A proposta original previa elevar a presença mínima no escritório de três para quatro dias por semana para trabalhadores administrativos — os chamados funcionários de colarinho branco.
A mudança provocou uma reação incomum dentro da Airbus. Trabalhadores espanhóis iniciaram greves intermitentes em julho, enquanto sindicatos organizaram manifestações e paralisações na França e na Grã-Bretanha.
Segundo relatos sobre as discussões internas, a dimensão e a intensidade do movimento na Espanha surpreenderam a direção da empresa. O episódio também levou executivos da sede a questionarem como a proposta havia sido conduzida localmente.
A Airbus afirmou que mudanças duradouras exigem ouvir os funcionários. Diante da resistência, a empresa preferiu suspender a imposição imediata da nova regra e adotar uma abordagem mais gradual.
A oposição não se limitava à redução dos dias de teletrabalho. Na Espanha, os sindicatos também protestaram contra:
Os sindicatos afirmaram que cerca de 40% dos aproximadamente 14 mil funcionários da Airbus na Espanha participaram das ações. As paralisações ocorreram de forma alternada e atingiram a maior parte das operações espanholas da empresa.
A empresa justificou a volta mais intensa ao escritório com três objetivos principais: melhorar a eficiência coletiva, acelerar a tomada de decisões e reforçar a transferência de conhecimento entre as equipes.
A transferência de conhecimento era especialmente importante para a Airbus porque a companhia contratou muitos funcionários desde a pandemia. A avaliação da empresa era que a convivência presencial ajudaria profissionais mais experientes a transmitir conhecimentos práticos aos recém-contratados.
A estratégia também ocorria enquanto a Airbus enfrentava pressão para cumprir uma meta de 870 entregas de aeronaves comerciais em 2026, em meio a dificuldades na cadeia de suprimentos. A justificativa sobre eficiência, decisões mais rápidas e compartilhamento de conhecimento é atribuída diretamente à Airbus; os detalhes sobre contratações no período pós-pandemia e a meta de entregas devem ser lidos como contexto informado nas reportagens disponíveis.
Os sindicatos contestaram a ideia de que mais dias no escritório necessariamente tornariam a empresa mais eficiente. Para eles, limitar a flexibilidade poderia prejudicar a capacidade da Airbus de atrair e reter profissionais disputados, especialmente engenheiros e especialistas em software.
Nesse mercado, o modelo híbrido é apresentado pelos representantes dos trabalhadores como uma condição relevante para recrutamento e permanência de talentos. A avaliação sindical é que uma política mais rígida poderia reduzir a competitividade da Airbus justamente em áreas técnicas essenciais.
Sindicatos franceses também afirmaram que a proposta entrava em conflito com o acordo de trabalho remoto existente na Airbus França. As fontes fornecidas confirmam a oposição sindical relacionada aos acordos de teletrabalho, mas não permitem verificar de forma independente todos os detalhes ou a alegação de que o acordo permaneceria válido até agosto de 2028.
Naquele momento, a Airbus afirmou que a produção não havia sido afetada. As paralisações atingiam principalmente funções administrativas e de apoio, e não diretamente as linhas de fabricação.
Ainda assim, o conflito criou um problema relevante de relações trabalhistas para a direção. A tentativa de acelerar o retorno ao escritório, apresentada como parte de uma busca por mais foco, qualidade e presença individual, acabou desencadeando uma mobilização em vários países europeus.