A avaliação do banco vai além da imagem da Momenta como uma empresa chinesa de robotáxis. Em sua análise, a companhia é descrita como a principal fornecedora independente de soluções de direção autônoma do mundo — especialmente no segmento de condução urbana.
A lógica é que a Momenta pode capturar valor de duas formas: vendendo sistemas de assistência e automação para veículos produzidos em grande escala e, paralelamente, desenvolvendo serviços de robotáxi. Essa combinação reduz a dependência de um único modelo de negócio e abre uma rota mais ampla para mercados internacionais.
A posição da Momenta é sustentada por uma forte presença na China. Com base nas vendas, entre março de 2025 e fevereiro de 2026, de veículos equipados com soluções de navegação urbana com assistência ao piloto automático, a empresa registrou participação de mercado de 64,5% entre fornecedores independentes globais de soluções de direção inteligente.
A companhia também afirma ter parcerias com 24 montadoras globais. O contexto fornecido para a análise destaca acordos com nove das dez maiores montadoras do mundo, além da participação estratégica de Mercedes-Benz, Toyota e General Motors.
Essas alianças são relevantes porque levam o software da Momenta para veículos de produção em série. Em vez de depender apenas de uma frota própria de robotáxis, a empresa pode se tornar uma fornecedora integrada à indústria automotiva — um caminho potencialmente mais escalável e próximo do modelo tradicional de fornecedores de tecnologia para montadoras.
A abertura de capital da Momenta em Hong Kong levantou cerca de HK$ 5,89 bilhões, equivalentes a aproximadamente US$ 751 milhões. As ações foram precificadas no topo da faixa anunciada, a HK$ 295,60 cada.
A empresa pretende usar parte relevante dos recursos em pesquisa e desenvolvimento, incluindo o aumento da capacidade computacional para inteligência artificial. O dinheiro também deve apoiar a evolução de seus sistemas autônomos e dos projetos de robotáxi.
O IPO fornece capital para a expansão justamente quando as relações com montadoras criam um caminho para levar a tecnologia a veículos comerciais. Ao mesmo tempo, a listagem coloca a Momenta sob maior escrutínio de investidores internacionais, que precisarão avaliar tanto o potencial de crescimento quanto os custos e os riscos de transformar testes em operações rentáveis.
A estratégia da Pony.ai é mais diretamente voltada à implantação de serviços. A empresa e a Uber anunciaram planos para implementar mais de 2 mil robotáxis de nível 4 em cinco cidades europeias. O projeto parte do serviço comercial existente em Zagreb, capital da Croácia, e prevê a expansão para outras quatro cidades, ainda não identificadas.
A parceria, iniciada em 2025, divide as funções de maneira clara: a Pony.ai fornece a tecnologia de direção autônoma e o conhecimento operacional, enquanto a Uber oferece a plataforma de mobilidade para reservas e acesso aos passageiros. A operação das frotas também dependerá de parceiros locais.
Esse modelo resolve um dos principais desafios dos robotáxis: ter uma tecnologia funcional não basta; é preciso administrar veículos, manutenção, atendimento, pagamentos, permissões e aquisição de clientes. A Uber já possui uma base de usuários e uma infraestrutura digital para conectar a oferta à demanda.
Ainda assim, o número de 2 mil veículos é uma meta anunciada, não uma frota já em circulação. As empresas não divulgaram um cronograma completo nem os nomes das quatro novas cidades. A expansão dependerá de autorizações locais, certificações de segurança e da aceitação dos passageiros.
Os movimentos de Momenta e Pony.ai sugerem que a internacionalização da direção autônoma chinesa está deixando de ser apenas uma sequência de demonstrações tecnológicas. O novo foco é construir uma capacidade industrial exportável:
A Momenta representa a rota da integração industrial e da aprovação regulatória. A Pony.ai representa a rota da distribuição e da operação em escala. As duas abordagens podem se reforçar, mas nenhuma elimina os obstáculos práticos: licenças locais, comprovação de segurança, gestão de frotas, responsabilidade em caso de acidentes e confiança do público.
Por isso, os anúncios são sinais importantes de alcance internacional, mas ainda não equivalem à consolidação de um mercado europeu de robotáxis. O próximo teste para as empresas será transformar autorizações e parcerias em serviços confiáveis, recorrentes e economicamente sustentáveis.