Autoridades russas disseram que mais de 620 drones foram direcionados à região de Moscou e que 453 foram interceptados sobre diferentes regiões russas e o mar Negro. Os ataques atingiram ou ficaram próximos de centros logísticos, uma refinaria em Ufa e uma fábrica de explosivos em Dzerzhinsk, em uma estratégia ucran...
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A campanha de drones da Ucrânia entre 18 e 19 de agosto chamou atenção menos por um ataque isolado do que pelo alcance geográfico. Foram relatadas atividades na região de Moscou e em instalações industriais de Ufa e Dzerzhinsk, sinalizando que a estratégia ucraniana de ataques de longo alcance vai muito além da linha de frente e mira partes da infraestrutura que sustentam o esforço de guerra russo. Os detalhes operacionais, a autoria específica e as avaliações dos danos continuam sendo objeto de disputa.
Autoridades russas afirmaram que mais de 620 drones tiveram a região de Moscou como alvo durante a noite de 18 para 19 de agosto. O prefeito de Moscou, Sergey Sobyanin, disse que 180 foram destruídos sobre a região da capital entre a noite do dia 18 e as primeiras horas do dia 19, enquanto outros 17 foram interceptados durante a aproximação da cidade.
Para o período noturno seguinte, o Ministério da Defesa da Rússia afirmou que suas defesas aéreas interceptaram 453 drones ucranianos de asa fixa sobre regiões russas e o mar Negro, entre 20h do dia 18, no horário de Moscou, e 8h do dia 19. Trata-se de uma alegação oficial russa, e não de uma contagem independente dos drones lançados ou destruídos.
Esses números não devem ser somados automaticamente: eles correspondem a categorias geográficas e de registro diferentes, e os relatos disponíveis não esclarecem quanto poderia haver de sobreposição entre eles.
Relatos da região de Moscou mencionaram incêndios, interrupções no fornecimento de energia e danos a um armazém ou centro de distribuição da Wildberries. A empresa é uma das principais varejistas on-line da Rússia, o que torna a instalação, à primeira vista, um empreendimento comercial civil. Autoridades ucranianas e analistas externos, porém, classificam grandes centros logísticos como parte de uma rede de uso dual — isto é, com aplicações civis e possíveis funções de apoio à economia de guerra russa.
A campanha mais ampla também vem atingindo instalações da Wildberries. Segundo o Institute for the Study of War (ISW), com base em informações do Ministério da Defesa ucraniano, as forças da Ucrânia haviam atingido sete dos dez maiores centros logísticos da varejista desde julho. O padrão sugere uma tentativa de reduzir a capacidade de distribuição, e não apenas de concentrar os ataques em bases militares convencionais.
Em Ufa, na república russa de Bashkortostão, autoridades regionais disseram que drones chegaram a instalações industriais. Um deles caiu em uma área industrial e provocou um incêndio; outro danificou um prédio residencial e deixou uma pessoa ferida, segundo informações citadas pela Meduza. As autoridades também afirmaram que uma unidade de uma refinaria de petróleo, que já passava por reparos, pegou fogo.
A agência estatal russa TASS confirmou o incêndio na refinaria e reproduziu a afirmação do Ministério da Defesa sobre a interceptação de 453 drones durante o período noturno. Os relatos confirmam a ocorrência de um incêndio, mas não permitem determinar de forma independente a perda operacional total da refinaria nem a duração de uma eventual interrupção.
Fumaça e atividade de drones também foram relatadas em Dzerzhinsk, na região de Nijni Novgorod. Informações de código aberto identificaram a fábrica de explosivos de Sverdlov como possível alvo, com base na localização da fumaça e em análises de vídeos disponíveis.
A fábrica é associada ao setor industrial-militar russo, mas os danos exatos provocados pelo incidente de 19 de agosto não foram confirmados de forma independente nos relatos disponíveis. Um prédio residencial próximo também teria sido danificado.
Não existe um balanço confiável e consolidado de vítimas para a onda de drones de 18 e 19 de agosto. Relatos sobre ataques anteriores da mesma escalada, em meados de agosto, mencionaram pelo menos seis mortos na Rússia — mas essas mortes não devem ser apresentadas como vítimas específicas dos ataques de 18 e 19 de agosto.
Ao mesmo tempo, ataques russos contra a região ucraniana de Kharkiv mataram dez pessoas em 18 de agosto, segundo autoridades citadas pela Al Jazeera. Os ataques paralelos mostram que a escalada envolveu uma troca de ofensivas de longo alcance, expondo civis dos dois lados.
Alertas sobre drones também provocaram interrupções no transporte aéreo nos arredores de Moscou durante ondas próximas da campanha. No entanto, as fontes disponíveis não estabelecem um número preciso de cancelamentos ou atrasos atribuível especificamente aos ataques de 18 e 19 de agosto. Relatos de outras ofensivas de grande escala mencionam restrições temporárias em aeroportos e interrupções de voos; por isso, qualquer afirmação sobre este episódio deve ser feita com cautela.
A campanha ucraniana de drones de longo alcance parece ter como objetivo impor custos acumulados a diferentes partes do sistema de guerra russo:
O alcance da campanha também se tornou uma característica central. Relatos anteriores descreveram drones ucranianos atingindo refinarias, fábricas militares, centros logísticos e outros alvos a centenas de quilômetros da Ucrânia. A AP informou que a refinaria de Ufa fica a mais de 1.000 quilômetros da Ucrânia e é uma importante produtora de lubrificantes.
A Ucrânia vem atacando repetidamente a infraestrutura petrolífera russa para reduzir receitas, interromper o abastecimento de combustíveis e elevar o custo de sustentar a invasão. Relatos associaram os ataques a interrupções em refinarias e à falta de combustível em alguns postos, enquanto as estimativas mais amplas sobre a capacidade de refino perdida variaram à medida que as instalações retomaram ou suspenderam operações.
Por isso, os relatos sobre 18 e 19 de agosto, isoladamente, não permitem estabelecer um percentual único para a redução da capacidade nacional de refino. Estimativas ucranianas e de outras fontes secundárias apontam para reduções excepcionalmente grandes, mas elas devem ser tratadas como estimativas, e não como fatos definitivamente estabelecidos.
Moscou acusou o Reino Unido de apoiar ou viabilizar a campanha ucraniana de ataques profundos depois de relatos de que drones fabricados no país teriam sido usados contra alvos na Rússia. Autoridades russas ameaçaram tomar “consequências” não especificadas. Autoridades britânicas rejeitaram a pressão e afirmaram que o Reino Unido continuaria apoiando a Ucrânia.
Os relatos não comprovam que drones fornecidos pelo Reino Unido tenham sido usados em todos os ataques de 18 e 19 de agosto, nem demonstram controle operacional direto britânico sobre a campanha. A disputa reflete, sobretudo, uma tentativa mais ampla da Rússia de apresentar o apoio militar ocidental como fator de escalada do conflito.
A aparente lógica de Kiev é que ataques contra receitas do petróleo, produção de armas, transporte e segurança interna podem reduzir a margem de manobra de Moscou e tornar mais visíveis dentro da Rússia os custos da continuidade da guerra. Esse é um objetivo estratégico plausível, mas não equivale a uma evidência de que os ataques de agosto tenham alterado a posição russa nas negociações.
O resultado imediato foi uma ampliação da troca de ataques de longo alcance: drones ucranianos chegaram ao interior da Rússia, enquanto ofensivas russas continuaram matando civis e danificando infraestrutura na Ucrânia. A operação de 18 e 19 de agosto representa, portanto, uma escalada no alcance e na pressão, mas seu efeito político dependerá de os custos econômicos, militares e de segurança interna se tornarem grandes o suficiente para modificar as decisões do Kremlin.
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Autoridades russas disseram que mais de 620 drones foram direcionados à região de Moscou e que 453 foram interceptados sobre diferentes regiões russas e o mar Negro.
Autoridades russas disseram que mais de 620 drones foram direcionados à região de Moscou e que 453 foram interceptados sobre diferentes regiões russas e o mar Negro. Os ataques atingiram ou ficaram próximos de centros logísticos, uma refinaria em Ufa e uma fábrica de explosivos em Dzerzhinsk, em uma estratégia ucraniana de pressionar a infraestrutura militar e econômica da Rússia.
Não há um balanço consolidado e independente de vítimas, prejuízos, interrupções aeroportuárias ou perda de capacidade de refino especificamente ligada aos ataques de 18 e 19 de agosto.