O córtex parietal apresentou um perfil diferente. Seus agrupamentos eram relativamente mais especializados e contribuíam de forma mais consistente para determinados tipos de informação, em vez de alternar entre funções da mesma maneira. Esse contraste entre reutilização no córtex pré-frontal e especialização no córtex parietal pode indicar uma divisão de trabalho entre as duas regiões.
Os pesquisadores também treinaram redes neurais recorrentes — modelos de inteligência artificial capazes de manter informações ao longo do tempo — para executar demandas semelhantes às da tarefa dos camundongos. Esses modelos desenvolveram uma organização modular reutilizável correspondente à observada nos animais.
O resultado sugere que essa arquitetura pode ser uma solução computacionalmente útil para lidar com tarefas complexas, e não apenas uma característica acidental dos cérebros analisados. Ainda assim, uma rede treinada em laboratório não prova que o cérebro humano funcione exatamente da mesma forma.
A descoberta apoia uma visão composicional da cognição: componentes reutilizáveis podem ser combinados e recombinados para construir muitos comportamentos a partir de um conjunto limitado de recursos neurais.
Isso também pode tornar a aprendizagem mais eficiente. Em vez de aprender cada tarefa do zero, o cérebro poderia reaproveitar operações já adquiridas e apenas mudar a combinação entre elas ou o conteúdo que carregam.
Essa flexibilidade ajudaria a explicar a capacidade de alternar rapidamente entre tarefas, regras, memórias e planos. Para a inteligência artificial, o achado oferece uma possível direção de pesquisa: criar sistemas que aprendam novas habilidades sem exigir um extenso retreinamento e sem perder o que já aprenderam.
Mas há uma ressalva importante: os registros feitos nos camundongos são correlacionais. Eles identificam padrões de atividade compatíveis com a reutilização dos agrupamentos, mas não demonstram que um agrupamento específico seja, por si só, a causa do comportamento.
Os pesquisadores planejam realizar experimentos causais, nos quais agrupamentos identificados no córtex pré-frontal serão perturbados ou manipulados em momentos específicos da tarefa. A previsão central é que a interrupção do mesmo agrupamento prejudique funções diferentes dependendo do instante da intervenção: a manutenção da memória sensorial em uma etapa e a manutenção do plano de ação em outra.
As evidências fornecidas não detalham o método exato de intervenção nem o cronograma desses experimentos.
As fontes disponíveis não estabelecem o financiamento específico deste estudo do MIT e de Princeton. Uma declaração citada sobre recursos do Escritório do Diretor de Inteligência Nacional dos Estados Unidos e dos Institutos Nacionais de Saúde se refere a um projeto separado de mapeamento das conexões cerebrais de camundongos e não deve ser atribuída a esta pesquisa.