Em um cenário de emissões elevadas, SSP3-7.0, com aquecimento próximo de 3,6 °C, o crescimento projetado chega a aproximadamente 192%. Na prática, isso significa quase três vezes a área queimada atualmente a cada ano.
A diferença entre os cenários mostra o peso das escolhas feitas no presente. Quanto maior o aquecimento, mais frequentes e intensas tendem a ser as combinações de condições meteorológicas que favorecem incêndios difíceis de controlar.
A região do Mediterrâneo deve continuar sendo o principal ponto crítico do continente. O clima já mais quente e seco da área pode se tornar ainda mais favorável à propagação das chamas, especialmente quando períodos prolongados sem chuva deixam a vegetação e o solo mais ressecados.
Mas o estudo também aponta uma expansão do risco para a Europa Ocidental e Central. Regiões historicamente menos acostumadas a incêndios de grande proporção podem enfrentar uma exposição crescente quando calor extremo, déficit de umidade no solo e ventos fortes ocorrem ao mesmo tempo. Essas condições secam o combustível disponível e ajudam o fogo a se espalhar rapidamente.
Os dados mais recentes ajudam a colocar a projeção em perspectiva. Até 19 de agosto de 2026, incêndios já haviam queimado 616.202 hectares na Europa — mais que o dobro da média registrada no mesmo momento entre 2006 e 2025, de 280.045 hectares. O número, porém, ainda estava abaixo do registrado em 2025, um ano excepcional.
A temporada de incêndios de 2025 foi a pior da série histórica da União Europeia, com 1.079.538 hectares queimados no bloco.
Além da perda de florestas e áreas naturais, os incêndios atingem moradias, estradas, redes de energia, propriedades rurais e atividades econômicas. Estimativas divulgadas no início de agosto indicavam que os custos econômicos dos incêndios do verão de 2026 já haviam ultrapassado € 15 bilhões. Como o valor depende do método e do tipo de prejuízo contabilizado, trata-se de uma estimativa preliminar, não de um balanço final.
A Comissão Europeia estima que os danos anuais a propriedades e infraestruturas causados por incêndios florestais somem cerca de € 2,5 bilhões na União Europeia. Esse cálculo não inclui integralmente perdas mais amplas para a saúde, os ecossistemas, a agricultura, as florestas e o turismo.
Os pesquisadores e as instituições europeias defendem uma abordagem integrada de gestão do risco. Ela inclui ações antes, durante e depois do incêndio, como:
A prevenção reduz a chance de que uma ignição inicial se transforme em um desastre. Já a detecção precoce e uma resposta rápida podem conter muitos focos antes que eles cresçam, diminuindo a área queimada e evitando custos muito maiores de reconstrução e recuperação. A União Europeia promove expressamente a gestão integrada do risco de incêndios e o manejo sustentável da vegetação.
Em combinações extremas de calor, seca e vento, o fogo pode avançar com velocidade e intensidade superiores às condições para as quais os sistemas atuais de prevenção e combate foram planejados. Incêndios simultâneos e muito amplos também podem superar a disponibilidade de equipes, aeronaves e equipamentos.
Por isso, a mensagem dos pesquisadores tem duas frentes. A primeira é fortalecer imediatamente a prevenção e a preparação local, adaptadas às características de cada região. A segunda é reduzir rapidamente as emissões de gases de efeito estufa, para evitar que o clima de incêndios se torne tão extremo que as medidas de adaptação não consigam mais administrá-lo com segurança.