Pesquisadores da Vrije Universiteit Brussel e KU Leuven publicaram na Nature (agosto de 2026) uma réplica ao famoso estudo de 2023 que dizia que a ciência está perdendo inovação. O erro principal foi duplo: um bug no software de visualização de gráficos omitia artigos com pontuação máxima, e artigos antigos sem refe...
Resposta de pesquisa

Create a landscape editorial hero image for this Studio Global article: What study by researchers from Vrije Universiteit Brussel and KU Leuven, published as a rebuttal in Nature in August 2025, found that a wide. Article summary: The rebuttal study is Holst et al., "Dataset artefacts can partially drive the measured decline in disruption," published in Nature in August 2026 (DOI: 10.1038/s41586 026 10787 y) [4][5].. Topic tags: general web, workflow, code, regulation, benchmarks. Style: premium digital editorial illustration, source-backed research mood, clean composition, high detail, modern web publication hero. Use reference image context only for broad subject, composition, and topical grounding; do not copy the exact image. Avoid: logos, brand marks, copyrighted characters, real person likenesses, fake screenshots, UI text, readable text, watermarks, charts with fake numbers, click
Em 2023, um estudo publicado na revista Nature causou burburinho mundial ao afirmar que a ciência e a tecnologia estavam se tornando menos "disruptivas" — ou seja, menos capazes de gerar descobertas que mudam o rumo de uma área inteira. A notícia foi parar em centenas de veículos e até influenciou documentos de políticas científicas .
Só que, três anos depois, os próprios dados contam outra história. Uma equipe de pesquisadores da Vrije Universiteit Brussel (VUB) e da KU Leuven, liderada por Vincent Ginis, conseguiu publicar na mesma Nature uma réplica contundente. O título do artigo é "Dataset artefacts can partially drive the measured decline in disruption" (DOI: 10.1038/s41586-026-10787-y) .
A conclusão original, segundo os pesquisadores belgas, foi vítima de dois problemas nos bastidores dos dados:
Bug no software de visualização: Um erro na biblioteca de gráficos usada pelos autores originais fez com que artigos com a maior pontuação possível de 'disruptividade' sumissem dos histogramas publicados. E ninguém percebeu .
Dados incompletos no banco de referências: O maior problema, no entanto, era bem mais básico. O banco de dados Web of Science, que reúne referências de artigos científicos, frequentemente trazia registros antigos com metadados incompletos — artigos que simplesmente não listavam nenhuma referência bibliográfica. O método de cálculo usado (chamado CD index) interpretava isso como inovação máxima: afinal, se um artigo não cita ninguém, ele parece não dever nada a trabalhos anteriores, o que é o auge da 'disruptividade'. Conforme a qualidade do banco de dados melhorou com o tempo, esses falsos máximos se tornaram raros, criando a ilusão de que a inovação estava em queda .
Ao filtrar esses artigos sem referências, o declínio praticamente desmorona. No maior conjunto de dados analisado, "os artefatos respondem por 93% do declínio relatado entre 1945 e 2010" . Quando os pesquisadores belgas restringiram a análise apenas a artigos com pelo menos 10 referências, encontraram até mesmo um ligeiro aumento na disruptividade
.
Os pesquisadores belgas submeteram sua crítica à Nature em outubro de 2023. A resposta só veio à luz 32 meses depois — em agosto de 2026 . Durante todo esse período, a revista continuou publicando editoriais e reportagens baseados no estudo original, que foi citado mais de mil vezes e usado em pelo menos 16 documentos oficiais de políticas científicas
.
"Enquanto o bug de software foi corrigido pela comunidade de código aberto em poucos meses, levou anos para a correção científica ser publicada. E, nesse meio-tempo, as políticas da revista nos proibiam de falar com a imprensa enquanto nossa crítica estava sob avaliação", disse o pesquisador Vincent Ginis
.
No mesmo dia, a Nature publicou também uma resposta dos autores do estudo de 2023, Michael Park, Erin Leahey e Russell Funk. Eles afirmam que, mesmo usando os critérios de exclusão sugeridos pelos críticos — como ignorar artigos sem referências —, ainda se observa um declínio estatisticamente significativo e comparável à diferença entre um artigo comum e o de um laureado com Nobel . Ou seja, a briga científica ainda não acabou, mas o caso expõe uma fragilidade importante.
O episódio vai além de uma simples correção acadêmica. Os autores da réplica são diretos: "A metodologia e as conclusões de 2023 não fornecem uma base sólida para políticas de ciência" . O caso acende um alerta sobre como indicadores bibliométricos — que medem citações e impacto — podem enganar se não passarem por verificações rigorosas de qualidade dos dados
.
Também levanta questões sobre o sistema de autocorreção da ciência: um bug foi resolvido pela comunidade de software livre em meses, mas a correção formal levou quase três anos para aparecer. Enquanto isso, um resultado duvidoso continuou moldando o debate público e orientando decisões de financiamento .
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Pesquisadores da Vrije Universiteit Brussel e KU Leuven publicaram na Nature (agosto de 2026) uma réplica ao famoso estudo de 2023 que dizia que a ciência está perdendo inovação.
Pesquisadores da Vrije Universiteit Brussel e KU Leuven publicaram na Nature (agosto de 2026) uma réplica ao famoso estudo de 2023 que dizia que a ciência está perdendo inovação. O erro principal foi duplo: um bug no software de visualização de gráficos omitia artigos com pontuação máxima, e artigos antigos sem referências no banco de dados Web of Science eram classificados como 'maximamente d...
Após corrigir esses artefatos de banco de dados, 93% do suposto declínio entre 1945 e 2010 desapareceu no maior conjunto de dados analisado.