Kim Yo Jong classificou a redução como irrelevante: para a Coreia do Norte, o ponto central é que os exercícios entre Estados Unidos e Coreia do Sul continuam. O Ulchi Freedom Shield foi reduzido de 11 dias para cinco, com diminuição de parte dos treinamentos em campo.
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Kim Yo Jong, irmã e uma das principais assessoras do líder norte-coreano Kim Jong Un, rejeitou a decisão de reduzir o exercício militar anual Ulchi Freedom Shield, realizado pelos Estados Unidos e pela Coreia do Sul.
Segundo ela, Pyongyang presta mais atenção ao fato de que as manobras continuam do que à redução de sua duração ou de seu tamanho. Em declaração divulgada pela mídia estatal norte-coreana, Kim afirmou que a mudança não altera o caráter “provocativo e agressivo” dos exercícios.
A mensagem representa uma rejeição pública à tentativa aparente do presidente Donald Trump de usar a redução das manobras como sinal de abertura diplomática. A agência estatal KCNA também chamou os dois países de “belicistas” e disse que a Coreia do Norte continuará exercendo seu direito de autodefesa diante do que considera ameaças militares.
O Ulchi Freedom Shield estava programado para durar 11 dias, de 17 a 27 de agosto. Após a ordem de Trump, o exercício foi encurtado para cinco dias, e parte dos treinamentos em campo foi reduzida.
O Pentágono recebeu a determinação de diminuir substancialmente a participação americana depois do início das atividades. Ainda assim, autoridades militares dos Estados Unidos e da Coreia do Sul continuaram apresentando o exercício como um treinamento de prontidão e defesa, e não como preparação para uma invasão da Coreia do Norte.
O presidente sul-coreano Lee também afirmou que os exercícios de defesa civil tinham caráter defensivo e não eram direcionados contra Pyongyang. O governo de Seul, por sua vez, disse que analisava as declarações de Trump relacionadas ao Irã.
Trump justificou a ordem com diferentes argumentos. Ele citou o custo dos exercícios, afirmou que eles transmitiam um sinal “inadequado e hostil” a uma Coreia do Norte que considerava “não ameaçadora” e respeitosa, e mencionou seu relacionamento pessoal com Kim Jong Un.
O presidente americano também relacionou a decisão à recusa da Coreia do Sul em participar de ações dos Estados Unidos contra o Irã. Essa ligação sugere que a redução pode ter funcionado não apenas como uma iniciativa voltada à política norte-coreana, mas também como instrumento de pressão sobre um aliado.
Essa estratégia pode criar uma abertura tática com Pyongyang, mas traz riscos para a confiança sul-coreana na dissuasão americana e para a coordenação entre os aliados — elementos importantes para qualquer negociação duradoura.
Trump afirmou que Kim Jong Un havia respondido positivamente a suas iniciativas de contato. Kim Yo Jong, porém, declarou que desconhecia qualquer comunicação direta recente entre os governos de Washington e Pyongyang, contradizendo a versão apresentada pelo presidente americano.
Ao mesmo tempo, ela disse que o relacionamento pessoal entre seu irmão e Trump continuava “excelente”. A distinção é significativa: Pyongyang pode preservar a retórica positiva sobre a relação entre os líderes sem demonstrar disposição para retomar negociações nos termos defendidos por Washington.
Analistas identificam, no máximo, uma possibilidade limitada de retomada de contatos. Isso não equivale a evidência de um acordo iminente ou de uma nova cúpula entre Trump e Kim Jong Un.
A Coreia do Norte continua avançando suas capacidades nucleares e de mísseis. Além disso, a parceria militar com a Rússia oferece armas, apoio econômico e político, aprendizado obtido no campo de batalha e menor dependência de concessões americanas. Os vínculos estratégicos de Pyongyang com Rússia e China também reduzem o isolamento que antes dava a Washington mais poder de pressão.
Por isso, Kim Jong Un teria mais incentivos para exigir reconhecimento como Estado nuclear ou discutir medidas limitadas de controle de armas do que para aceitar as condições de desnuclearização que contribuíram para o fracasso de negociações anteriores entre Trump e Kim.
O cenário mais provável no curto prazo é algum contato exploratório ou uma reunião de valor sobretudo simbólico, e não um acordo abrangente de desnuclearização. Uma negociação substantiva provavelmente exigiria que Washington aceitasse um processo gradual de controle de armas — com congelamento, verificação e medidas de redução de riscos — enquanto Pyongyang precisaria receber incentivos capazes de superar os benefícios de segurança e econômicos que hoje obtém de suas relações com Rússia e China.
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Kim Yo Jong classificou a redução como irrelevante: para a Coreia do Norte, o ponto central é que os exercícios entre Estados Unidos e Coreia do Sul continuam.
Kim Yo Jong classificou a redução como irrelevante: para a Coreia do Norte, o ponto central é que os exercícios entre Estados Unidos e Coreia do Sul continuam. O Ulchi Freedom Shield foi reduzido de 11 dias para cinco, com diminuição de parte dos treinamentos em campo.
Donald Trump citou os custos, o relacionamento com Kim Jong Un, o suposto caráter hostil das manobras e a recusa de Seul em apoiar ações americanas contra o Irã.