Essa ligação ganha importância à medida que aumenta a demanda por capacidade de computação e permanecem as restrições dos Estados Unidos ao acesso chinês a chips avançados. O objetivo é aproximar a oferta de hardware e poder computacional dos serviços de IA vendidos a empresas.
A Alibaba também criou uma unidade independente para reunir o laboratório responsável pelos modelos Qwen, as operações de inteligência artificial voltadas ao consumidor e os produtos de produtividade e escritório.
Com isso, a empresa torna mais explícito o caminho entre o desenvolvimento de um modelo de IA e sua transformação em produtos, assinaturas e serviços comerciais.
A reorganização ocorre enquanto os indicadores de IA e nuvem aceleram. A receita externa da Alibaba Cloud cresceu 45% na comparação anual no trimestre mais recente, e a receita de produtos relacionados à IA manteve crescimento de três dígitos pelo 12º trimestre consecutivo.
O número de 40% de crescimento da receita externa da nuvem, citado em alguns relatos, refere-se ao período reportado anteriormente. Na ocasião, a Alibaba Cloud informou que os produtos relacionados à IA já representavam 30% de sua receita externa.
A família de modelos Qwen também ganhou escala: seus modelos de pesos abertos superaram 3 bilhões de downloads globalmente em seis meses. Essa distribuição dá à Alibaba uma base de usuários e desenvolvedores que pode ser convertida em consumo de nuvem, serviços corporativos e outras receitas.
A companhia ainda teria planos de exigir que grandes usuários comerciais de uma futura versão do Qwen compartilhem parte da receita gerada com o modelo. A proposta representaria uma mudança em relação à distribuição aberta sem cobrança direta, aproximando o Qwen de um modelo freemium ou baseado em royalties. Os termos exatos, porém, ainda não estavam definidos.
Em termos práticos, a nova configuração reverte a lógica do plano de reorganização “1+6+N” anunciado em 2023. Naquele momento, a Alibaba buscava dar mais autonomia a diferentes grupos e preservar a possibilidade de separar ou listar negócios individualmente.
Agora, a prioridade é reintegrar as operações ao redor da cadeia de IA. O plano de abertura de capital da Cloud Intelligence Group foi abandonado depois que as restrições americanas à exportação aumentaram a incerteza sobre o fornecimento de chips avançados.
A nova abordagem sugere que a Alibaba considera mais valioso coordenar nuvem, chips, modelos e aplicativos do que maximizar a independência de cada unidade.
A receita total da Alibaba no trimestre mais recentemente divulgado chegou a RMB 268,95 bilhões, ou US$ 39,64 bilhões, acima da estimativa de US$ 38,63 bilhões. É importante observar que essa projeção se referia à receita total da companhia, e não apenas à receita da nuvem.
O avanço veio acompanhado de uma conta elevada para construir a infraestrutura de IA. As despesas de capital do trimestre foram reportadas em RMB 67,7 bilhões, enquanto o EBITDA ajustado caiu 30% na comparação anual.
Ao mesmo tempo, a nuvem apresentou melhora operacional: a receita externa avançou 45% e o EBITDA do segmento cresceu 133% ano a ano. O contraste resume o desafio da estratégia: a Alibaba precisa investir agressivamente em servidores, chips e capacidade computacional antes que a demanda por IA se transforme em uma fonte mais previsível de lucro.
A reorganização, portanto, sinaliza disposição para aceitar pressão sobre os resultados de curto prazo em troca de receitas recorrentes no futuro — vindas do consumo corporativo de nuvem, de serviços de IA, de assinaturas para consumidores e, potencialmente, de royalties sobre o uso comercial do Qwen.