O enviado e genro do presidente Donald Trump, Jared Kushner, planeja visitar Israel e Egito na próxima semana para negociações sobre Gaza . De acordo com o Axios, esta será a primeira viagem de Kushner a Israel desde janeiro de 2026
. O objetivo é avançar a próxima fase do plano de paz de Trump, que foca no desarmamento do Hamas e numa possível retirada israelense
. Um oficial do Conselho de Paz (Board of Peace) afirmou que os EUA querem continuar "conversas construtivas" sobre o "Plano de Paz Abrangente de 20 Pontos" do presidente
. Kushner pode ser acompanhado por Nickolay Mladenov, alto-representante do Conselho para Gaza, e pelo ex-primeiro-ministro britânico Tony Blair
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Em 9 de agosto de 2026, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu rejeitou publicamente o plano de 15 pontos apoiado pela administração Trump. Em uma reunião ministerial, declarou: "Israel rejeita o documento de 15 pontos" . A NPR noticiou que Netanyahu afirmou que "as forças israelenses não se retirarão de Gaza até que o desarmamento do Hamas seja realizado por completo" . Ele enfatizou tratar-se de um "desarmamento genuíno, não fictício", abrangendo "armas pesadas, armas leves, todo tipo de armamento" . Foi uma rara ruptura pública com Trump, que semanas antes havia celebrado um "acordo histórico" entre seu Conselho de Paz e o Hamas .
A discórdia central é a sequência dos eventos. O plano de 15 pontos, proposto pelo Conselho de Paz em 30 de julho, prevê que o Hamas entregue suas armas em etapas a um novo órgão de governo, enquanto a retirada israelense ocorre paralelamente . Netanyahu insiste que qualquer retirada de Gaza é condicionada ao desarmamento "genuíno" completo do Hamas — rejeitando a abordagem faseada e simultânea . Essa divergência sobre o cronograma é o principal obstáculo para a segunda fase do cessar-fogo .
Diversos relatos indicam que a rejeição gerou tensões na relação. O New York Times descreveu o plano como "em perigo" , enquanto o Wall Street Journal destacou que Netanyahu "dispensa o plano para o Hamas desarmar e Israel se retirar simultaneamente", apesar da pressão do presidente americano . O site Politico informou que a administração Trump "pode conviver com isso — por enquanto", e que autoridades dos EUA se preocupam menos com o que Netanyahu diz e mais com as ações das Forças de Defesa de Israel no terreno . A Casa Branca aposta que a rejeição de Netanyahu pode ser uma tática de negociação, e não uma posição definitiva .
As evidências indicam que os militares de Israel "efetivamente interromperam os ataques" desde a semana da rejeição , e que uma calma relativa prevalece no terreno . No entanto, ataques esporádicos e vítimas palestinas foram registrados ao longo do período desde o cessar-fogo de outubro de 2025
. O oficial dos EUA citado pelo Politico disse que a administração ficou inicialmente "decepcionada" com o aumento de ataques israelenses após a proposta de paz, mas agora está satisfeita com a redução das hostilidades .
A rejeição ocorre enquanto Netanyahu enfrenta eleições apertadas marcadas para 27 de outubro de 2026 . A pressão política de sua coalizão de direita é um fator-chave em sua postura. Qualquer sinal de fraqueza em questões de segurança pode custar-lhe votos, enquanto aceitar um plano que exija concessões ao Hamas arrisca afastar sua base
. O site Politico observou que a rejeição de Netanyahu foi, em parte, uma resposta a "uma onda de rumores sobre fraqueza israelense e retiradas israelenses em todas as frentes" .
Em 12 de agosto de 2026, o diretor do Serviço de Inteligência Geral do Egito, major-general Hassan Rashad, e o diretor da Organização Nacional de Inteligência da Turquia (MIT), İbrahim Kalın, reuniram-se no Cairo com líderes do Hamas, incluindo Khaled Mashal, Khalil al-Hayya e Mohammed Hassan . O encontro fez parte de mediações paralelas para avançar o cessar-fogo e o processo de paz em Gaza
. Egito e Turquia coordenam-se como intermediários, e uma segunda rodada de conversas com todas as facções palestinas também foi convocada no Cairo com mediadores do Egito, Catar e Turquia
. Segundo a Al-Qahera News, as discussões focam na implementação da segunda fase do Acordo de Paz de Sharm El-Sheikh, assinado em 10 de outubro de 2025
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O cenário diplomático é de impasse de alto risco. O Hamas aceitou o plano faseado apoiado pelos EUA; Netanyahu o rejeitou publicamente às vésperas de uma eleição apertada; Kushner viaja à região para defender a proposta; e Egito e Turquia atuam para manter o diálogo vivo. A questão central não resolvida é se Israel aceitará um processo simultâneo e faseado ou insistirá no desarmamento total do Hamas antes de qualquer retirada. A próxima semana de diplomacia será crucial, com a delegação do Conselho de Paz prevista para manter conversas em Jerusalém e no Cairo .