Alguns relatos descrevem a missão como formada por cinco elementos, mas os principais tipos de espaçonaves são esses quatro. A referência a um quinto componente costuma estar ligada ao conjunto de instrumentos científicos internacionais transportados pela missão.
No polo sul lunar, há crateras com paredes íngremes, temperaturas extremamente baixas e regiões que nunca recebem luz solar direta. Esses locais permanentemente sombreados estão entre os ambientes mais frios do Sistema Solar e podem preservar depósitos de gelo e outras substâncias voláteis.
Um rover tradicional poderia não conseguir entrar ou sair de algumas dessas crateras. A pequena sonda saltadora foi projetada justamente para avançar por meio de deslocamentos controlados, permitindo investigar ou coletar dados em áreas que seriam difíceis para um veículo convencional.
A combinação dos quatro sistemas também amplia o alcance científico da missão: o orbitador poderá fazer sensoriamento remoto, enquanto o módulo de pouso, o rover e a sonda realizarão medições diretamente na superfície ou em suas proximidades.
A Administração Espacial Nacional da China informa que a Chang’e 7 levará instrumentos desenvolvidos com participação de instituições do Egito, Bahrein, Itália, Rússia, Suíça, Tailândia e da International Lunar Observatory Association.
Entre os equipamentos estão refletores laser italianos, que ajudarão em medições de alta precisão e na navegação do orbitador, além de instrumentos russos para estudar a poeira lunar e o ambiente de plasma próximo à superfície. A missão também levará um telescópio astronômico destinado a obter observações coloridas do céu a partir da Lua.
Outros instrumentos deverão analisar a composição e as características do solo lunar. O objetivo é entender melhor onde o gelo pode estar, em que quantidade e se ele poderia ser acessível em futuras missões.
A Chang’e 7 funciona como uma missão de reconhecimento para a planejada Estação Internacional de Pesquisa Lunar da China. A etapa seguinte, a Chang’e 8, prevista para aproximadamente 2028, deverá testar tecnologias relacionadas ao uso de recursos locais e à construção de infraestrutura lunar.
Essas missões fazem parte do caminho declarado pela China para realizar um pouso tripulado na Lua até 2030. Por isso, a Chang’e 7 não é apenas uma expedição científica: ela também testa técnicas de operação em um dos locais mais promissores — e mais difíceis — para futuras atividades humanas no satélite natural da Terra.
A Chang’e 7 é descrita em algumas reportagens como a missão robótica lunar mais ambiciosa já planejada ou realizada. No entanto, essa formulação é uma avaliação, não um fato estabelecido por um critério universal.
O que pode ser afirmado é que ela será a missão lunar tecnologicamente mais complexa da China até o momento. Seu desafio não está apenas em chegar ao polo sul, mas em coordenar sistemas orbitais e móveis em um ambiente com pouca iluminação, frio intenso, comunicações difíceis e distribuição ainda incerta de gelo.
Se for bem-sucedida, a Chang’e 7 poderá produzir dados fundamentais sobre a água lunar e demonstrar como robôs podem trabalhar em conjunto antes de futuras missões robóticas e tripuladas ao polo sul.