Os cenários de aquecimento analisados pelo estudo apontam para preços médios de trigo significativamente mais altos:
O valor mais alto equivale a aproximadamente três vezes o preço global do trigo em 2010, corrigido pela inflação, usado como referência na comparação do estudo. São estimativas baseadas em modelos climáticos e econômicos — não previsões para um ano específico nem uma garantia de preço no mercado.
Isso não significa que toda tonelada de trigo passará a custar exatamente três vezes mais. A conclusão é que choques de oferta relacionados ao clima podem se tornar mais frequentes ou intensos, elevando os preços médios e aumentando a probabilidade de picos bruscos.
As projeções de longo prazo trazem um alerta ainda mais grave. Sem medidas de mitigação climática, em um cenário de altas emissões, até 60% da área atualmente cultivada com trigo poderá enfrentar escassez severa de água ao mesmo tempo no fim do século. Hoje, a proporção é de cerca de 15%. A estabilização do clima compatível com o Acordo de Paris reduziria o risco, embora não o eliminasse.
Essa projeção se refere à área exposta a um evento simultâneo de escassez de água — não à previsão de que 60% da produção de trigo desaparecerá. O resultado real também dependeria de adaptação, melhoramento genético, irrigação, decisões de plantio, comércio e políticas de estoques de alimentos.
Os movimentos recentes do mercado de trigo ajudam a mostrar por que o risco climático não pode ser separado da geopolítica e da logística. Os preços subiram quase 25% em relação aos níveis de janeiro de 2026 em meio à seca disseminada e às interrupções no transporte pelo Mar Negro, segundo o CGIAR. C Mais tarde, a Reuters informou que os contratos futuros de trigo em Chicago haviam acumulado alta superior a 17% desde o início de julho, enquanto ataques à infraestrutura de grãos no Mar Negro pressionavam as expectativas de oferta. R
Esses acontecimentos não são um teste isolado do estudo publicado na Earth’s Future. Os movimentos atuais combinam seca, ataques, riscos de transporte e redirecionamento do comércio. Ainda assim, eles ilustram a principal implicação da pesquisa: um problema de produção provocado pelo clima pode causar uma perturbação muito maior quando as rotas que conectam exportadores e importadores também estão sob pressão.
O alerta do estudo vai além do gerenciamento de água dentro das propriedades rurais. Governos e empresas do setor de alimentos precisam considerar riscos correlacionados entre regiões produtoras, com medidas como:
A conclusão é direta: uma seca local pode permanecer um problema local, mas secas sincronizadas nas principais regiões produtoras de trigo podem atravessar as cadeias globais de abastecimento e afetar o custo dos alimentos em vários países. Medir essa exposição compartilhada oferece aos formuladores de políticas uma maneira mais clara de antecipar o próximo choque no preço do trigo.