão. A recuperação após as eleições de meio de mandato nos EUA não veio acompanhada de sinais claros de demanda duradoura. Na sexta-feira, um relatório de emprego mais forte trouxe ainda uma preocupação adicional com os juros.
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Da alta pós-eleições à queda
O Bitcoin recuou de quase US$ 81 mil no fim de quarta-feira para cerca de US$ 75,5 mil na quinta, antes de voltar a negociar perto de US$ 76 mil. Os relatos associam a virada à queda de ações de chips e de empresas ligadas à inteligência artificial, em meio a resultados decepcionantes de fabricantes de semicondutores e a dúvidas sobre os retornos dos investimentos em IA.
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O resultado das eleições também entrou no quadro de incerteza. Os democratas conquistaram o controle das duas casas do Congresso, o que pode dificultar o avanço do projeto CLARITY Act, uma proposta para estabelecer regras para o mercado cripto nos EUA. Isso não prova, por si só, que o resultado eleitoral tenha causado a queda: as fontes destacam principalmente a onda de vendas em tecnologia como o gatilho imediato.
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Como a pressão se espalhou pelo mercado cripto
- Liquidações ampliaram a queda: mais de US$ 1,1 bilhão em posições compradas alavancadas foi liquidado. Quando o preço cai, essas vendas forçadas podem acelerar o movimento. Mas encerrar posições alavancadas não cria novos compradores — e as compras à vista e os fluxos institucionais continuaram fracos.
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- ETFs registraram saídas: os ETFs à vista de Bitcoin nos EUA tiveram cerca de US$ 430 milhões em saídas líquidas na quinta-feira. O dado é mais um sinal de que a volta para perto de US$ 76 mil não bastava, por si só, para indicar uma nova onda de compras.
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- O emprego forte mudou o foco na sexta: os EUA criaram 165 mil vagas em outubro, e a taxa de desemprego caiu de 4,2% para 4,1%. Os dados elevaram as expectativas de novos aumentos de juros pelo Federal Reserve e pesaram sobre o Bitcoin.
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Estabilização não é o mesmo que recuperação
Na sexta-feira, o Bitcoin voltou a ficar perto de US$ 76 mil, mas analistas citados nas reportagens descreveram o movimento como uma redução da pressão vendedora, e não como sinal de novas compras consistentes. Um dos níveis acompanhados pelo mercado era US$ 77 mil; abaixo disso, a possibilidade de novo teste da faixa de US$ 75 mil continuava em discussão.
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Os relatos registram preços diferentes conforme o horário e a fonte: um aponta mínima de US$ 75.208 na quinta-feira, enquanto outro informa uma mínima noturna de US$ 75.131. Ambos situam o recuo entre os mais fortes desde meados de setembro.
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O ataque à Binance, ocorrido em 29 de outubro e estimado em US$ 6,3 bilhões, também fazia parte do ambiente de cautela. A plataforma suspendeu transações, e clientes retiraram bilhões de dólares em ativos quando os saques foram retomados. Ainda assim, as reportagens apresentam o episódio como um choque anterior dentro de uma sequência de acontecimentos — não como explicação isolada para a queda de quinta-feira.
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Em resumo, a alta após as eleições perdeu força quando o recuo das ações de tecnologia atingiu ativos de risco, as liquidações aceleraram as vendas e os fluxos de investimento não mostraram demanda suficiente para sustentar uma retomada. A estabilização perto de US$ 76 mil foi um alívio, mas não confirmou uma reversão da tendência.
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