No pico da crise, o Goldman estimou que 14,5 mb/d da produção de petróleo do Oriente Médio haviam sido efetivamente perdidos para o mercado global, com os fluxos do Golfo Pérsico caindo de 80% do normal para apenas 40% . Em um momento de abril, o fluxo no Estreito de Ormuz era de apenas 10% dos níveis típicos
. A magnitude da perda de oferta era maior do que qualquer produtor isolado poderia repor.
O aperto físico se refletiu na estrutura do mercado. O Goldman avaliou o valor justo do Brent à vista em cerca de US$ 80 o barril no início de agosto, sugerindo que os mercados embutiam apenas um prêmio de risco geopolítico modesto . Mas a escassez de curto prazo apareceu no chamado "backwardation" — os barris para entrega imediata eram negociados com um grande prêmio em relação aos contratos futuros. Em um determinado momento, o preço do Brent à vista (Dated Brent) subiu para um prêmio de mais de US$ 25 por barril em comparação com o contrato futuro de Brent para o mês seguinte, um sinal de escassez física extrema .
Enquanto a oferta despencava, a demanda global por petróleo também sofreu um golpe inesperadamente grande. O Goldman estimou uma destruição de demanda de 4 a 5 mb/d em abril de 2026, impulsionada pelos preços altos e pela desaceleração econômica, especialmente na China e na Europa Ocidental . A queda na demanda no segundo trimestre foi estimada em 1,7 mb/d
. Essa erosão foi grande o suficiente para criar "riscos de duas vias" para as próprias projeções de preço do Goldman — o choque de oferta empurrava os preços para cima, mas a destruição de demanda os puxava para baixo
.
O cenário base do Goldman no início de agosto era de Brent entre US$ 80 e US$ 90 até que houvesse clareza sobre um novo acordo nuclear EUA-Irã ou uma escalada significativa do conflito . Mas os analistas do banco alertaram para vários cenários mais alarmantes. A analista Samantha Dart advertiu que se três crises simultâneas nos gargalos — Estreito de Ormuz, Mar Vermelho e Mar Negro — persistissem, o Brent poderia chegar a US$ 120 no quarto trimestre de 2026
. O cenário otimista do banco previa o petróleo bruto ultrapassando US$ 120 no curto prazo e uma média de US$ 100 em 2027
. Um cessar-fogo e um acordo preliminar para reabrir Ormuz em junho de 2026 reduziram brevemente a previsão do Brent para o quarto trimestre para US$ 80, mas a situação permaneceu frágil
.
A China aumentou significativamente as compras de petróleo em janeiro e fevereiro de 2026, antes do conflito. As importações subiram 15,8% nos dois primeiros meses do ano em comparação com o mesmo período de 2025, enquanto Pequim abastecia o que se acredita ser a maior reserva estratégica de petróleo do mundo — com mais de 1 bilhão de barris .
Quando o conflito começou, a China — maior importadora de petróleo do mundo — reduziu as compras de petróleo bruto em mais de um terço. Em junho de 2026, as importações caíram para 7,12 mb/d, uma queda de 41,3% em relação ao ano anterior e o menor volume mensal desde outubro de 2016 . Em maio, as importações caíram para o menor nível em oito anos . Essa redução drástica no poder de compra foi, por si só, um fator importante para a retirada de demanda do mercado global.
A China usou seus estoques em maio para manter as refinarias funcionando — pela primeira vez em 14 meses, as refinarias processaram mais petróleo bruto do que o disponível a partir de importações e produção doméstica combinadas . Mas a retirada foi "nem de longe tão grande" quanto o colapso das importações sugeria; a liberação implícita da reserva estratégica foi relativamente modesta em comparação com o tamanho do estoque .
No final de junho de 2026, as refinarias estatais Sinopec e PetroChina consideravam retomar as compras de petróleo bruto iraniano pela primeira vez desde 2019, embora ofertas alternativas concorrentes e a queda na demanda doméstica de combustível tenham moderado seu interesse . Em agosto, as refinarias independentes da província de Shandong se preparavam para aumentar as compras de petróleo iraniano, já que seus próprios estoques atingiam o nível mais baixo do ano .
O comportamento da China foi deflacionário para os preços globais do petróleo de uma forma, mas favorável de outra:
Deflacionário: Ao cortar as importações em mais de um terço e depender de suas imensas reservas estratégicas em vez de competir por cargas escassas no mercado à vista, a China removeu uma enorme fonte de demanda do mercado físico. Isso reduziu o preço do barril marginal e neutralizou parcialmente a pressão de alta causada pelas perdas de oferta em Ormuz.
Favorável para o futuro: Governos de todo o mundo comprarão milhões de barris até 2028 para reconstruir as reservas de emergência esgotadas durante a guerra, o que adicionará suporte estrutural à demanda . A enorme necessidade de recomposição das reservas chinesas significa que, eventualmente, a China retirará barris do mercado, sustentando um piso para os preços.
A China não compensou as pressões de preço no sentido convencional de aumentar as importações para preencher uma lacuna de oferta. Em vez disso, atuou como um absorvedor de choque de demanda — usando seus estoques pré-guerra para reduzir drasticamente as compras no mercado à vista, o que suavizou o pico de preço em relação ao que teria sido se a China continuasse comprando em volumes normais. No entanto, esse amortecedor é finito, e o próximo ciclo de recomposição das reservas estratégicas está preparado para ser uma fonte sustentada de pressão altista sobre os preços por anos.