A crise tem origem direta na campanha militar dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciada no final de fevereiro de 2026. As forças iranianas fecharam efetivamente o Estreito de Ormuz, interrompendo o trânsito de cerca de 20 milhões de barris de petróleo por dia e aproximadamente 20 a 25% do GNL mundial . Isso retirou um volume crítico de GNL do mercado global, apertou a oferta em todos os lugares e elevou os preços spot
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A Europa recebe cerca de 12% a 14% de seu GNL do Catar, que transita pelo Estreito . Esse fornecimento foi cortado.
Mesmo com os preços spot do gás elevados, a reposição dos estoques estagnou. A razão é um fenômeno chamado backwardation na curva futura do TTF (Title Transfer Facility, o hub de gás holandês que serve como referência para a Europa).
Durante grande parte de 2026, os preços do gás para entrega imediata (verão) têm sido negociados com um prêmio em relação aos preços para entrega no inverno — o oposto do padrão normal . Normalmente, os preços de inverno precisam exceder os de verão o suficiente para cobrir os custos de injeção e armazenamento, a fim de incentivar a estocagem. Com o spread sazonal médio em menos €1,2/MWh desde o início de maio, e os futuros de dezembro sendo negociados abaixo dos preços de entrega imediata, o incentivo comercial para injetar gás nos estoques foi praticamente destruído
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Esta é uma ruptura estrutural com os padrões sazonais normais e uma das principais razões pelas quais a reposição dos estoques estagnou, apesar dos altos preços spot .
Os EUA se tornaram o principal fornecedor marginal de GNL para a Europa desde a perda do gás russo por gasoduto. No entanto, o fechamento de Ormuz tornou o GNL global extremamente escasso, e os carregamentos americanos estão sendo direcionados para quem paga mais alto — geralmente a Ásia, onde a concorrência por cargas spot se intensificou . Mesmo com a capacidade de exportação dos EUA operando no limite, o volume disponível para injeção nos estoques europeus é limitado porque o mercado global está subabastecido devido à perda do GNL que transitava por Ormuz
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A Agência Europeia para a Cooperação dos Reguladores de Energia (ACER) alertou que o bloco precisará de "importações de GNL significativamente maiores" do que as que estão se materializando atualmente .
O parque nuclear francês, o maior da Europa, tem enfrentado problemas contínuos de manutenção e produção nos últimos anos, reduzindo a geração de baixo carbono de base e aumentando a dependência da geração termelétrica a gás — adicionando pressão de demanda ao sistema de gás durante a temporada de injeção. Os baixos níveis do rio Reno têm historicamente interrompido as entregas de carvão e óleo de aquecimento por barcaças durante os verões europeus secos, forçando mais geração a gás e elevando a demanda no exato momento em que a injeção de armazenamento é mais necessária, embora os principais relatórios de 2026 não tenham destacado isso como um fator principal.
O gás russo residual via Ucrânia e TurkStream continuou, mas em volumes reduzidos e politicamente incertos. A guerra no Irã apertou os mercados o suficiente para que mesmo esses fluxos marginais importem mais do que importariam em um mercado equilibrado .
A Wood Mackenzie projeta que os estoques podem encerrar a temporada de injeção abaixo de 70% da capacidade ; a Rapidan estima apenas cerca de 65% até novembro
. A meta de 90% da própria UE está virtualmente fora de alcance, e mesmo a meta reduzida de 80% exigiria um ritmo de injeção materialmente mais rápido do que as condições atuais do mercado suportam
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O resultado provável não é uma escassez física imediata, mas preços de inverno muito mais altos e um risco aumentado de picos de preço se uma onda de frio atingir o continente . Os preços europeus do gás já estavam mais de 50% acima de suas mínimas de junho no final de julho de 2026
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