O porta-voz da Força Aérea Ucraniana, Yurii Ihnat, e outras autoridades notaram que, embora a Rússia já saiba onde cada míssil caiu, relatórios públicos que mostram uma taxa de interceptação em declínio ajudam Moscou a direcionar ataques futuros com mais eficácia e fornecem munição para campanhas de desinformação . A mudança, confirmada pela Bloomberg em 11 de agosto de 2026, é uma adaptação operacional reconhecida a uma realidade do campo de batalha: a Ucrânia não pode mais se dar ao luxo de ser transparente sobre seus fracassos .
Os números pintam um quadro sombrio:
Uma análise da BBC Verify sobre dados da força aérea ucraniana constatou que as interceptações de mísseis no último mês caíram de 66,7% em 2025 para 44,4% no mesmo período de 2026 .
Os interceptadores Patriot são a única arma no arsenal da Ucrânia capaz de parar mísseis balísticos, e estes estão agora criticamente esgotados . As razões são múltiplas:
As entregas dos aliados caíram drasticamente. O presidente Volodymyr Zelenskyy afirmou que, no primeiro semestre de 2026, os aliados forneceram apenas um terço do volume de mísseis antiaéreos entregues em 2025 . Não se trata de uma queda sazonal — Zelenskyy destacou que a escassez afetou todo o primeiro semestre do ano, não apenas os meses de verão .
A produção global não consegue atender à demanda. A Lockheed Martin entregou 620 interceptadores PAC-3 MSE em todo o ano de 2025, ou cerca de 52 por mês . Mesmo com o aumento da produção, esse ritmo está muito abaixo do que uma grande guerra convencional consome. O conflito no Irã esgotou ainda mais os estoques dos EUA, com estados do Golfo disparando mais de 1.100 interceptadores nesse teatro, segundo algumas estimativas . Os EUA estão agora divididos entre apoiar a Ucrânia, reabastecer seus próprios estoques e cumprir compromissos no Oriente Médio — criando o que analistas chamam de "janela de vulnerabilidade" para todos os países dependentes do Patriot .
Nova produção leva anos. A Ucrânia assinou acordos de produção conjunta com os dois fabricantes americanos do Patriot no final de julho de 2026, mas a cadeia de suprimentos de componentes para um interceptador PAC-3 MSE leva de 24 a 30 meses para ser percorrida, o que significa que nenhum interceptador fabricado na Ucrânia aparecerá antes do final de 2028, no mínimo .
A Otan se comprometeu a encontrar "urgentemente" mais sistemas de defesa antiaérea para a Ucrânia, mas os países-membros continuam relutantes em abrir mão de suas próprias e limitadas baterias Patriot e estoques de interceptadores . O problema central é que a maioria dos países da Otan possui apenas algumas baterias Patriot; doá-las deixaria suas próprias capitais expostas.
Zelenskyy apelou publicamente que "atrasos no recebimento de sistemas antibalísticos dos parceiros levam a baixas e destruição horríveis", observando que os parceiros têm estoques disponíveis, mas não os estão liberando . Em uma postagem em redes sociais em 1º de agosto, ele escreveu: "Apenas um míssil balístico foi interceptado [no sábado], simplesmente porque não há interceptadores para os sistemas Patriot" .
Os EUA, antes do início do conflito com o Irã em fevereiro de 2026, eram a principal fonte de interceptadores Patriot para a Ucrânia. Desde que esse conflito começou, o fluxo foi efetivamente interrompido .
O guarda-chuva antiaéreo da Ucrânia desapareceu efetivamente para ameaças de mísseis balísticos. A decisão de parar de publicar dados de lançamento é uma admissão direta de que Kiev não consegue se defender contra barragens balísticas russas e não quer confirmar abertamente a dimensão da lacuna. Sem uma liberação imediata e em grande escala de interceptadores Patriot dos estoques aliados, as cidades ucranianas e a infraestrutura crítica continuarão altamente vulneráveis aos ataques balísticos diários que Moscou agora é capaz de realizar com quase total impunidade.