Os estudos podem ajudar a identificar oportunidades de perfuração de novos poços entre os já existentes, controle de pressão, recuperação avançada de petróleo, aproveitamento de gás e revitalização de campos maduros. Na prática, um diagnóstico mais preciso dos reservatórios pode melhorar a recuperação do petróleo que ainda permanece no subsolo.
A indústria venezuelana enfrenta anos de subinvestimento, sanções e deterioração operacional. Para recuperar a produção, a PDVSA precisa de financiamento externo, equipamentos, conhecimento de gestão de campos e soluções digitais e de engenharia de reservatórios.
O acordo-quadro firmado com a SLB em junho já previa cooperação em exploração, desenvolvimento de campos, produção, digitalização e treinamento de mão de obra. A aliança anunciada em agosto parece aplicar esse programa mais amplo a uma tarefa específica: estudar e modernizar os reservatórios.
A melhoria dos reservatórios também pode contribuir para enfrentar o déficit de gás. O combustível é necessário para operações de produção e processamento de petróleo e para o abastecimento doméstico. A PDVSA informou que a escassez chega a cerca de 500 milhões de pés cúbicos por dia.
Em abril, o governo venezuelano e a PDVSA assinaram memorandos preliminares com a Hunt Oil Company International, também citada como Hunt Overseas Oil, e com a Crossover Energy Holdings. Esses documentos abriram negociações e sinalizaram interesse em desenvolver projetos, mas não estabeleceram todos os termos operacionais definitivos.
A Reuters informou em julho que novos participantes, incluindo a Crossover e empresas ligadas à Hunt, ainda precisavam negociar os detalhes contratuais. Por isso, o contrato de partilha de produção anunciado em agosto representa um avanço: a relação saiu de um memorando preliminar e chegou a um modelo de desenvolvimento mais definido.
No caso da SLB, o memorando de entendimento de longo prazo firmado em junho funcionou como uma estrutura para a modernização do setor de petróleo e gás em escala nacional. O acordo de agosto é uma aplicação técnica mais concentrada desse compromisso.
A PDVSA projetava alcançar 1,245 milhão de barris por dia até o fim de agosto. A meta fica acima do nível de produção indicado por autoridades americanas, de aproximadamente 1,25 milhão de barris por dia, embora os números variem conforme a fonte e o período considerado.
Mais de 500 mil barris por dia, ou cerca de metade da produção venezuelana, estavam sendo enviados a refinarias dos Estados Unidos. Essas unidades foram projetadas para processar o petróleo pesado venezuelano, o que torna esse mercado especialmente adequado para a retomada dos fluxos comerciais.
A reaproximação energética entre Estados Unidos e Venezuela também ocorre em um ambiente de preços internacionais mais elevados, associado às perturbações em torno do Estreito de Ormuz durante o conflito entre Estados Unidos e Irã. Nesse cenário, uma oferta adicional de petróleo de fora do Oriente Médio se torna mais atraente para compradores e investidores.
Caracas tenta atrair operadores estrangeiros sem abrir mão do controle estatal sobre sua base de recursos. Contratos de serviços, assistência técnica e remuneração vinculada ao desempenho podem permitir que empresas privadas forneçam capital, tecnologia e capacidade operacional enquanto a PDVSA mantém a propriedade das reservas e o controle central do setor.
Há, porém, uma diferença relevante entre os dois acordos de agosto. O pacto com a Hunt foi reportado como um contrato de partilha de produção, modelo que oferece à empresa uma participação mais direta nos resultados do projeto do que um contrato de serviços puro. Já a aliança com a SLB é essencialmente voltada a serviços técnicos e tecnologia.
Assim, os anúncios combinam a capacidade de investimento e produção da Hunt Oil com a especialização técnica da SLB. Para a Venezuela, a aposta é recuperar campos e ampliar a oferta de petróleo e gás. Para as empresas americanas, a abertura cria acesso a projetos em um país que busca reativar sua indústria energética, enquanto a demanda das refinarias dos Estados Unidos e os preços internacionais reforçam o interesse comercial na aproximação.