A alta também ocorreu em meio a outras notícias positivas para o setor. Na véspera, a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) havia proposto a chamada “Regulation Crypto Assets”, um regime específico para determinadas ofertas de valores mobiliários ligadas a criptoativos. A proposta busca criar caminhos mais claros para captação de recursos, mas ainda não é uma regra em vigor.
Ao mesmo tempo, a tramitação do projeto de lei CLARITY, voltado à estrutura regulatória do mercado cripto, continuava paralisada no Congresso americano, mantendo parte da incerteza jurídica.
O movimento ganhou força quando o avanço dos preços começou a liquidar posições vendidas. Nesse tipo de operação, o investidor aposta na queda de um ativo. Quando o preço sobe rapidamente, a corretora pode encerrar a posição à força, obrigando o investidor a recomprar o ativo — o que cria demanda adicional e empurra os preços ainda mais para cima.
As estimativas de liquidações de posições vendidas em 24 horas variaram de aproximadamente US$ 1,4 bilhão no início do movimento a quase US$ 3 bilhões conforme a disparada avançou. O episódio ficou entre os maiores short squeezes já registrados no mercado cripto.
O ether foi um dos principais focos dessa dinâmica. Uma estimativa apontou cerca de US$ 382 milhões em liquidações de contratos futuros de ETH. Como o rompimento de US$ 2 mil atingiu uma região com muitas posições alavancadas apostando na queda, a recomprada forçada intensificou a alta.
Além de superar US$ 2 mil, o ether também ficou acima de sua média móvel de 200 dias, um indicador bastante acompanhado para avaliar a tendência de longo prazo. O rompimento transformou uma região de resistência — e de liquidações de posições vendidas — em uma possível área de suporte.
Ainda assim, o sinal só ganharia maior credibilidade se o preço conseguisse sustentar fechamentos acima da média móvel de 200 dias e de US$ 2 mil, com continuidade nos pregões seguintes.
Os níveis de suporte mencionados antes do rompimento ficavam aproximadamente em US$ 1.925 e na faixa de US$ 1.940 a US$ 1.950. Se o ETH perder US$ 2 mil, uma volta a essa antiga zona de liquidez e resistência se tornaria plausível.
A alta não foi explicada apenas por derivativos. ETFs de ether à vista negociados nos Estados Unidos registraram cerca de US$ 71,4 milhões em entradas líquidas em 18 de agosto, com o fundo ETHA, da BlackRock, respondendo por aproximadamente US$ 64,7 milhões. Isso indica a presença de demanda à vista paralelamente ao short squeeze.
Relatos posteriores apontaram cerca de US$ 189 milhões em entradas diárias nos ETFs de ether à medida que o rali se ampliava. Mesmo assim, os volumes de liquidação e a velocidade praticamente vertical da alta sugerem que a compra forçada teve um papel decisivo.
Um short squeeze pode produzir uma alta impressionante, mas também pode perder força quando as liquidações terminam. Por isso, a confirmação de uma reversão duradoura exigiria uma combinação de fatores:
Em resumo, o anúncio do Tesouro funcionou como um catalisador macroeconômico favorável ao risco, enquanto a proposta regulatória da SEC e a demanda por ETFs ajudaram a melhorar o sentimento. Porém, a dimensão excepcional do movimento foi amplificada principalmente pela cascata de liquidações de posições vendidas — e isso exige cautela antes de interpretar a alta como uma recuperação estrutural já consolidada.