Consolidação de poder nos bastidores: Apesar do discurso público de unidade, a IRGC efetivamente tomou o poder em tempos de guerra, reduzindo o papel do Líder Supremo a um de "endosso, em vez de autoridade", com os líderes de segurança agora ditando a estratégia de guerra e as operações . Em agosto de 2026, surgiram relatos de que Khamenei havia começado a reorganizar os altos cargos militares, incluindo o chefe do Estado-Maior das Forças Armadas do Irã, em uma tentativa de enfraquecer as estruturas de poder existentes e consolidar seu próprio poder .
O problema da ausência: Khamenei não aparecia em eventos oficiais há cinco meses no início de agosto de 2026, gerando especulações sobre sua saúde e paradeiro . Os linha-dura acusaram altos funcionários de tramar um "golpe" depois que um cessar-fogo entrou em colapso . A IRGC entra em conflito abertamente com a administração do presidente Pezeshkian, e nenhuma facção consegue assumir a responsabilidade por um acordo decisivo para reabrir o Estreito de Hormuz . O próprio Pezeshkian admitiu, em 6 de agosto de 2026, que está "muito difícil se comunicar" com Khamenei no momento .
O resultado é um vácuo de poder no topo. O poder no Irã está agora dividido em pelo menos quatro partes, com Khamenei detendo a aprovação final em teoria, a IRGC controlando os militares e a segurança, e a presidência lutando para afirmar a autoridade civil .
A pressão econômica sobre o Irã é severa e multifacetada. A combinação de um bloqueio naval dos EUA, sanções renovadas e o próprio fechamento do Estreito de Hormuz pelo Irã criou uma crise em cascata.
O Estreito de Hormuz está efetivamente fechado. Em 4 de março de 2026, forças iranianas declararam o Estreito "fechado" . Em 2025, cerca de 25% de todo o comércio marítimo mundial de petróleo bruto e derivados, e aproximadamente 19% do gás natural liquefeito, passavam pelo estreito . No início de agosto de 2026, dados do IMF PortWatch mostraram que, em média, apenas cerca de quatro navios por dia passavam pelo estreito, em comparação com cerca de 90 por dia durante a mesma semana de 2025 — uma queda de aproximadamente 96% .
O bloqueio naval dos EUA está apertando o cerco. Os EUA impuseram um bloqueio naval aos portos e navios iranianos, redirecionando 55 embarcações comerciais para longe dos portos iranianos até 10 de agosto de 2026 . O Tesouro dos EUA designou empresas iranianas, como a Persian Gulf Marine Insurance Co e a HormuzSafe Marine Services Authority, visando o esquema de Teerã para extrair receita de navios que transitam pelo Estreito . Os EUA alertaram que poderiam impor sanções secundárias aos compradores de petróleo iraniano, tentando efetivamente paralisar todo o comércio marítimo do Irã .
Avisos domésticos de colapso. Autoridades iranianas expressaram em particular o temor de que o bloqueio cause um colapso econômico . A mídia estatal alertou sobre uma "economia doméstica em colapso" em meio à convergência de crises . O presidente Pezeshkian descreveu a economia e o sustento dos cidadãos como o "campo de batalha mais importante" do Irã . Em julho de 2026, o Irã ameaçou interromper todas as exportações de energia do Oriente Médio em resposta ao bloqueio dos EUA .
Diplomacia condicional, sem avanço. O Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã exigiu que os EUA suspendessem o bloqueio naval, encerrassem as sanções, retirassem suas forças militares da região, pagassem reparações de guerra, descongelassem ativos iranianos, interrompessem os ataques aos proxies do Irã e parassem de ameaçar o país — como condições prévias para qualquer acordo . Os EUA ainda não atenderam a essas condições, e o impasse continua.
O presidente Pezeshkian delineou uma estratégia multifacetada centrada no fortalecimento econômico doméstico, na cooperação regional e na diplomacia condicional. No entanto, ela permanece severamente limitada pelo domínio da IRGC em tempos de guerra e pela ausência de Khamenei.
A guerra econômica como o principal campo de batalha. Pezeshkian chamou explicitamente a economia de "principal campo de batalha" e pediu uma grande revitalização com o setor privado na vanguarda da estratégia de defesa do Irã . Ele enfatiza que justiça, unidade nacional e governança coordenada são essenciais para superar tanto a pressão externa quanto os desafios internos .
Fortalecimento da infraestrutura doméstica. Sua administração está expandindo a cooperação regional, fortalecendo a infraestrutura doméstica e acelerando o desenvolvimento ferroviário para neutralizar o impacto das sanções, mantendo ao mesmo tempo a estabilidade econômica e os serviços públicos . Ele observou que, embora as limitações bancárias tenham dificultado as transferências de dinheiro, o comércio de escambo se tornou uma das alternativas para manter as trocas comerciais .
Diplomacia digna aliada à defesa. Pezeshkian disse que o Irã não cederá à pressão de nenhuma potência estrangeira, mas continua comprometido com um diálogo e negociações "dignos" para proteger os interesses nacionais e reduzir o risco de novos conflitos . Ele defendeu a busca contínua de Teerã pela diplomacia juntamente com suas capacidades defensivas, argumentando que as negociações podem ajudar a proteger os interesses nacionais enquanto o Irã permanece preparado para suportar a pressão externa .
A principal limitação. A estratégia de Pezeshkian é prejudicada pelo vácuo de liderança e pelo controle efetivo da IRGC sobre a política de guerra e as decisões de segurança . Com Khamenei inacessível e a IRGC em conflito com a presidência, nenhuma facção consegue assumir a responsabilidade por um acordo decisivo sobre Hormuz . O próprio Pezeshkian admitiu que é "muito difícil se comunicar" com Khamenei .
Um analista sênior do Conselho de Especialistas resumiu o problema: "É muito difícil se comunicar com ele no momento, mas, de qualquer forma, sua presença é uma fonte de força muito grande para que possamos continuar" . Essa declaração — tanto reconhecendo a dificuldade quanto afirmando o apoio — captura o paradoxo da posição de Pezeshkian. Ele tem uma estratégia, mas pode não ter a autoridade para executá-la.
A crise de liderança no Irã não mostra sinais de resolução rápida. A consolidação reclusa de Khamenei pode fortalecer sua posição pessoal com o tempo, mas já paralisou a tomada de decisões sobre o Estreito de Hormuz — a questão econômica mais importante que o país enfrenta. O domínio da IRGC significa que, mesmo que um acordo seja alcançado, ele pode não ser sustentável. E a estratégia econômica de Pezeshkian, embora coerente no papel, enfrenta a realidade brutal de uma queda de 96% no tráfego do estreito, um bloqueio naval dos EUA e uma liderança que não consegue concordar com um caminho a seguir.
Por enquanto, o Irã está travando duas guerras paralelas: uma com os Estados Unidos pelo Estreito de Hormuz e outra entre seus próprios líderes sobre quem detém o poder real.