Parag Agrawal afirma que o modelo da internet baseado em atenção humana entra em crise quando agentes de IA passam a fazer a maior parte das buscas e leituras. Agentes não veem anúncios nem geram cliques relevantes, mas podem consultar a web milhares de vezes para atender a uma única solicitação humana.
Resposta de pesquisa

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A tese de Parag Agrawal, ex-CEO do Twitter — hoje X — e fundador da Parallel Web Systems, parte de uma mudança simples, mas potencialmente profunda: a web foi construída para pessoas, enquanto a próxima geração de uso pode ser dominada por agentes de inteligência artificial.
O modelo atual depende da atenção humana. Pessoas fazem uma busca, clicam em um resultado, visitam uma página e veem anúncios ou demonstram interesse por uma marca. Esses cliques funcionam ao mesmo tempo como fonte de receita, por meio de publicidade e indicações de tráfego, e como sinal usado para classificar resultados.
Agrawal argumenta que essa lógica deixa de funcionar quando o usuário principal é um agente. Um agente pode consultar dezenas de fontes, extrair informações, comparar dados e sintetizar uma resposta sem necessariamente encaminhar a pessoa para nenhuma das páginas originais. Ele não vê anúncios, não desenvolve preferência por marcas da mesma maneira que um consumidor e não produz um clique que represente adequadamente o valor do conteúdo consultado. 214
O resultado, segundo essa visão, seria uma web com muito mais consultas, mas menos tráfego humano — justamente o tráfego que hoje sustenta boa parte dos publishers e criadores de conteúdo.
No ambiente tradicional, um clique é uma aproximação prática para duas perguntas: o conteúdo foi relevante para alguém? E quanto valor econômico ele gerou? Para agentes, porém, a métrica se torna limitada.
Uma resposta pode depender de várias fontes ao mesmo tempo. O agente pode usar uma página para encontrar um dado, outra para verificar a informação e uma terceira para contextualizar o resultado. Nenhuma dessas fontes precisa receber um visitante humano. Por isso, contar cliques não mostraria qual foi a contribuição real de cada página — nem garantiria que os responsáveis pelo conteúdo fossem pagos por ela. 13
A proposta de Agrawal é substituir o sinal indireto do clique por um retorno direto do próprio agente: a fonte ajudou a pesquisar, raciocinar, concluir uma tarefa ou melhorar a resposta final? Esse tipo de feedback seria específico para o objetivo da consulta, em vez de refletir apenas a capacidade de capturar atenção.
A ideia ainda é uma tese de produto e de mercado, não um padrão adotado por toda a internet. 313
A “web paralela” não significa necessariamente abandonar os sites feitos para humanos. A proposta é criar uma camada adicional de infraestrutura otimizada para agentes: mecanismos de busca, classificação, recuperação de informações, pesquisa profunda e sistemas de pagamento desenhados para tarefas executadas por software.
A Parallel posiciona suas APIs como essa camada de acesso. Seus produtos incluem busca e extração de conteúdo, pesquisa aprofundada, descoberta de entidades, chat e monitoramento contínuo da web. 1011
A diferença está no objetivo. Uma busca tradicional tenta apresentar links que uma pessoa possa abrir. Um sistema voltado a agentes precisa entregar informações estruturadas, recentes e confiáveis o bastante para que outro software consiga usá-las em um fluxo de trabalho — muitas vezes sem exibir uma página intermediária ao usuário.
Para remunerar publishers, fornecedores de dados e criadores, a proposta menciona os chamados valores de Shapley. O conceito vem da teoria dos jogos e procura medir quanto cada participante contribui para um resultado produzido em conjunto.
Aplicado à web, o cálculo tentaria responder: quanto uma determinada fonte acrescentou à qualidade ou ao sucesso da resposta do agente, considerando as demais fontes disponíveis? Um conteúdo indispensável ou altamente complementar receberia mais do que uma fonte redundante ou apenas tangencial. 16
Esse modelo teria uma vantagem em relação a uma taxa fixa de licenciamento ou ao pagamento por clique: a remuneração estaria ligada ao valor marginal da informação em uma tarefa específica. Mas há obstáculos importantes, como calcular essa contribuição de maneira confiável em grande escala, evitar manipulação e estabelecer regras aceitas por diferentes plataformas e donos de conteúdo.
O Index é o componente voltado aos proprietários de conteúdo. Segundo a documentação da Parallel, a plataforma permite que publishers, fornecedores de dados e criadores independentes acompanhem como agentes descobrem, citam e utilizam seu trabalho. A remuneração seria vinculada ao valor que esse conteúdo agrega às tarefas realizadas pelos agentes. 6714
Na prática, o produto tenta resolver um problema que cresce à medida que respostas geradas por IA substituem visitas diretas: dar aos donos de conteúdo visibilidade sobre o uso de seus materiais e uma possível fonte de receita além da publicidade tradicional.
Ainda não há evidência suficiente para dizer que o Index ou os valores de Shapley se tornarão um sistema universal de atribuição. A adoção dependeria de publishers, empresas de IA, desenvolvedores e outras plataformas concordarem com uma forma comum de medir contribuição.
A Parallel captou US$ 30 milhões em uma rodada seed em 2024 e, em novembro de 2025, levantou US$ 100 milhões em uma Série A, alcançando uma avaliação divulgada de US$ 740 milhões. 12
Em abril de 2026, a empresa anunciou uma Série B de US$ 100 milhões liderada pela Sequoia, com avaliação reportada de US$ 2 bilhões. Entre os participantes citados estavam investidores anteriores, como Kleiner Perkins, Index Ventures, Khosla Ventures, First Round, Spark, Terrain e Abstract. 11015
A empresa também passou a ser uma opção de busca e fundamentação para clientes do Google Cloud que desenvolvem agentes corporativos. Nas integrações reportadas, desenvolvedores que usam as ferramentas de agentes do Google Cloud podem escolher a Parallel Search ao lado do Google Search para obter informações da web. 212
A parceria oferece distribuição em uma grande plataforma empresarial, mas também cria uma relação delicada: o Google é um parceiro estratégico e, ao mesmo tempo, um potencial concorrente no mercado de busca e infraestrutura para agentes. 5
O prazo de 12 a 24 meses apresentado por Agrawal é uma previsão, não um consenso medido do setor. A justificativa é que modelos mais capazes, ferramentas conectadas a serviços externos e frameworks de agentes estão evoluindo rapidamente.
Além disso, um agente pode iniciar várias buscas e subtarefas para atender a uma única solicitação humana. Empresas também podem adotar esses sistemas por meio de APIs e plataformas de nuvem que já estão disponíveis. Se desempenho, custo e facilidade de uso ultrapassarem determinado limiar, o volume de consultas feitas por agentes poderia superar o de consultas humanas antes que os hábitos dos consumidores mudassem completamente.
A própria Parallel resume essa aposta na ideia de que agentes poderão usar a web “1.000 vezes mais” do que humanos. 214
A proposta de Agrawal identifica uma possível fragilidade do modelo atual: uma internet financiada por cliques humanos pode não ter incentivos suficientes para sustentar conteúdo que é consumido por máquinas e incorporado a respostas sem gerar visitas.
Mas a solução ainda está em fase de construção. Não foi demonstrado que o Index ou os pagamentos baseados em valores de Shapley conseguirão substituir a publicidade em escala. Também não está claro se publishers e plataformas concorrentes aceitarão um único sistema de atribuição, ou se agentes fornecerão avaliações confiáveis e resistentes a manipulação.
Por enquanto, a “web paralela” é melhor entendida como uma aposta de infraestrutura para um cenário em que o principal usuário da internet deixa de ser a pessoa que clica — e passa a ser o software que pesquisa, decide e age em seu nome.
Studio Global AI
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Parag Agrawal afirma que o modelo da internet baseado em atenção humana entra em crise quando agentes de IA passam a fazer a maior parte das buscas e leituras.
Parag Agrawal afirma que o modelo da internet baseado em atenção humana entra em crise quando agentes de IA passam a fazer a maior parte das buscas e leituras. Agentes não veem anúncios nem geram cliques relevantes, mas podem consultar a web milhares de vezes para atender a uma única solicitação humana.
A proposta da Parallel é criar uma camada de infraestrutura voltada a agentes, com busca, classificação, extração e pagamentos baseados no resultado das tarefas.