Jensen Huang não negou a troca em discussão: a inteligência artificial pode ajudar estudantes a terminar a lição mais depressa, mas também pode dificultar que eles desenvolvam ou mantenham habilidades usadas sem a ferramenta. Na entrevista ao programa The Ezra Klein Show, o CEO da Nvidia questionou se perder parte dessa base é necessariamente ruim. Para os críticos, porém, tratar essa perda como uma adaptação administrável não responde ao possível dano às habilidades fundamentais das crianças.
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O que o estudo citado por Ezra Klein encontrou
Klein mencionou uma pesquisa com mais de 26 mil estudantes chineses do 7º ao 12º ano, que começaram a usar IA em momentos diferentes. Segundo os resultados apresentados por ele, o uso da tecnologia elevou as notas de dever de casa em 18% e reduziu em 30% o tempo para concluir as tarefas. Em contrapartida, as notas de provas mensais caíram 20% em seis meses; os resultados em exames de ingresso também recuaram, com efeitos mais fortes aparecendo ao longo de cerca de dois anos.
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Huang concordou que o aprendizado pode não se fixar tão bem quando os alunos recorrem à IA. Ainda assim, ao ser questionado sobre o esquecimento de habilidades como divisão longa, raiz quadrada e tabuada, ele perguntou se isso realmente importa — e respondeu que não necessariamente, já que ferramentas podem fazer esse tipo de cálculo.
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A aposta em outras habilidades
A ideia de Huang é que as pessoas talvez percam parte da “destreza intelectual mais fina”, mas desenvolvam melhor pensamento sistêmico: a capacidade de usar ferramentas, integrar diferentes etapas e trabalhar em problemas maiores. Ele citou engenheiros atuais que, em sua avaliação, pensam mais em sistemas do que sua própria geração pensava ao sair da escola.
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Uma anedota pessoal também ajuda a entender seu argumento. Huang contou que depende da tecnologia para lembrar informações cotidianas, como o próprio endereço. Para ele, não é necessariamente uma perda preocupante deixar de memorizar todo dado que uma ferramenta pode recuperar.
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Mas esse raciocínio não demonstra que as novas capacidades vão compensar qualquer lacuna escolar. Um aluno pode usar uma ferramenta para obter uma resposta e, ainda assim, não aprender o procedimento necessário para resolver o problema sem ajuda. Os ganhos em deveres de casa, isoladamente, não estabelecem que essa troca seja benéfica no longo prazo.
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Ceticismo sobre alertas e riscos
Na mesma entrevista, Huang contestou os alertas de Geoffrey Hinton sobre riscos catastróficos da IA. Disse que previsões alarmantes precisam se apoiar em evidências e chamou de irresponsável apresentar como científica uma estimativa de 10% de chance de destruição da sociedade.
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17 Ao mesmo tempo, defendeu que laboratórios não lancem produtos que não conseguem controlar.
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A tensão apontada pelos críticos está no peso dado aos custos presentes diante de benefícios futuros. No debate sobre energia e clima, Huang apresentou a IA como uma possível parte de soluções de longo prazo, embora reconheça que a expansão da tecnologia pode exigir escolhas difíceis e custos imediatos.
12 Aplicada à educação, essa lógica parece pressupor que capacidades futuras desenvolvidas com IA poderão compensar habilidades que crianças talvez não desenvolvam agora — algo que o estudo citado não comprova.
Essa é uma crítica à avaliação de Huang sobre os riscos e as trocas envolvidas, não uma prova de que ele queira prejudicar crianças. E a pesquisa mencionada na entrevista, por si só, não mostra que toda forma de usar IA na educação produza os mesmos efeitos.
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