O que desencadeou a pressão sobre o TikTok
A reação ocorreu depois de uma colisão frontal na M9, no condado de Kildare, na Irlanda. Cinco adolescentes morreram após o carro em que estavam trafegar na contramão da autoestrada. No outro veículo, três mulheres e um menino de sete anos ficaram gravemente feridos; duas das mulheres estavam em estado crítico.
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Após o acidente, o comissário da Garda Síochána — a polícia nacional irlandesa —, Justin Kelly, afirmou que casos recentes indicavam que alguns jovens estariam dirigindo deliberadamente na direção errada em autoestradas para gravar vídeos e conquistar “curtidas” nas redes sociais.
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A declaração levou o comitê parlamentar de mídia do Oireachtas, o Parlamento da Irlanda, a convocar o TikTok para explicar como detecta e remove publicações que “glorificam atividades ilegais” nas estradas do país. O Coimisiún na Meán, órgão regulador de mídia da Irlanda, também pediu à plataforma um “relato completo” sobre suas medidas contra conteúdos de direção imprudente e disse que avaliaria se houve violação das obrigações da empresa.
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Que evidências existem de uma disputa por curtidas?
As evidências descritas publicamente incluem vídeos de jovens registrando direção perigosa, inclusive no sentido contrário ao fluxo de autoestradas. A polícia avaliou que algumas dessas ações eram realizadas em busca de curtidas. Reportagens também mencionaram vídeos relacionados a “joyriding” — uso ou condução ilegal de veículos, muitas vezes roubados —, furtos de carros, fugas da polícia e outras formas de direção arriscada.
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Em um dos casos relatados, uma conta que publicou imagens feitas dentro de um carro roubado conduzido na contramão da M50 acumulou mais de 4 mil curtidas e mais de 5 mil compartilhamentos antes de ser banida.
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Esse conjunto de informações sustenta a preocupação com uma subcultura online competitiva, na qual grupos tentariam chamar atenção e “superar” uns aos outros. Mas isso não prova, por si só, que uma publicação específica tenha causado a colisão na M9. A investigação do acidente e qualquer possível relação causal individual continuam sendo questões separadas.
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Como o TikTok respondeu
O TikTok disse que está monitorando de perto os conteúdos relacionados ao acidente na M9 e removendo vídeos e contas que desrespeitam suas regras. A empresa afirmou ainda que proíbe publicações que promovam atividades perigosas, incluindo direção de risco.
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Apesar disso, a plataforma recusou o convite para comparecer ao comitê parlamentar. Em uma carta, informou que não participaria enquanto as investigações da Garda Síochána e do Coimisiún na Meán estivessem em andamento.
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O regulador irlandês buscava saber, entre outros pontos, como o TikTok trata denúncias de conteúdo ilegal, se reforçou a moderação proativa e se encaminhou informações ou suspeitas de atividade criminosa à polícia.
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Medidas discutidas pelas autoridades
A resposta irlandesa não ficou restrita às plataformas digitais. As autoridades discutiram a destinação de recursos adicionais à Garda Síochána para combater a direção perigosa, a criação de um crime específico para dirigir na contramão em uma autoestrada e treinamento para perseguições veiculares.
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O ministro da Justiça, Jim O’Callaghan, confirmou que os policiais receberiam treinamento para perseguições. Ao advertir quem dirige deliberadamente na direção errada, ele afirmou: “Você vai acabar na prisão ou vai acabar em uma sepultura.”
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É importante distinguir o que já foi confirmado do que ainda estava em discussão: o treinamento para perseguições foi anunciado, enquanto a criação de um crime autônomo para dirigir na contramão permanecia uma proposta, e não uma lei em vigor.
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