O ciclo de seis dias de negociação terminou com um comunicado conjunto assinado pelo chefe da delegação do governo, Jorge Rodríguez, e pela líder da oposição, Dinorah Figuera, que representa a extinta Assembleia Nacional de 2015 . O acordo cobriu duas frentes principais:
1. Uma reivindicação conjunta por US$ 4 bilhões em ouro congelado. Ambas as partes concordaram em trabalhar juntas para recuperar os ativos de reserva internacional da Venezuela mantidos no Banco da Inglaterra — cerca de 31 toneladas métricas de barras de ouro . Os recursos seriam direcionados para a reconstrução após os terremotos de junho, bem como para a recuperação do impacto das sanções dos EUA . Esta foi uma mostra notável de unidade em relação a um ativo que o Reino Unido mantinha congelado desde 2018, alegando não reconhecimento do governo do ex-presidente Nicolás Maduro .
2. O compromisso de renovar a Suprema Corte do zero. O acordo incluiu um compromisso específico de "renovar completamente" o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) — efetivamente substituindo todos os seus juízes e reiniciando o processo de nomeação judicial . Esta era uma exigência central da oposição, visando despolitar um judiciário há muito visto como alinhado ao governo socialista .
As negociações não ocorreram no vácuo. Em 24 de junho de 2026, dois grandes terremotos atingiram o noroeste e o centro da Venezuela com 30 segundos de diferença — um tremor preliminar de magnitude 7,2 seguido por um tremor principal de magnitude 7,5 . Os terremotos mataram mais de 6.300 pessoas, feriram dezenas de milhares, derrubaram quase 200 edifícios e desabrigaram cerca de 24.000 pessoas . As áreas mais atingidas foram o estado costeiro de La Guaira — onde 80% dos edifícios desabaram — e a capital, Caracas .
Antes dos terremotos, a Venezuela já estava em meio a uma grave crise econômica e política. A inflação mensal disparou para 20% em julho de 2026 . Quase 7,9 milhões de pessoas já precisavam de ajuda humanitária antes do desastre . A ONU estimou que os terremotos causaram danos equivalentes a 6% do PIB .
O desastre tornou a recuperação impossível sem recursos externos — e o recurso mais óbvio era o próprio ouro do país, congelado em Londres.
A Venezuela depositou 31 toneladas métricas de ouro no Banco da Inglaterra em 2008 . Depois que o Reino Unido reconheceu o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino em 2019 e se recusou a reconhecer o governo de Maduro, o Banco da Inglaterra congelou o ativo . Uma decisão da Suprema Corte do Reino Unido em 2021 vinculou o acesso ao ouro ao reconhecimento formal do governo que fizesse a solicitação .
Mesmo após a captura de Maduro por forças dos EUA em janeiro de 2026 e o estabelecimento de um governo interino sob a presidenta interina Delcy Rodríguez, o Reino Unido continuou a reter o ouro . Em julho de 2026, Rodríguez escreveu diretamente ao Rei Charles III solicitando sua liberação para ajuda aos terremotos, mas o banco não cumpriu imediatamente .
Os Estados Unidos apoiaram ativamente e ajudaram a convocar as negociações, dando a elas um nível de credibilidade internacional que faltava em esforços anteriores de diálogo liderados pela Venezuela . O papel dos EUA sinalizou um possível alívio de sanções ou normalização diplomática se o processo continuasse. As negociações foram o primeiro encontro presencial entre os dois lados desde a detenção de Maduro em janeiro .
Este acordo é significativo porque quebrou um padrão de uma década de diálogos fracassados. Tentativas de negociação anteriores — desde as negociações de 2017 na República Dominicana até o processo liderado pela Noruega em 2019 e o diálogo na Cidade do México em 2021 — todas fracassaram sem acordos assinados. Desta vez, ambos os lados colocaram seus nomes no papel .
Mas o acordo continua frágil e incompleto. O Reino Unido ainda não liberou o ouro, o mecanismo completo de renovação do TSJ ainda não foi implementado, e a delegação da oposição que participou não representa todo o espectro opositor — notadamente, a ala linha-dura associada a Juan Guaidó estava ausente . As próprias negociações são apenas um primeiro ciclo; uma decisão sobre a continuação foi agendada para após 12 de agosto .
Os próximos passos são incertos. O acordo estabelece uma estrutura para potenciais eleições e transição política, mas nenhuma data específica para eleições foi definida . De acordo com o cronograma proposto, um novo Conselho Nacional Eleitoral e uma nova Suprema Corte seriam formados até o final de 2026 . Mas todo o processo depende de ambos os lados cumprirem o acordo — e de o Reino Unido e a comunidade internacional responderem descongelando ativos e oferecendo alívio de sanções.
Por enquanto, a rodada de agosto de 2026 representa um momento raro de cooperação formal entre rivais amargos, impulsionada por uma catástrofe tão severa que sobrepujou temporariamente anos de desconfiança mútua. Se essa cooperação se manterá determinará se a Venezuela pode acessar os bilhões de que precisa para se reconstruir.
O ciclo de seis dias de negociação terminou com um comunicado conjunto assinado pelo chefe da delegação do governo, Jorge Rodríguez, e pela líder da oposição, Dinorah Figuera, que representa a extinta Assembleia Nacional de 2015 . O acordo cobriu duas frentes principais:
1. Uma reivindicação conjunta por US$ 4 bilhões em ouro congelado. Ambas as partes concordaram em trabalhar juntas para recuperar os ativos de reserva internacional da Venezuela mantidos no Banco da Inglaterra — cerca de 31 toneladas métricas de barras de ouro . Os recursos seriam direcionados para a reconstrução após os terremotos de junho, bem como para a recuperação do impacto das sanções dos EUA . Esta foi uma mostra notável de unidade em relação a um ativo que o Reino Unido mantinha congelado desde 2018, alegando não reconhecimento do governo do ex-presidente Nicolás Maduro .
2. O compromisso de renovar a Suprema Corte do zero. O acordo incluiu um compromisso específico de "renovar completamente" o Tribunal Supremo de Justiça (TSJ) — efetivamente substituindo todos os seus juízes e reiniciando o processo de nomeação judicial . Esta era uma exigência central da oposição, visando despolitar um judiciário há muito visto como alinhado ao governo socialista .
As negociações não ocorreram no vácuo. Em 24 de junho de 2026, dois grandes terremotos atingiram o noroeste e o centro da Venezuela com 30 segundos de diferença — um tremor preliminar de magnitude 7,2 seguido por um tremor principal de magnitude 7,5 . Os terremotos mataram mais de 6.300 pessoas, feriram dezenas de milhares, derrubaram quase 200 edifícios e desabrigaram cerca de 24.000 pessoas . As áreas mais atingidas foram o estado costeiro de La Guaira — onde 80% dos edifícios desabaram — e a capital, Caracas .
Antes dos terremotos, a Venezuela já estava em meio a uma grave crise econômica e política. A inflação mensal disparou para 20% em julho de 2026 . Quase 7,9 milhões de pessoas já precisavam de ajuda humanitária antes do desastre . A ONU estimou que os terremotos causaram danos equivalentes a 6% do PIB .
O desastre tornou a recuperação impossível sem recursos externos — e o recurso mais óbvio era o próprio ouro do país, congelado em Londres.
A Venezuela depositou 31 toneladas métricas de ouro no Banco da Inglaterra em 2008 . Depois que o Reino Unido reconheceu o líder da oposição Juan Guaidó como presidente interino em 2019 e se recusou a reconhecer o governo de Maduro, o Banco da Inglaterra congelou o ativo . Uma decisão da Suprema Corte do Reino Unido em 2021 vinculou o acesso ao ouro ao reconhecimento formal do governo que fizesse a solicitação .
Mesmo após a captura de Maduro por forças dos EUA em janeiro de 2026 e o estabelecimento de um governo interino sob a presidenta interina Delcy Rodríguez, o Reino Unido continuou a reter o ouro . Em julho de 2026, Rodríguez escreveu diretamente ao Rei Charles III solicitando sua liberação para ajuda aos terremotos, mas o banco não cumpriu imediatamente .
Os Estados Unidos apoiaram ativamente e ajudaram a convocar as negociações, dando a elas um nível de credibilidade internacional que faltava em esforços anteriores de diálogo liderados pela Venezuela . O papel dos EUA sinalizou um possível alívio de sanções ou normalização diplomática se o processo continuasse. As negociações foram o primeiro encontro presencial entre os dois lados desde a detenção de Maduro em janeiro .
Este acordo é significativo porque quebrou um padrão de uma década de diálogos fracassados. Tentativas de negociação anteriores — desde as negociações de 2017 na República Dominicana até o processo liderado pela Noruega em 2019 e o diálogo na Cidade do México em 2021 — todas fracassaram sem acordos assinados. Desta vez, ambos os lados colocaram seus nomes no papel .
Mas o acordo continua frágil e incompleto. O Reino Unido ainda não liberou o ouro, o mecanismo completo de renovação do TSJ ainda não foi implementado, e a delegação da oposição que participou não representa todo o espectro opositor — notadamente, a ala linha-dura associada a Juan Guaidó estava ausente . As próprias negociações são apenas um primeiro ciclo; uma decisão sobre a continuação foi agendada para após 12 de agosto .
Os próximos passos são incertos. O acordo estabelece uma estrutura para potenciais eleições e transição política, mas nenhuma data específica para eleições foi definida . De acordo com o cronograma proposto, um novo Conselho Nacional Eleitoral e uma nova Suprema Corte seriam formados até o final de 2026 . Mas todo o processo depende de ambos os lados cumprirem o acordo — e de o Reino Unido e a comunidade internacional responderem descongelando ativos e oferecendo alívio de sanções.
Por enquanto, a rodada de agosto de 2026 representa um momento raro de cooperação formal entre rivais amargos, impulsionada por uma catástrofe tão severa que sobrepujou temporariamente anos de desconfiança mútua. Se essa cooperação se manterá determinará se a Venezuela pode acessar os bilhões de que precisa para se reconstruir.