A GM e a SAIC Motor estenderam a parceria da SAIC-GM por mais 20 anos, até 2047. O acordo mantém a estrutura de participação de 50% para cada empresa e ocorre depois de uma ampla reestruturação da operação chinesa da GM, que incluiu fechamento de fábricas, redução da linha de produtos e o fim das vendas da marca Chevrolet no mercado chinês. A operação doméstica ficará concentrada principalmente em Buick e Cadillac.
A Honda e o GAC Group, por sua vez, prorrogaram até 2038 o acordo da GAC Honda, também preservando a divisão acionária de 50% para cada lado. A Honda afirmou que a parceria precisa responder a um mercado chinês que avança rapidamente em eletrificação e tecnologias inteligentes.
Os prazos reforçam a intenção de permanecer no país por décadas. Porém, a renovação não representa uma volta ao antigo modelo, no qual a montadora estrangeira definia a maior parte do produto e a parceira chinesa contribuía sobretudo com produção, distribuição e conhecimento do mercado.
A pressão competitiva é o principal motivo da transformação. As marcas chinesas ganharam força com veículos elétricos mais acessíveis, ciclos de lançamento mais rápidos, integração de software e forte concorrência de preços.
No primeiro semestre de 2026, as entregas da GAC Honda teriam recuado 55,8% na comparação anual, para cerca de 68.300 veículos. O resultado ilustra como as antigas vantagens das montadoras tradicionais — especialmente em carros com motor a combustão e em redes de concessionárias — perderam força diante das empresas chinesas de veículos elétricos.
A reestruturação da GM também reflete uma perda de impulso diante dos concorrentes locais, e não apenas uma desaceleração cíclica do mercado. A renovação com a SAIC busca dar à empresa acesso mais profundo à produção de baixo custo, ao conhecimento tecnológico e à cadeia de fornecedores chinesa.
Para a Honda, o objetivo declarado é combinar tecnologias e recursos da montadora japonesa e do GAC Group para criar produtos capazes de acompanhar a diversidade da demanda chinesa. A transição para veículos de novas energias — categoria que inclui principalmente modelos elétricos e híbridos — está no centro do plano.
A GAC Honda já opera uma fábrica dedicada a veículos de novas energias, iniciada em 2024. Essa estrutura dá à joint venture capacidade industrial para acelerar a mudança de uma linha historicamente associada aos motores a combustão.
No caso da GM–SAIC, o novo acordo também está ligado ao desenvolvimento de veículos mais relevantes para o consumidor chinês e a uma estratégia de exportação. A montadora indicou que mais etapas de desenvolvimento serão realizadas na China, com modelos Buick desenvolvidos no país destinados a mercados externos.
A mudança mais profunda está no ponto de partida do desenvolvimento. Antes, era comum adaptar para a China um veículo criado nos Estados Unidos, no Japão ou em outro centro global. Agora, equipes chinesas, fornecedores locais, parceiros de software e dados de comportamento dos consumidores tendem a influenciar o projeto desde o início.
Na prática, isso significa ciclos de desenvolvimento mais rápidos e maior atenção a aspectos que se tornaram decisivos no mercado chinês: autonomia, preço, conectividade, atualizações de software, integração de serviços digitais e sistemas de assistência ao motorista.
A SAIC-GM também pretende usar a China como centro de exportação. O plano inclui enviar para mercados fora dos Estados Unidos produtos Chevrolet fabricados no país, além de exportar modelos Buick desenvolvidos na China.
A comunicação pública da Honda sobre a renovação foi menos específica quanto a futuros veículos para exportação. A operação chinesa, no entanto, tem experiência histórica em fabricação voltada a outros mercados e está reposicionando a GAC Honda para competir com produtos desenvolvidos de acordo com as condições locais.
Para que a estratégia funcione, não basta trocar motores a combustão por baterias. As cadeias de suprimentos, os sistemas de vendas e o pós-venda também precisam acompanhar a transformação.
O novo modelo depende de um uso mais intenso da base chinesa de componentes para veículos elétricos e inteligentes, além de ciclos mais curtos de feedback entre consumidores, equipes de produto e fábricas.
A GAC Honda já havia criado uma rede “quatro em um”, integrando vendas, serviços, peças, informações de clientes e gestão de dados. O próximo passo será adaptar essa estrutura de concessionárias a uma jornada de compra e manutenção mais digital, centrada em veículos elétricos. Os anúncios disponíveis ainda trazem poucos detalhes sobre reformas específicas na rede de varejo ou nos fornecedores; por isso, o alcance e o cronograma dessas mudanças continuam incertos.
A renovação das duas joint ventures revela uma mudança de lógica para as montadoras estrangeiras. A China já não é tratada principalmente como um grande mercado protegido para modelos estrangeiros localizados. Ela também é vista como laboratório de arquiteturas elétricas de menor custo, desenvolvimento rápido de produtos, software, assistência ao motorista, fornecedores especializados e fabricação em escala global.
Nesse cenário, GM–SAIC e Honda–GAC se parecem menos com plataformas de transferência de tecnologia em uma única direção e mais com parcerias de mão dupla. A China pode contribuir não apenas com produção e acesso ao mercado, mas também com soluções que cheguem a veículos vendidos internacionalmente.
O risco é que a mudança de estratégia ainda não tenha provado ser suficiente. Nem a GM nem a Honda demonstraram até agora que a reorganização de suas joint ventures conseguirá recuperar a competitividade perdida para as fabricantes chinesas mais fortes no segmento de veículos elétricos.
A GM e a SAIC Motor estenderam a parceria da SAIC-GM por mais 20 anos, até 2047. O acordo mantém a estrutura de participação de 50% para cada empresa e ocorre depois de uma ampla reestruturação da operação chinesa da GM, que incluiu fechamento de fábricas, redução da linha de produtos e o fim das vendas da marca Chevrolet no mercado chinês. A operação doméstica ficará concentrada principalmente em Buick e Cadillac.
A Honda e o GAC Group, por sua vez, prorrogaram até 2038 o acordo da GAC Honda, também preservando a divisão acionária de 50% para cada lado. A Honda afirmou que a parceria precisa responder a um mercado chinês que avança rapidamente em eletrificação e tecnologias inteligentes.
Os prazos reforçam a intenção de permanecer no país por décadas. Porém, a renovação não representa uma volta ao antigo modelo, no qual a montadora estrangeira definia a maior parte do produto e a parceira chinesa contribuía sobretudo com produção, distribuição e conhecimento do mercado.
A pressão competitiva é o principal motivo da transformação. As marcas chinesas ganharam força com veículos elétricos mais acessíveis, ciclos de lançamento mais rápidos, integração de software e forte concorrência de preços.
No primeiro semestre de 2026, as entregas da GAC Honda teriam recuado 55,8% na comparação anual, para cerca de 68.300 veículos. O resultado ilustra como as antigas vantagens das montadoras tradicionais — especialmente em carros com motor a combustão e em redes de concessionárias — perderam força diante das empresas chinesas de veículos elétricos.
A reestruturação da GM também reflete uma perda de impulso diante dos concorrentes locais, e não apenas uma desaceleração cíclica do mercado. A renovação com a SAIC busca dar à empresa acesso mais profundo à produção de baixo custo, ao conhecimento tecnológico e à cadeia de fornecedores chinesa.
Para a Honda, o objetivo declarado é combinar tecnologias e recursos da montadora japonesa e do GAC Group para criar produtos capazes de acompanhar a diversidade da demanda chinesa. A transição para veículos de novas energias — categoria que inclui principalmente modelos elétricos e híbridos — está no centro do plano.
A GAC Honda já opera uma fábrica dedicada a veículos de novas energias, iniciada em 2024. Essa estrutura dá à joint venture capacidade industrial para acelerar a mudança de uma linha historicamente associada aos motores a combustão.
No caso da GM–SAIC, o novo acordo também está ligado ao desenvolvimento de veículos mais relevantes para o consumidor chinês e a uma estratégia de exportação. A montadora indicou que mais etapas de desenvolvimento serão realizadas na China, com modelos Buick desenvolvidos no país destinados a mercados externos.
A mudança mais profunda está no ponto de partida do desenvolvimento. Antes, era comum adaptar para a China um veículo criado nos Estados Unidos, no Japão ou em outro centro global. Agora, equipes chinesas, fornecedores locais, parceiros de software e dados de comportamento dos consumidores tendem a influenciar o projeto desde o início.
Na prática, isso significa ciclos de desenvolvimento mais rápidos e maior atenção a aspectos que se tornaram decisivos no mercado chinês: autonomia, preço, conectividade, atualizações de software, integração de serviços digitais e sistemas de assistência ao motorista.
A SAIC-GM também pretende usar a China como centro de exportação. O plano inclui enviar para mercados fora dos Estados Unidos produtos Chevrolet fabricados no país, além de exportar modelos Buick desenvolvidos na China.
A comunicação pública da Honda sobre a renovação foi menos específica quanto a futuros veículos para exportação. A operação chinesa, no entanto, tem experiência histórica em fabricação voltada a outros mercados e está reposicionando a GAC Honda para competir com produtos desenvolvidos de acordo com as condições locais.
Para que a estratégia funcione, não basta trocar motores a combustão por baterias. As cadeias de suprimentos, os sistemas de vendas e o pós-venda também precisam acompanhar a transformação.
O novo modelo depende de um uso mais intenso da base chinesa de componentes para veículos elétricos e inteligentes, além de ciclos mais curtos de feedback entre consumidores, equipes de produto e fábricas.
A GAC Honda já havia criado uma rede “quatro em um”, integrando vendas, serviços, peças, informações de clientes e gestão de dados. O próximo passo será adaptar essa estrutura de concessionárias a uma jornada de compra e manutenção mais digital, centrada em veículos elétricos. Os anúncios disponíveis ainda trazem poucos detalhes sobre reformas específicas na rede de varejo ou nos fornecedores; por isso, o alcance e o cronograma dessas mudanças continuam incertos.
A renovação das duas joint ventures revela uma mudança de lógica para as montadoras estrangeiras. A China já não é tratada principalmente como um grande mercado protegido para modelos estrangeiros localizados. Ela também é vista como laboratório de arquiteturas elétricas de menor custo, desenvolvimento rápido de produtos, software, assistência ao motorista, fornecedores especializados e fabricação em escala global.
Nesse cenário, GM–SAIC e Honda–GAC se parecem menos com plataformas de transferência de tecnologia em uma única direção e mais com parcerias de mão dupla. A China pode contribuir não apenas com produção e acesso ao mercado, mas também com soluções que cheguem a veículos vendidos internacionalmente.
O risco é que a mudança de estratégia ainda não tenha provado ser suficiente. Nem a GM nem a Honda demonstraram até agora que a reorganização de suas joint ventures conseguirá recuperar a competitividade perdida para as fabricantes chinesas mais fortes no segmento de veículos elétricos.