O Estreito de Ormuz, pelo qual passam cerca de 20% de todo o petróleo e derivados do mundo, está praticamente paralisado . Antes do conflito, cerca de 140 navios por dia cruzavam o estreito. Hoje, são apenas 5 a 10, segundo a equipe de commodities do Bank of America . O seguro marítimo tornou-se inacessível ou proibitivamente caro, e os marinheiros se recusam a fazer a travessia
. Isso cortou a principal artéria do Golfo Pérsico para o mercado global.
As grandes refinarias da Arábia Saudita, Bahrein, Kuwait e Emirados Árabes Unidos estão parcial ou totalmente paralisadas — danificadas por ataques, impossibilitadas de operar pela paralisação de Ormuz ou simplesmente incapazes de reiniciar as operações . A combinação das guerras no Irã e na Ucrânia já desativou cerca de 9% da capacidade global de refino — 20 refinarias do Oriente Médio foram atingidas ou fechadas preventivamente
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Ataques ucranianos com drones atingiram repetidamente refinarias russas. Em resposta, a própria Rússia baniu as exportações de diesel, retirando um dos maiores fornecedores globais do mercado . A Bloomberg descreve uma "onda de ataques ucranianos a refinarias russas" que "restringiu severamente" a produção
. Somente as refinarias russas representavam cerca de 10% do diesel marítimo global.
A China reduziu a operação de suas refinarias e Beijing restringiu as exportações de combustível, removendo o que poderia ser um fornecedor de última hora capaz de aliviar a escassez . A produção chinesa de diesel caiu, e o país — que antes era um grande exportador para a Ásia e outros mercados — agora prioriza o abastecimento interno.
Em 12 de agosto de 2026, a AIE afirmou que a oferta global de petróleo havia caído "bem abaixo da demanda" e reduziu drasticamente sua projeção de oferta para 2026, citando justamente o fechamento de Ormuz, o bloqueio americano às exportações iranianas, ataques no Estreito de Bab el-Mandeb (no Iêmen) e a redução das exportações de petróleo do Cazaquistão . A agência destacou que a oferta global estava 6,3 milhões de barris por dia abaixo dos níveis do ano anterior. O Fundo Monetário Internacional (FMI) classificou os estoques globais de petróleo como "perigosamente baixos" .
As refinarias americanas estão operando com alta capacidade e obtendo lucros recordes, mas os estoques de diesel nos EUA estão próximos das mínimas de vários anos. Em agosto, o diesel no varejo americano chegou a US$ 5,35 por galão — US$ 1,55 a mais do que no ano anterior . O problema é estrutural: as refinarias dos EUA têm configuração diferente das do Golfo Pérsico e da Rússia, que produziam uma parcela crítica do diesel global de alto teor de enxofre e de baixo teor. Além disso, já estão operando no limite da capacidade
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Goldman Sachs (Samantha Dart): Projeta que as margens dos derivados de petróleo permaneçam 2 a 3 vezes mais altas pelo restante de 2026 em comparação com a média de 2013-2019. A Goldman alerta que três crises simultâneas em pontos de estrangulamento do abastecimento podem empurrar o barril de Brent para US$ 120 no quarto trimestre, se Ormuz não reabrir . O banco recomendou posição comprada (long) em diesel europeu para dezembro de 2026 e vendida (short) para março de 2027, apostando na continuidade da escassez no inverno .
Jefferies: Classificou o choque de Ormuz como "se manifestando nos cracks, não no petróleo bruto" — ou seja, o verdadeiro sinal de preço está no crack spread do diesel, e não no preço do barril de petróleo. O banco alertou que, se o estreito não reabrir logo, o aperto sobre os derivados, especialmente o diesel, continuará severo .
Bank of America (Francisco Blanch): Alertou que o mercado de diesel "aparenta estar preparado para continuar apertado", destacando que a normalização dos fluxos exigiria cerca de 10 vezes o tráfego atual no Estreito de Ormuz. Com apenas 5 a 10 navios por dia contra 140 antes da guerra, a normalização está a meses de distância, na melhor das hipóteses .
Citi: Anthony Yuen, diretor-geral e chefe de estratégia de energia do Citi Research, advertiu seus clientes de que os estoques de diesel permanecem apertados e que a retirada dos estoques está se acelerando .
Diferentemente de crises anteriores de petróleo, o mundo não está necessariamente sem petróleo bruto. O problema é que as refinarias que transformam esse petróleo em diesel estão desativadas ou operando com capacidade reduzida. As regiões que, juntas, respondiam por cerca de um terço das exportações globais de diesel no ano passado — o Golfo Pérsico, a Rússia e a China — estão em grande parte fora do mercado .
O crack spread do diesel disparou porque o diesel é um combustível crítico para a economia — ele move a agricultura, o transporte de cargas, a mineração e a indústria pesada. Sem diesel, colheitas não são feitas, mercadorias não chegam às prateleiras e aquecedores no inverno podem ficar sem combustível.
A conclusão é direta: o mundo vive uma crise de capacidade de refino, não de oferta de petróleo bruto. Todos os grandes bancos de Wall Street veem a escassez de diesel durando pelo menos até o final de 2026, com a demanda de inverno ameaçando tornar a situação ainda pior.