A Visa estaria procurando um substituto para a BVNK depois que a Mastercard concluiu, em 3 de agosto, a aquisição da empresa por até US$ 1,8 bilhão. O novo parceiro precisará oferecer acesso regulado a mercados nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Singapura, além de liquidez, conversão entre stablecoins e liqui...
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A Visa estaria procurando um novo parceiro para liquidação e operações de balcão — conhecidas como OTC, na sigla em inglês — com stablecoins. O movimento é melhor entendido como um problema de substituição e controle: a aquisição da BVNK pela Mastercard colocou dentro da principal rival da Visa uma infraestrutura que havia apoiado pagamentos relacionados à Visa Direct.
Agora, a Visa busca uma empresa regulada capaz de cuidar de conversões, liquidez e liquidação, enquanto desenvolve sua própria infraestrutura institucional para stablecoins.
A Mastercard concluiu em 3 de agosto a aquisição da BVNK, empresa de infraestrutura para stablecoins sediada em Londres. O negócio foi avaliado em US$ 1,5 bilhão inicialmente, com possibilidade de mais US$ 300 milhões em pagamentos condicionados ao desempenho — chegando a um valor máximo de US$ 1,8 bilhão.
A BVNK fornecia infraestrutura para pagamentos com stablecoins, incluindo recursos utilizados em conexão com a Visa Direct. Depois de passar a fazer parte da Mastercard, a empresa deixou de ser uma fornecedora estrategicamente neutra para a Visa. A solicitação de propostas, ou RFP, teria como objetivo preencher esse espaço.
Isso não significa necessariamente que a Visa esteja abandonando sua estratégia de stablecoins. O sinal é outro: a companhia quer controlar a camada de infraestrutura voltada ao cliente e contratar parceiros externos para executar funções reguladas de mercado e liquidez.
A demanda da Visa vai além de uma API comum de pagamentos. A empresa escolhida precisará oferecer suporte e realizar trocas entre diferentes stablecoins, operar no mercado de balcão e cuidar da liquidação de transações envolvendo a Open USD, ou OUSD.
Na prática, esse parceiro poderia ajudar a Visa e seus clientes institucionais a:
Esse modelo permitiria à Visa oferecer um serviço compatível com várias stablecoins, sem depender de um único token ou emissor para sua camada de liquidação. A Visa manteria a plataforma e a relação com o cliente, enquanto o parceiro forneceria funções importantes de execução e acesso ao mercado.
Segundo os relatos, a Visa exige que o parceiro tenha licenças de exchange de ativos digitais nos Estados Unidos, no Canadá, no Reino Unido e em Singapura. A exigência de cobertura nos quatro mercados reduz significativamente o número de empresas elegíveis.
A restrição é estratégica. A Visa não está apenas procurando uma companhia capaz de movimentar tokens tecnicamente. Ela precisa de uma contraparte com acesso compatível com as regras de vários mercados financeiros importantes, controles operacionais para liquidação e liquidez suficiente para atender à atividade institucional.
A exigência multinacional também expõe um dos principais obstáculos aos pagamentos globais com stablecoins: as regras são fragmentadas. Um provedor autorizado a atuar em um país pode não conseguir oferecer a mesma solução em outro. Os critérios da Visa parecem desenhados para reduzir esse atrito regulatório e operacional à medida que as stablecoins avançam para pagamentos de maior escala e operações de tesouraria.
A Open USD está sendo desenvolvida pela Open Standard, um consórcio que reúne Visa, Mastercard e Coinbase entre mais de 140 empresas participantes. O projeto foi concebido em torno de uma stablecoin pareada ao dólar e de um ecossistema compartilhado, em vez de um token controlado exclusivamente por um único emissor.
A estrutura anunciada prevê emissão e resgate gratuitos para empresas, além do compartilhamento da economia das reservas entre parceiros do ecossistema. Nesse contexto, liquidez e liquidação se tornam especialmente relevantes: um consórcio amplo precisa conectar instituições, carteiras, moedas e stablecoins sem obrigar cada participante a construir sua própria operação de negociação e liquidação.
O novo parceiro funcionaria, portanto, como uma camada de execução para a OUSD. Ele não substituiria a governança da Open Standard nem a plataforma da Visa. Sua função seria ajudar a transformar a OUSD, ainda apresentada como um projeto de consórcio, em um ativo que instituições possam trocar e liquidar em mercados regulados.
Em julho, a Visa lançou a Visa Stablecoin Platform, um ambiente empresarial voltado a instituições financeiras, fintechs e empresas nativas de criptoativos. A plataforma permite acessar funções de emissão, armazenamento, transferência e resgate de stablecoins por meio de um sistema administrado pela Visa, com a Open USD como primeiro token suportado.
A divisão de funções fica clara:
A busca por um parceiro mostra que controlar a plataforma não elimina a necessidade de contrapartes especializadas. Pelo contrário: quanto mais bem-sucedida for a plataforma, maior tende a ser a importância de parceiros confiáveis nas suas extremidades, conectando-a a liquidez, exchanges e infraestrutura de liquidação.
A aquisição da BVNK mostra o caminho escolhido pela Mastercard: comprar a infraestrutura e incorporá-la à rede de pagamentos. A estratégia da Visa, considerando a RFP relatada e o lançamento da Visa Stablecoin Platform, é controlar a interface institucional e trabalhar com especialistas licenciados na execução de mercado.
A diferença é importante porque a competição em stablecoins deixou de ser apenas uma disputa entre tokens. As camadas estratégicas incluem:
Uma rede de pagamentos que controla mais partes dessa cadeia pode tornar as stablecoins mais simples para instituições e, ao mesmo tempo, preservar uma relação mais próxima com o cliente. A disputa, portanto, está mudando: não se trata apenas de escolher qual dólar digital vencerá, mas de decidir quem controlará a infraestrutura que dá utilidade a esses ativos.
O modelo da Open USD tenta distribuir a governança e a economia das reservas entre um grupo amplo de participantes do ecossistema. Isso pode atrair empresas que não querem depender completamente de um único emissor para acesso, receitas ou direcionamento estratégico.
Mas esse desenho não substitui automaticamente as stablecoins já estabelecidas. A adoção continuará dependendo de liquidez, integrações, aceitação regulatória e disposição de bancos, comerciantes, exchanges e provedores de pagamentos para aceitar a OUSD em transações reais.
A busca da Visa destaca justamente esse desafio. Uma stablecoin pode contar com o apoio de muitas empresas e ainda precisar de infraestrutura especializada para conversão e liquidação em diferentes jurisdições. O sucesso da Open USD dependerá não apenas de seu modelo de governança, mas também da capacidade de as instituições utilizá-la de forma confiável ao lado de outros dólares digitais.
A RFP relatada mostra como as stablecoins estão deixando de ser produtos experimentais de blockchain para se aproximarem do núcleo da infraestrutura de pagamentos. A compra da BVNK pela Mastercard retirou do ecossistema da Visa um fornecedor estrategicamente importante, levando a empresa a procurar um substituto regulado em quatro mercados relevantes.
Ao mesmo tempo, a Visa Stablecoin Platform oferece à companhia uma forma de administrar o acesso institucional a stablecoins, enquanto a Open USD fornece um ativo apoiado por um consórcio para a plataforma suportar desde o início.
A pergunta central já não é simplesmente qual stablecoin vai vencer. É quais empresas controlarão os trilhos regulados, a liquidez, os processos de liquidação e as interfaces com clientes em torno do dinheiro tokenizado.
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A Visa estaria procurando um substituto para a BVNK depois que a Mastercard concluiu, em 3 de agosto, a aquisição da empresa por até US$ 1,8 bilhão.
A Visa estaria procurando um substituto para a BVNK depois que a Mastercard concluiu, em 3 de agosto, a aquisição da empresa por até US$ 1,8 bilhão. O novo parceiro precisará oferecer acesso regulado a mercados nos Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e Singapura, além de liquidez, conversão entre stablecoins e liquidação.
A busca mostra que a competição entre as redes de pagamentos está migrando da criação de novos tokens para o controle da infraestrutura que torna os dólares digitais utilizáveis.