Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025. O mecanismo é direto: uma enxurrada de dívida corporativa de longo prazo disputa com os títulos do Tesouro o mesmo grupo de investidores...
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Resposta de pesquisa

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: How is the unprecedented wave of AI-infrastructure borrowing by technology companies contributing to “indigestion” in fixed-income markets a. Article summary: Pimco’s argument is primarily a supply-and-demand one: AI data-center spending is forcing even cash-rich technology companies into bond markets at extraordinary speed, competing with governments and other borrowers for a. Topic tags: general, news, general web, user generated. Style: premium digital editorial illustration, source-backed research mood, clean composition, high detail, modern web publication hero. Use reference image context only for broad subject, composition, and topical grounding; do not copy the exact image. Avoid: logos, brand marks, copyrighted characters, real person likenesses, fake screenshots, UI text, readable text, watermarks, charts w
A expansão da inteligência artificial deixou de ser apenas uma história do mercado acionário. Ela também está transformando o mercado de crédito, à medida que empresas de tecnologia recorrem a empréstimos em ritmo inédito para financiar data centers, capacidade computacional e outras estruturas necessárias à IA.
Marc Seidner, da Pimco, descreveu o movimento como “demais, rápido demais” e afirmou que ele está causando “indigestão” no mercado de renda fixa. Segundo ele, é “muito possível” que essa onda de empréstimos tenha ajudado a levar o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos para perto de 4,75% no início de agosto — embora isso seja apenas uma contribuição, e não uma explicação completa.
O sinal mais claro da mudança é o volume de novas emissões. Amazon, Alphabet, Meta e Oracle venderam cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026, contra aproximadamente US$ 108 bilhões em todo o ano de 2025, segundo análise da Reuters com dados da LSEG. 17
A emissão de julho da Amazon mostra tanto o tamanho da necessidade de financiamento quanto o apetite ainda existente por dívida de tecnologia com alta classificação de risco. A empresa buscou US$ 25 bilhões em oito tranches, com vencimentos entre 2029 e 2066. A demanda máxima reportada chegou a aproximadamente US$ 62 bilhões. 18
Outras estimativas chegam a números diferentes porque consideram grupos de emissores, períodos e definições distintas para dívida relacionada à IA. A Morgan Stanley projetou quase US$ 570 bilhões em emissões globais de dívida ligada à IA em 2026, contra cerca de US$ 236 bilhões até 31 de maio. Separadamente, o Goldman Sachs estimou quase US$ 500 bilhões em dívida relacionada à IA emitida até então em 2026, com os grandes provedores de nuvem respondendo por aproximadamente 40% do total.
Os números, portanto, não podem ser comparados diretamente. Mas apontam para a mesma conclusão: a infraestrutura de IA se tornou uma fonte relevante de oferta no mercado de títulos.
O mecanismo é uma questão clássica de oferta e demanda.
Títulos corporativos de vencimento longo exigem que investidores absorvam mais duration — a sensibilidade de um título às mudanças nas taxas de juros. Quando grandes empresas de tecnologia emitem volumes elevados de dívida de longo prazo ao mesmo tempo que os governos vendem grandes quantidades de Treasuries, os investidores precisam decidir quanto dessa exposição adicional querem manter.
Se a demanda não crescer no mesmo ritmo da oferta, as empresas normalmente precisam oferecer rendimentos maiores ou spreads mais amplos. Como os preços dos títulos e seus rendimentos se movem em direções opostas, uma demanda mais fraca pode resultar em preços menores e juros maiores em diferentes segmentos do mercado. Novas emissões também podem exigir uma concessão — um rendimento adicional em relação aos títulos já negociados — para atrair compradores.
A Reuters informou que a onda de emissões relacionadas à IA está testando a demanda dos investidores. Sua análise de mercado também apontou o aumento da oferta corporativa como um dos fatores que afetam os rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo. A pesquisa de crédito da própria Pimco destacou a emissão recorde dos grandes provedores de nuvem nos mercados em dólar e o peso crescente dessas empresas nos índices de títulos corporativos com grau de investimento.
Isso não significa que cada dólar tomado por uma empresa de tecnologia eleve diretamente o rendimento dos Treasuries. Títulos corporativos e títulos públicos são instrumentos diferentes. Mas ambos disputam parte do mesmo capital, e os investidores costumam comparar rendimento, qualidade de crédito e duration entre eles.
Algumas estimativas de mercado colocam o endividamento ligado à IA em cerca de US$ 182 bilhões no primeiro semestre de 2026, com um possível total próximo de US$ 400 bilhões no ano. Outras projeções são maiores ou menores. As diferenças dependem, entre outros fatores, de incluir ou não a Microsoft, operadoras de data centers, crédito privado, leasing, financiamento de projetos, empréstimos em moedas estrangeiras e dívidas emitidas por fornecedores ou entidades relacionadas.
As evidências sustentam três conclusões:
Mas os dados não comprovam que a dívida da IA, sozinha, tenha acrescentado de 10 a 20 pontos-base aos juros de longo prazo nos Estados Unidos. Um comentário da Reuters, citando o Goldman Sachs, estimou um efeito mais próximo de 5 pontos-base e classificou o impacto como marginal diante de outras forças.
A mesma cautela vale para a afirmação de que os empréstimos para financiar a IA levaram o Treasury de 10 anos a 4,75%. A Pimco disse que isso era possível, mas não estabeleceu uma contribuição causal precisa. Expectativas de inflação, política do Federal Reserve, emissão de títulos pelo Tesouro, preocupações fiscais, prêmio de prazo e demanda global por ativos considerados seguros podem mover os juros longos ao mesmo tempo. A Reuters também afirmou que essas forças cíclicas e fiscais têm mais importância para a direção geral dos juros do que o financiamento da IA.
Os efeitos financeiros da IA também chegam às economias que fornecem a infraestrutura do setor. O crescimento da Coreia do Sul no primeiro trimestre foi impulsionado por um aumento de 5,1% nas exportações, liderado por componentes de tecnologia da informação, incluindo semicondutores usados na infraestrutura de IA. Após a divulgação, o rendimento do título público sul-coreano de três anos subiu 8,8 pontos-base. 3
O canal de transmissão é diferente da história da dívida corporativa nos Estados Unidos. Exportações mais fortes de semicondutores podem aumentar o crescimento, os investimentos e as expectativas de inflação na Coreia do Sul. Com isso, os investidores podem esperar que o Banco da Coreia mantenha uma política monetária mais apertada ou eleve os juros, pressionando para cima os rendimentos dos títulos públicos.
A Bloomberg informou que os títulos públicos sul-coreanos em moeda local haviam acumulado perda de 7,5% em 2026 até o início de junho, o pior desempenho entre 44 mercados acompanhados pela publicação. O rendimento de referência de três anos chegou a cerca de 3,9%. 1 Analistas citaram o boom de semicondutores e suas implicações inflacionárias como motivos para uma possível alta adicional dos rendimentos.
2
A distinção é importante: na Coreia do Sul, o boom da IA pressiona os títulos não apenas pela competição global por capital, mas também por meio de crescimento doméstico mais forte e da expectativa de uma política monetária mais restritiva.
Rendimentos de referência mais altos aumentam o custo de diversos tipos de financiamento. Nos Estados Unidos, as taxas de hipotecas são influenciadas pelos mercados de Treasuries e de títulos lastreados em hipotecas, enquanto empresas costumam precificar sua dívida em relação aos títulos públicos. Uma alta persistente dos juros longos pode, portanto, encarecer o crédito para famílias e empresas.
O efeito, porém, não é uniforme. Grandes empresas de tecnologia com alta classificação de risco ainda podem atrair demanda significativa, mas talvez precisem pagar mais do que os investidores esperavam. Companhias menores, tomadores muito alavancados e projetos com fluxos de caixa futuros incertos podem enfrentar spreads maiores, concessões mais amplas nas novas emissões ou até menor acesso ao mercado.
Para as empresas que financiam sua própria expansão em IA, os juros mais altos criam um segundo teste: as receitas e os ganhos de produtividade esperados serão suficientes para justificar o custo da infraestrutura? A Pimco alertou que o ciclo de investimentos é enorme, enquanto o tamanho final dessa expansão continua incerto.
Os rendimentos maiores também afetam a avaliação das ações de crescimento. O valor de uma empresa depende, em parte, do valor presente de seus fluxos de caixa esperados no futuro. Quando as taxas de desconto sobem, esses fluxos distantes valem menos hoje, pressionando especialmente empresas cujos retornos devem aparecer apenas muitos anos adiante. Uma estratégia de IA financiada por dívida acrescenta uma pergunta de balanço patrimonial à questão de valuation: os lucros futuros crescerão rápido o bastante para compensar as novas obrigações?
A explicação alternativa mais forte é que os déficits fiscais americanos e a oferta de Treasuries — e não os empréstimos corporativos para IA — são as principais fontes de pressão sobre os juros de longo prazo.
Esse argumento tem uma base sólida. O governo federal americano emite muito mais dívida do que qualquer empresa de tecnologia individual, e os rendimentos dos Treasuries longos também refletem riscos de inflação, expectativas para a política do Federal Reserve, o prêmio de prazo e a demanda dos investidores por ativos seguros.
Uma análise separada da Pimco argumentou que a alta recente dos rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo foi explicada principalmente pela mudança nas expectativas de política econômica, e não por uma reprecificação relevante do prêmio de prazo associada à IA. A análise da Reuters chegou a conclusão semelhante: a dívida da IA não deve ser tratada como a única explicação, nem como a causa dominante, da fraqueza do mercado de títulos.
A interpretação mais defensável é que o endividamento para IA funciona como um amplificador. Ele adiciona uma fonte grande e cíclica de oferta de títulos corporativos de longo prazo a um mercado que já enfrenta forte emissão soberana e incertezas sobre inflação e política monetária.
O efeito imediato de emissões tão volumosas é desconfortável para quem já possui títulos. Quando os rendimentos sobem, os preços dos papéis emitidos anteriormente tendem a cair, gerando perdas de marcação a mercado para investidores com exposição a duration elevada.
Mas juros mais altos também melhoram a renda inicial disponível para novos compradores. Se as emissões diminuírem, a inflação desacelerar, o crescimento perder força ou o mercado absorver a oferta, os rendimentos poderão cair. Nesse cenário, investidores em títulos podem obter tanto a renda dos cupons quanto ganhos de preço.
Essa é a tese de oportunidade da Pimco: o boom de financiamento da IA pode criar volatilidade e pressão sobre os preços no curto prazo, mas também redefinir os retornos da renda fixa em níveis mais atraentes. A chave é a seletividade. O investidor precisa diferenciar emissores financeiramente resilientes de empresas ou projetos cuja alavancagem dependa de premissas agressivas sobre a demanda por IA, o fluxo de caixa e a capacidade de refinanciamento.
A lição mais ampla não é que a IA tenha causado sozinha a queda dos títulos. É que o boom tecnológico se tornou grande o suficiente para afetar a oferta, a precificação e a estrutura de risco do mercado de renda fixa. Por enquanto, “demais, rápido demais” descreve um problema de absorção. Em um horizonte mais longo, esse mesmo problema pode deixar os compradores de títulos com mais renda e oportunidades melhores — desde que consigam atravessar o período de ajuste.
Studio Global AI
Esta página inclui uma resposta baseada na fonte que você pode continuar em Studio Global.
Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025.
Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025. O mecanismo é direto: uma enxurrada de dívida corporativa de longo prazo disputa com os títulos do Tesouro o mesmo grupo de investidores sensíveis à duração, elevando os rendimentos exigidos pelo mercado.
A Pimco afirma que o excesso de emissões pode ter contribuído para levar o rendimento do Treasury de 10 anos a cerca de 4,75%, mas ressalta que déficits fiscais, inflação e política do Federal Reserve continuam sendo...
Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025. O mecanismo é direto: uma enxurrada de dívida corporativa de longo prazo disputa com os títulos do Tesouro o mesmo grupo de investidores...
Publicado porEditado com GPT-5.6 LunaImagens geradas com GPT Image 1.5
Resposta de pesquisa

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: How is the unprecedented wave of AI-infrastructure borrowing by technology companies contributing to “indigestion” in fixed-income markets a. Article summary: Pimco’s argument is primarily a supply-and-demand one: AI data-center spending is forcing even cash-rich technology companies into bond markets at extraordinary speed, competing with governments and other borrowers for a. Topic tags: general, news, general web, user generated. Style: premium digital editorial illustration, source-backed research mood, clean composition, high detail, modern web publication hero. Use reference image context only for broad subject, composition, and topical grounding; do not copy the exact image. Avoid: logos, brand marks, copyrighted characters, real person likenesses, fake screenshots, UI text, readable text, watermarks, charts w
A expansão da inteligência artificial deixou de ser apenas uma história do mercado acionário. Ela também está transformando o mercado de crédito, à medida que empresas de tecnologia recorrem a empréstimos em ritmo inédito para financiar data centers, capacidade computacional e outras estruturas necessárias à IA.
Marc Seidner, da Pimco, descreveu o movimento como “demais, rápido demais” e afirmou que ele está causando “indigestão” no mercado de renda fixa. Segundo ele, é “muito possível” que essa onda de empréstimos tenha ajudado a levar o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos para perto de 4,75% no início de agosto — embora isso seja apenas uma contribuição, e não uma explicação completa.
O sinal mais claro da mudança é o volume de novas emissões. Amazon, Alphabet, Meta e Oracle venderam cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026, contra aproximadamente US$ 108 bilhões em todo o ano de 2025, segundo análise da Reuters com dados da LSEG. 17
A emissão de julho da Amazon mostra tanto o tamanho da necessidade de financiamento quanto o apetite ainda existente por dívida de tecnologia com alta classificação de risco. A empresa buscou US$ 25 bilhões em oito tranches, com vencimentos entre 2029 e 2066. A demanda máxima reportada chegou a aproximadamente US$ 62 bilhões. 18
Outras estimativas chegam a números diferentes porque consideram grupos de emissores, períodos e definições distintas para dívida relacionada à IA. A Morgan Stanley projetou quase US$ 570 bilhões em emissões globais de dívida ligada à IA em 2026, contra cerca de US$ 236 bilhões até 31 de maio. Separadamente, o Goldman Sachs estimou quase US$ 500 bilhões em dívida relacionada à IA emitida até então em 2026, com os grandes provedores de nuvem respondendo por aproximadamente 40% do total.
Os números, portanto, não podem ser comparados diretamente. Mas apontam para a mesma conclusão: a infraestrutura de IA se tornou uma fonte relevante de oferta no mercado de títulos.
O mecanismo é uma questão clássica de oferta e demanda.
Títulos corporativos de vencimento longo exigem que investidores absorvam mais duration — a sensibilidade de um título às mudanças nas taxas de juros. Quando grandes empresas de tecnologia emitem volumes elevados de dívida de longo prazo ao mesmo tempo que os governos vendem grandes quantidades de Treasuries, os investidores precisam decidir quanto dessa exposição adicional querem manter.
Se a demanda não crescer no mesmo ritmo da oferta, as empresas normalmente precisam oferecer rendimentos maiores ou spreads mais amplos. Como os preços dos títulos e seus rendimentos se movem em direções opostas, uma demanda mais fraca pode resultar em preços menores e juros maiores em diferentes segmentos do mercado. Novas emissões também podem exigir uma concessão — um rendimento adicional em relação aos títulos já negociados — para atrair compradores.
A Reuters informou que a onda de emissões relacionadas à IA está testando a demanda dos investidores. Sua análise de mercado também apontou o aumento da oferta corporativa como um dos fatores que afetam os rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo. A pesquisa de crédito da própria Pimco destacou a emissão recorde dos grandes provedores de nuvem nos mercados em dólar e o peso crescente dessas empresas nos índices de títulos corporativos com grau de investimento.
Isso não significa que cada dólar tomado por uma empresa de tecnologia eleve diretamente o rendimento dos Treasuries. Títulos corporativos e títulos públicos são instrumentos diferentes. Mas ambos disputam parte do mesmo capital, e os investidores costumam comparar rendimento, qualidade de crédito e duration entre eles.
Algumas estimativas de mercado colocam o endividamento ligado à IA em cerca de US$ 182 bilhões no primeiro semestre de 2026, com um possível total próximo de US$ 400 bilhões no ano. Outras projeções são maiores ou menores. As diferenças dependem, entre outros fatores, de incluir ou não a Microsoft, operadoras de data centers, crédito privado, leasing, financiamento de projetos, empréstimos em moedas estrangeiras e dívidas emitidas por fornecedores ou entidades relacionadas.
As evidências sustentam três conclusões:
Mas os dados não comprovam que a dívida da IA, sozinha, tenha acrescentado de 10 a 20 pontos-base aos juros de longo prazo nos Estados Unidos. Um comentário da Reuters, citando o Goldman Sachs, estimou um efeito mais próximo de 5 pontos-base e classificou o impacto como marginal diante de outras forças.
A mesma cautela vale para a afirmação de que os empréstimos para financiar a IA levaram o Treasury de 10 anos a 4,75%. A Pimco disse que isso era possível, mas não estabeleceu uma contribuição causal precisa. Expectativas de inflação, política do Federal Reserve, emissão de títulos pelo Tesouro, preocupações fiscais, prêmio de prazo e demanda global por ativos considerados seguros podem mover os juros longos ao mesmo tempo. A Reuters também afirmou que essas forças cíclicas e fiscais têm mais importância para a direção geral dos juros do que o financiamento da IA.
Os efeitos financeiros da IA também chegam às economias que fornecem a infraestrutura do setor. O crescimento da Coreia do Sul no primeiro trimestre foi impulsionado por um aumento de 5,1% nas exportações, liderado por componentes de tecnologia da informação, incluindo semicondutores usados na infraestrutura de IA. Após a divulgação, o rendimento do título público sul-coreano de três anos subiu 8,8 pontos-base. 3
O canal de transmissão é diferente da história da dívida corporativa nos Estados Unidos. Exportações mais fortes de semicondutores podem aumentar o crescimento, os investimentos e as expectativas de inflação na Coreia do Sul. Com isso, os investidores podem esperar que o Banco da Coreia mantenha uma política monetária mais apertada ou eleve os juros, pressionando para cima os rendimentos dos títulos públicos.
A Bloomberg informou que os títulos públicos sul-coreanos em moeda local haviam acumulado perda de 7,5% em 2026 até o início de junho, o pior desempenho entre 44 mercados acompanhados pela publicação. O rendimento de referência de três anos chegou a cerca de 3,9%. 1 Analistas citaram o boom de semicondutores e suas implicações inflacionárias como motivos para uma possível alta adicional dos rendimentos.
2
A distinção é importante: na Coreia do Sul, o boom da IA pressiona os títulos não apenas pela competição global por capital, mas também por meio de crescimento doméstico mais forte e da expectativa de uma política monetária mais restritiva.
Rendimentos de referência mais altos aumentam o custo de diversos tipos de financiamento. Nos Estados Unidos, as taxas de hipotecas são influenciadas pelos mercados de Treasuries e de títulos lastreados em hipotecas, enquanto empresas costumam precificar sua dívida em relação aos títulos públicos. Uma alta persistente dos juros longos pode, portanto, encarecer o crédito para famílias e empresas.
O efeito, porém, não é uniforme. Grandes empresas de tecnologia com alta classificação de risco ainda podem atrair demanda significativa, mas talvez precisem pagar mais do que os investidores esperavam. Companhias menores, tomadores muito alavancados e projetos com fluxos de caixa futuros incertos podem enfrentar spreads maiores, concessões mais amplas nas novas emissões ou até menor acesso ao mercado.
Para as empresas que financiam sua própria expansão em IA, os juros mais altos criam um segundo teste: as receitas e os ganhos de produtividade esperados serão suficientes para justificar o custo da infraestrutura? A Pimco alertou que o ciclo de investimentos é enorme, enquanto o tamanho final dessa expansão continua incerto.
Os rendimentos maiores também afetam a avaliação das ações de crescimento. O valor de uma empresa depende, em parte, do valor presente de seus fluxos de caixa esperados no futuro. Quando as taxas de desconto sobem, esses fluxos distantes valem menos hoje, pressionando especialmente empresas cujos retornos devem aparecer apenas muitos anos adiante. Uma estratégia de IA financiada por dívida acrescenta uma pergunta de balanço patrimonial à questão de valuation: os lucros futuros crescerão rápido o bastante para compensar as novas obrigações?
A explicação alternativa mais forte é que os déficits fiscais americanos e a oferta de Treasuries — e não os empréstimos corporativos para IA — são as principais fontes de pressão sobre os juros de longo prazo.
Esse argumento tem uma base sólida. O governo federal americano emite muito mais dívida do que qualquer empresa de tecnologia individual, e os rendimentos dos Treasuries longos também refletem riscos de inflação, expectativas para a política do Federal Reserve, o prêmio de prazo e a demanda dos investidores por ativos seguros.
Uma análise separada da Pimco argumentou que a alta recente dos rendimentos dos Treasuries de prazo mais longo foi explicada principalmente pela mudança nas expectativas de política econômica, e não por uma reprecificação relevante do prêmio de prazo associada à IA. A análise da Reuters chegou a conclusão semelhante: a dívida da IA não deve ser tratada como a única explicação, nem como a causa dominante, da fraqueza do mercado de títulos.
A interpretação mais defensável é que o endividamento para IA funciona como um amplificador. Ele adiciona uma fonte grande e cíclica de oferta de títulos corporativos de longo prazo a um mercado que já enfrenta forte emissão soberana e incertezas sobre inflação e política monetária.
O efeito imediato de emissões tão volumosas é desconfortável para quem já possui títulos. Quando os rendimentos sobem, os preços dos papéis emitidos anteriormente tendem a cair, gerando perdas de marcação a mercado para investidores com exposição a duration elevada.
Mas juros mais altos também melhoram a renda inicial disponível para novos compradores. Se as emissões diminuírem, a inflação desacelerar, o crescimento perder força ou o mercado absorver a oferta, os rendimentos poderão cair. Nesse cenário, investidores em títulos podem obter tanto a renda dos cupons quanto ganhos de preço.
Essa é a tese de oportunidade da Pimco: o boom de financiamento da IA pode criar volatilidade e pressão sobre os preços no curto prazo, mas também redefinir os retornos da renda fixa em níveis mais atraentes. A chave é a seletividade. O investidor precisa diferenciar emissores financeiramente resilientes de empresas ou projetos cuja alavancagem dependa de premissas agressivas sobre a demanda por IA, o fluxo de caixa e a capacidade de refinanciamento.
A lição mais ampla não é que a IA tenha causado sozinha a queda dos títulos. É que o boom tecnológico se tornou grande o suficiente para afetar a oferta, a precificação e a estrutura de risco do mercado de renda fixa. Por enquanto, “demais, rápido demais” descreve um problema de absorção. Em um horizonte mais longo, esse mesmo problema pode deixar os compradores de títulos com mais renda e oportunidades melhores — desde que consigam atravessar o período de ajuste.
Studio Global AI
Esta página inclui uma resposta baseada na fonte que você pode continuar em Studio Global.
Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025.
Amazon, Alphabet, Meta e Oracle emitiram cerca de US$ 194 bilhões em títulos até 7 de julho de 2026 — 79% acima dos aproximadamente US$ 108 bilhões emitidos em todo o ano de 2025. O mecanismo é direto: uma enxurrada de dívida corporativa de longo prazo disputa com os títulos do Tesouro o mesmo grupo de investidores sensíveis à duração, elevando os rendimentos exigidos pelo mercado.
A Pimco afirma que o excesso de emissões pode ter contribuído para levar o rendimento do Treasury de 10 anos a cerca de 4,75%, mas ressalta que déficits fiscais, inflação e política do Federal Reserve continuam sendo...