O euro digital pode ser lançado até 2029, após um piloto de 12 meses com início no segundo semestre de 2027, e 36 provedores de serviços de pagamento já foram selecionados para os testes. A iniciativa é motivada pela dependência estrutural: Visa e Mastercard processam cerca de 61% de todos os pagamentos com cartão n...
Resposta de pesquisa

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Por décadas, a maioria dos pagamentos com cartão na Europa passou por duas empresas americanas: Visa e Mastercard. Somente em 2023, elas processaram cerca de €4,7 trilhões em volume de pagamentos no bloco . Hoje, elas lidam com aproximadamente 61% de todos os pagamentos com cartão na zona do euro e praticamente todas as transações transfronteiriças .
Líderes da UE não veem mais isso apenas como uma questão de custo ou concorrência. Eles enxergam como uma ameaça à soberania financeira — um risco de que a infraestrutura da qual os europeus dependem para pagamentos diários possa ser usada como arma geopolítica .
Em resposta, a Europa está seguindo uma estratégia dupla: uma moeda digital de banco central (CBDC) pública — o euro digital — e iniciativas do setor privado, como a carteira Wero e a aliança EuroPA. Juntas, elas visam construir um ecossistema de pagamentos de propriedade europeia que possa competir com as redes americanas e, eventualmente, substituir a dependência delas.
O euro digital é uma forma eletrônica de dinheiro emitida e garantida pelo Banco Central Europeu (BCE). Foi projetado para complementar o dinheiro físico e os serviços bancários existentes, não para substituí-los .
Enquanto o euro digital ainda está em desenvolvimento, alternativas do setor privado já estão em operação e crescendo rapidamente.
Wero é a carteira digital voltada ao consumidor construída pela Iniciativa Europeia de Pagamentos (EPI), um consórcio de 16 bancos europeus fundadores e provedores de serviços de pagamento . Ela opera sobre a infraestrutura de Transferência a Crédito Instantânea SEPA — uma infraestrutura bancária da UE totalmente independente das redes de cartão americanas
.
Principais marcos da Wero:
No dia 2 de fevereiro de 2026, a EPI assinou um Memorando de Entendimento com a Aliança EuroPA, um consórcio que conecta o Bizum (Espanha), o Bancomat (Itália), o SIBS (Portugal) e o sistema nórdico Vipps MobilePay .
Iniciativas privadas como Wero e EuroPA não competem com o euro digital — são peças complementares de uma estratégia maior :
A UE trata isso como uma questão de soberania financeira por várias razões interligadas:
Visa e Mastercard processam aproximadamente 61% de todos os pagamentos com cartão na zona do euro e quase todas as transações transfronteiriças com cartão . Os sistemas de pagamento de varejo europeus são estruturalmente dependentes de redes de cartão e provedores de TIC/nuvem sediados nos EUA
. Um estudo do Parlamento Europeu de 2025 concluiu que essa dependência contínua "representa uma vulnerabilidade estrutural tanto para os bancos europeus quanto para a soberania financeira da União"
. O estudo avalia que um euro digital, se amplamente adotado, poderia reduzir a dependência de redes de pagamento estrangeiras no longo prazo
.
Líderes da UE agora veem essa dependência como um risco que a Europa não pode mais ignorar, dada a possibilidade de a infraestrutura de pagamento controlada pelos EUA ser transformada em uma arma geopolítica em meio ao esfacelamento das relações transatlânticas . O membro da diretoria do BCE, Piero Cipollone, alertou: "Se perdermos o controle do nosso dinheiro, perderemos o controle do nosso destino econômico"
. A presidente do BCE, Christine Lagarde, também afirmou que a Europa precisa de seu próprio sistema de pagamento digital "urgentemente", alertando que praticamente todos os pagamentos europeus com cartão e dispositivos móveis atualmente fluem por infraestrutura não europeia
.
A busca pela soberania de pagamentos faz parte de uma estratégia mais ampla da UE para autonomia econômica e financeira . Como a Reuters descreveu, o euro digital é "essencialmente uma versão eletrônica do dinheiro que visa tornar a zona do euro menos dependente de cartões de crédito americanos"
. Um relatório de junho de 2026 observou que o momento é impulsionado pelo "esfacelamento das relações transatlânticas" . A Comissão de Assuntos Econômicos e Monetários do Parlamento Europeu aprovou o euro digital em junho de 2026 especificamente "enquanto a UE busca reduzir sua dependência de sistemas de pagamento controlados pelos EUA" .
A ambição é clara: até a década de 2030, consumidores e empresas europeus devem ser capazes de fazer pagamentos instantâneos e de baixo custo inteiramente dentro de uma infraestrutura de propriedade da UE — seja por meio de uma carteira privada como a Wero ou pelo euro digital público. Os dois sistemas são projetados para funcionar juntos, com a EPI já planejando integrar o euro digital quando ele for lançado . Como uma análise resumiu, o acordo EuroPA de fevereiro de 2026 "pela primeira vez dá à Europa uma alternativa doméstica crível à Visa e Mastercard em escala"
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O euro digital pode ser lançado até 2029, após um piloto de 12 meses com início no segundo semestre de 2027, e 36 provedores de serviços de pagamento já foram selecionados para os testes.
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