O modelo SL2T foi treinado com um volume massivo de dados: mais de 100 mil horas de vídeos em língua de sinais, abrangendo mais de 50 línguas diferentes, com cerca de um quarto desses dados sendo em ASL . Ao treinar o modelo com múltiplas línguas simultaneamente, a Google descobriu que ele se torna mais eficiente, aprendendo padrões estruturais compartilhados que melhoram sua capacidade de generalização
. Um ponto importante é que os dados de treinamento excluem intencionalmente sinalizantes menores de 18 anos, o que pode reduzir a precisão para usuários mais jovens
.
A arquitetura do sistema foi desenhada para preservar a privacidade. A câmera do celular executa o MediaPipe Holistic, um modelo que extrai, quadro a quadro, as coordenadas 2D de 130 pontos-chave do corpo (rosto, tronco e mãos) da pessoa que está sinalizando. O vídeo bruto da câmera é descartado imediatamente e nunca sai do dispositivo . Apenas essas coordenadas geométricas abstratas são enviadas para os servidores da Google para a tradução, e nenhum registro das entradas ou saídas do usuário é mantido sem autorização explícita
. É importante notar que essa representação 2D não rastreia os movimentos da língua nem fornece a profundidade dos gestos, o que pode dificultar a distinção entre, por exemplo, o toque e a proximidade da mão, nuances importantes na ASL
.
Diferente de abordagens mais antigas, o SL2T não passa por uma etapa intermediária de 'glosas' (anotações linguísticas). Ele é um modelo transformador que, a partir da sequência de coordenadas das landmarks, gera o texto em inglês diretamente, de forma autoregressiva . Em vez de transcrever os sinais palavra por palavra, o modelo traduz o significado para um inglês natural.
A Google reporta que o SL2T atingiu resultados de ponta em benchmarks. No FLEURS-ASL, um conjunto de dados de avaliação com linguagem complexa e abstrata, gravado em estúdio por intérpretes surdos certificados, o modelo obteve 70 pontos no BLEURT, uma métrica de qualidade de tradução, superando de longe qualquer resultado publicado anteriormente . Outros resultados incluem:
É fundamental ressaltar que esses números são fornecidos pela própria Google. Nenhuma avaliação independente foi publicada até o momento do lançamento.
A Google criou um comitê consultivo externo, o AI Sign Language Advisory Committee (AISLAC), que inclui representantes de organizações como a National Association of the Deaf (NAD), o RIT/NTID, a DPAN e a World Federation of the Deaf (WFD). Este comitê foi coautor do 'Relatório de Impacto Conjunto' que define os limites operacionais e as restrições do modelo .
A Google é clara: o SL2T foi projetado e testado apenas para situações informais e de baixo risco, como digitar uma mensagem, fazer uma pesquisa ou uma conversa rápida em um café. O modelo não é indicado para contextos de alto risco ou conversas com múltiplas pessoas, como em consultas médicas, processos jurídicos ou salas de aula .
Em sua documentação, a Google afirma que o SL2T não substitui os serviços de um intérprete profissional de língua de sinais e não deve ser usado em situações onde erros de comunicação possam causar danos .
Sam Sepah, um funcionário surdo da Google e membro da equipe de Língua de Sinais, foi uma peça-chave no desenvolvimento do SL2T. Ele é coautor da publicação do conjunto de dados FSboard, que foi usado na avaliação do modelo . A Google enfatiza que a equipe trabalhou em estreita colaboração com funcionários surdos como Sepah durante os testes de pré-lançamento para identificar comportamentos do modelo e problemas de interface que os benchmarks sozinhos não conseguiriam revelar
.