A mensagem central do JPMorgan é que a dinâmica de oferta e demanda (S-D, na sigla em inglês) continuará desequilibrada. “A escassez continua pelos próximos dois anos”, escreveu Kwon em uma nota de 10 de agosto, citando um mercado total endereçável (TAM) maior, impulsionado tanto por preço quanto por volume . O banco enfatiza que as faltas não estão limitadas às GPUs, mas também afetam a capacidade de fundição avançada, memórias de alta largura de banda (HBM), outros componentes de memória, embalagens avançadas e, crucialmente, CPUs — uma expansão que os investidores podem estar subestimando .
Em uma nota separada, de 6 de agosto, o banco reiterou que a oferta continuará muito aquém da demanda pelos próximos dois a três anos .
Ao contrário de algumas expectativas que apontavam para 2029-2030, o JPMorgan é mais pessimista no curto prazo. Os relatórios mais recentes indicam que acréscimos substanciais de capacidade não são esperados antes do final de 2027 e ao longo de 2028 . O banco já havia dito repetidamente que nenhuma nova capacidade de fábrica (fab) significativa chegará antes de 2028 , e que a lacuna entre oferta e demanda de HBM provavelmente persistirá até 2028 .
O J.P. Morgan Global Research estima que os preços de DRAM terão subido mais de 400% do início de 2024 até o final de 2026. O motor principal é a construção de data centers para IA e a demanda dos hyperscalers (grandes empresas de nuvem como Amazon, Google e Microsoft), que estão consumindo uma parcela desproporcional da capacidade global de memória .
SK Hynix — O banco mantém uma visão otimista, considerando as recentes preocupações com o preço das ações como “exageradas”. A expectativa é que o sentimento do mercado melhore no médio prazo . Os catalisadores de curto prazo identificados incluem:
Ressonância importante: Apesar do otimismo de longo prazo, o JPMorgan cortou seu preço-alvo para a SK Hynix no início de agosto, afirmando que “uma postura clara sobre a alocação de capital é imperativa para restaurar o sentimento do mercado” . Isso sugere cautela no curto prazo, mesmo com fundamentos sólidos.
Micron — O JPMorgan vê a Micron como uma beneficiária central do superciclo de memória, com a ação atingindo máximas históricas. O banco elevou sua previsão para o mercado global de memória para US$ 1,7 trilhão até 2028 .
Kioxia — O banco aponta a Kioxia (junto com SK Hynix e Samsung) como parte de uma mudança de paradigma de valuation. As gigantes de memória agora têm previsibilidade de lucros comparável à da Taiwan Semiconductor (TSMC) e negociam a um P/L (preço/lucro) futuro de cerca de 7,3x, oferecendo “potencial significativo para um reparo histórico de valuation” .
Winbond — O JPMorgan elevou o preço-alvo da Winbond para NT$ 83 (de NT$ 70), mantendo a classificação de Overweight (acima da média). O banco aumentou suas previsões de lucro por ação (EPS) em aproximadamente 40%, para NT$ 6,3 em 2026, refletindo as fortes perspectivas para DRAM . O banco também havia atualizado a recomendação da Winbond de Neutra para Outperform anteriormente, citando um potencial de aumento de lucro de cinco vezes .
O JPMorgan afirma que o ciclo atual de alta de memória é diferente dos anteriores, pois a demanda impulsionada pela IA está mudando estruturalmente a indústria. O banco espera que o tamanho do mercado global de memória seja revisto para cima continuamente de 2026 a 2028 . Os gastos com memória já ultrapassam 50% dos gastos de capital (capex) dos provedores de nuvem, empurrando o setor de uma commodity cíclica para um ativo central da infraestrutura de IA .
Ao mesmo tempo, o JPMorgan reconhece um risco para a narrativa predominante de que “a demanda por memória impulsionada por IA é inelástica a preços e que desta vez é diferente”. Movimentos recentes da Nvidia e da AMD para reduzir o conteúdo de memória em futuros produtos de IA enfraqueceram essa narrativa, mesmo que os fundamentos de oferta e demanda subjacentes permaneçam sólidos .