A resposta de Mohebbi foi categórica. Ele disse que não havia conversas entre integrantes da IRGC e representantes dos Estados Unidos e acrescentou que nem mesmo o aparato diplomático iraniano estaria negociando com Washington. O porta-voz atribuiu a alegação de Trump ao que descreveu como fantasias ligadas à derrota e ao desespero americanos na guerra, além de citar o suposto descumprimento de promessas por parte de Washington.
Mohebbi também ressaltou uma distinção institucional: em sua descrição, a IRGC é uma organização militar e de segurança, não um canal diplomático. A diplomacia formal caberia às instituições estatais autorizadas. Essa posição enfraquece a ideia de que um canal não reconhecido com a Guarda Revolucionária pudesse substituir negociações conduzidas pela estrutura diplomática oficial do Irã.
Baghaei, por sua vez, rejeitou os relatos de contatos informais mediados por autoridades do Curdistão iraquiano e negou que uma reunião secreta entre Estados Unidos e Irã tivesse ocorrido em Erbil. Autoridades iranianas apresentaram essas notícias como parte de uma operação psicológica ou de uma estratégia de guerra híbrida destinada a provocar divisões políticas e transmitir a impressão de fraqueza.
A afirmação de que os relatos teriam sido produzidos especificamente para manipular os preços do petróleo ou de outras fontes de energia é uma acusação feita por autoridades iranianas, não uma conclusão verificada de forma independente.
As negativas de Teerã ocorreram enquanto o Irã também se recusava a retomar negociações diretas. O ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, afirmou que as mensagens continuavam sendo trocadas por meio de intermediários, mas que o país não voltaria ao diálogo direto enquanto Washington supostamente violasse o memorando de junho.
O memorando de 17 de junho, assinado por Trump e pelo presidente iraniano Masoud Pezeshkian, estabeleceu uma estrutura provisória envolvendo cessar-fogo, programa nuclear iraniano, alívio econômico e o Estreito de Ormuz. O texto previa um período de 60 dias para a negociação de um acordo definitivo, mas as informações disponíveis não mostram que essa estrutura tenha levado a um acordo duradouro ou a um tratado posterior concluído.
Entre as condições atribuídas ao Irã estão o fim dos ataques e das supostas violações americanas, compensações, a liberação de ativos iranianos congelados, a retirada de tropas dos Estados Unidos e restrições que afetam embarcações ligadas aos Estados Unidos e a Israel. Algumas fontes apresentam essas posições como demandas da liderança iraniana de maneira mais ampla, e não como uma plataforma completa atribuível especificamente a Mohebbi.
A negociação separada entre Irã e Omã não equivalia a negociações diretas entre Teerã e Washington. Araghchi descreveu o processo como uma discussão técnica sobre rotas marítimas e gestão do tráfego de navios no Estreito de Ormuz. Segundo ele, um entendimento com Omã poderia avançar sem reabrir automaticamente a passagem, cuja abertura total continuaria condicionada a novas concessões dos Estados Unidos.
A diferença é importante porque a questão marítima permanece ligada ao conflito mais amplo. O Irã continua afirmando que o estreito não será totalmente reaberto até que Washington cumpra suas condições. Ao mesmo tempo, relatos mencionaram que outra embarcação teria sido atingida na região.
O chefe do Judiciário iraniano, Gholam-Hossein Mohseni Ejei, pediu coesão nacional, decisões rápidas em período de guerra e resistência à pressão americana. Suas declarações se alinham à descrição feita pelas autoridades iranianas de um conflito que envolveria pressão militar, econômica, midiática e de segurança interna.
As fontes disponíveis, contudo, não sustentam atribuir a Ejei a formulação específica de que ele teria defendido obediência ao ex-líder supremo Ali Khamenei. Outras reportagens fornecidas identificam Mojtaba Khamenei como líder supremo do Irã neste cenário. Essa distinção é relevante para separar declarações verificadas de afirmações acrescentadas em resumos secundários.
A controvérsia sobre o suposto canal paralelo não prova que existisse um processo de paz funcional entre os Estados Unidos e a IRGC. O episódio mostra, em vez disso, que Washington teria explorado uma rota alternativa para chegar à liderança militar iraniana, enquanto Teerã negou publicamente a existência do canal e insistiu em concessões concretas antes de retomar a diplomacia.
Três obstáculos permanecem evidentes:
Enquanto essas divergências sobre autoridade, sequência e cumprimento não forem resolvidas, os relatos de canais secretos funcionarão mais como medida da desconfiança mútua do que como prova de impulso diplomático.