O Conselho de Segurança decidiu que a UNIFIL encerrará suas operações em 31 de dezembro de 2026 e iniciará uma retirada ordenada de um ano . Os Estados Unidos, que têm poder de veto no Conselho, saudaram a votação como uma forma de "encerrar o mandato da UNIFIL de maneira responsável, ordenada e com prazo definido"
. A resolução foi redigida pela França após um compromisso com os EUA, que inicialmente exigiam o fim da missão em seis meses, mas acabaram apoiando um mandato final de 16 meses
. O Conselho também exigiu a implementação total da Resolução 1701 (2006) e reiterou o forte apoio ao pleno respeito pela Linha Azul
.
Os EUA, com o apoio de Israel, pressionaram para encerrar a missão. Analistas afirmam que Washington adotou a posição israelense de que a UNIFIL era ineficaz e que as operações militares israelenses no Líbano deveriam prosseguir sem um órgão de monitoramento . Enquanto o governo libanês e muitos membros da comunidade internacional desejavam uma extensão, os EUA a bloquearam
. O secretário-geral António Guterres disse, desde então, que os capacetes azuis ainda serão necessários no Líbano após o fim do mandato — posição que provavelmente encontrará oposição dos EUA e de Israel
.
Uma guerra em larga escala entre Israel e Hezbollah eclodiu em 2 de março de 2026, causando deslocamentos generalizados de civis e possíveis crimes de guerra . Um cessar-fogo foi anunciado em 20 de junho de 2026
. O Escritório do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos (ACNUDH) está investigando violações do direito internacional humanitário cometidas por ambas as partes durante o conflito
. A própria UNIFIL sofreu ataques que feriram vários capacetes azuis nesse período
. De acordo com as leis da guerra, ataques deliberados contra forças de paz e suas instalações são ilegais e podem constituir crimes de guerra . O acordo-quadro Israel-Líbano, assinado em Washington em 26 de junho de 2026, também foi criticado pela Human Rights Watch e outras organizações por efetivamente consentir com o deslocamento prolongado e indefinido de dezenas de milhares de moradores do sul do Líbano
.
Em 13 de agosto de 2026, a Human Rights Watch fez um apelo urgente ao Conselho de Segurança para que garantisse a presença de uma força internacional no sul do Líbano para proteger civis e coibir abusos tanto do exército israelense quanto do Hezbollah . A HRW argumenta que a UNIFIL é um elemento dissuasor crucial e alerta que "desligar a UNIFIL sem uma alternativa internacional robusta deixará os civis em risco grave"
. A organização pediu o adiamento da saída da UNIFIL e a extensão de seu mandato para além de 31 de dezembro de 2026, até que a situação de segurança melhore o suficiente para se considerar uma redução da força
. Louis Charbonneau, diretor da HRW para a ONU, advertiu que encerrar a UNIFIL sem uma força internacional robusta "equivaleria a abandonar milhões de civis libaneses a um destino incerto e potencialmente desastroso"
.
Várias propostas surgiram para preencher o vácuo de segurança que a saída da UNIFIL criará:
Alemanha propôs uma força de estabilização da UE: Em julho de 2026, o ministro das Relações Exteriores alemão, Johann Wadephul, propôs uma força liderada pela UE para evitar um vácuo de segurança, com potencial para mobilizar milhares de soldados em operações conjuntas com as Forças Armadas Libanesas . A proposta foi repetida por autoridades alemãs, que argumentam que a força é necessária para permitir a retirada do exército israelense do sul do Líbano e, ao mesmo tempo, impedir o retorno do Hezbollah . França, Itália e o Serviço Europeu de Ação Externa lideram os trabalhos na proposta .
O presidente libanês Joseph Aoun apoiou uma substituição liderada pela UE: O presidente Aoun propôs uma força europeia para substituir a UNIFIL caso a missão não possa permanecer, afirmando que, se a manutenção da UNIFIL se mostrar impossível, "uma força alternativa poderia ser estabelecida para substituí-la" .
As três opções do secretário-geral da ONU: Guterres submeteu três cenários ao Conselho de Segurança em junho de 2026 — presença leve, média ou mais substancial — com números de tropas variando de aproximadamente 1.980 a 5.525 militares uniformizados . A primeira opção estabeleceria uma presença de observadores militares desarmados de 350 pessoas, apoiada por quatro batalhões de infantaria totalizando 3.000 soldados armados e uma força de reserva de 700 membros, enquanto a opção mais robusta incluiria capacidades mais amplas de monitoramento e desescalada . Outra proposta envolve a Organização de Supervisão da Trégua da ONU (UNTSO) assumindo algumas funções, embora a UNTSO seja uma força muito menor
.
Ainda não há consenso no Conselho de Segurança: Em meados de julho de 2026, o Conselho não havia iniciado discussões substantivas sobre um substituto, com diplomatas aguardando os resultados das negociações entre Israel e Líbano mediadas pelos EUA . O Conselho de Segurança ainda não tomou uma decisão e pode optar por um curso de ação diferente das três alternativas propostas .