O salto foi um rebote após um julho brutal. Ataques de drones ucranianos contra navios-tanque e infraestrutura no terminal do CPC em Novorossiysk forçaram três suspensões separadas de carregamentos em julho de 2026 . O CPC parou de receber petróleo cazaque, os tanques de armazenamento do terminal encheram, e o Cazaquistão foi forçado a reduzir drasticamente a produção — em alguns relatos, cortando pela metade a produção diária, para cerca de 1 milhão de bpd .
Tengiz foi o maior fator de oscilação. Uma fonte disse à Reuters que o maior campo do Cazaquistão reduziu a produção em mais da metade durante a paralisação do CPC . Quando os carregamentos foram retomados no final de julho, Tengiz restaurou rapidamente a produção e, em 9 de agosto, a recuperação nacional estava completa .
Os números confirmam que foi um rebote. O valor de 9 de agosto, de ~2,08 milhões de bpd, é consistente com os níveis recordes de produção do Cazaquistão antes da interrupção. Os carregamentos do CPC em julho caíram mais de 20% abaixo do planejado devido aos ataques .
Tengiz, operado pela Chevron (via sua joint venture Tengizchevroil), é o motor do setor petrolífero cazaque. O campo impulsionou uma produção recorde de petróleo bruto de 1,88 milhão de bpd em junho de 2025 e tem sido a principal fonte do excesso de produção persistente do Cazaquistão em relação às cotas da Opep+ .
Tengiz está no meio de um projeto de expansão plurianual (Tengizchevroil) que aumentou continuamente a capacidade do campo. Esse crescimento estrutural significa que, sempre que a rota do CPC é reaberta, Tengiz consegue retomar a produção rapidamente — como fez em 9 de agosto .
A rota do CPC é responsável por aproximadamente 80% de todas as exportações de petróleo bruto do Cazaquistão . Não há oleoduto alternativo com capacidade comparável, de modo que todo o sistema de produção fica refém da segurança do terminal no Mar Negro, em Novorossiysk.
O Cazaquistão é um produtor crônico acima das cotas da Opep+. Em junho de 2025, sua produção de petróleo bruto atingiu 1,88 milhão de bpd — muito acima de sua cota oficial da Opep+, que era de cerca de 1,5 milhão de bpd na época . O país tem excedido consistentemente suas metas, impulsionado pela expansão de Tengiz .
As novas cotas estão subindo, mas o excesso de produção continua. Sete membros da Opep+ concordaram em aumentar suas metas combinadas de produção em 188 mil bpd em agosto de 2026, e a cota de petróleo bruto do Cazaquistão subiu para 1,628 milhão de bpd para setembro de 2026 . Mesmo com essa cota mais alta, a produção do Cazaquistão em 9 de agosto (~2,08 milhões de bpd, incluindo condensado) está muito acima de seu limite apenas para petróleo bruto.
Existem planos de compensação, mas eles não estão sendo seguidos. Seis países que produziram acima das cotas da Opep+, incluindo o Cazaquistão, apresentaram cronogramas para compensar aproximadamente 434 mil bpd de excesso de produção acumulado, com ajuste total previsto para meados de 2026 . No entanto, o vice-ministro da Energia do Cazaquistão, Alibek Zhamauov, disse à Opep em maio de 2025 que o país não cortaria a produção . Nenhuma sanção formal foi imposta pela Opep+ .
Os ataques de drones ajudaram temporariamente o cumprimento das cotas. As interrupções do CPC em julho forçaram a produção do Cazaquistão a cair involuntariamente, aproximando-a brevemente de sua cota. Mas o salto de 9 de agosto mostra que, no momento em que a rota de exportação é reaberta, o Cazaquistão volta a produzir acima do permitido .
O Cazaquistão está trabalhando ativamente para reduzir sua dependência da rota do CPC. Após os ataques de drones de julho de 2026, o Ministério da Energia confirmou que está avaliando rotas de exportação alternativas através do Azerbaijão, incluindo:
Os volumes ainda são pequenos, mas estão crescendo. A KazMunayGas (KMG), a petroleira estatal do Cazaquistão, transportou 1,3 milhão de toneladas via BTC em 2025 e planeja aumentar esse volume em 31%, para 1,7 milhão de toneladas em 2026 . Uma meta separada de 2,2 milhões de toneladas pelo corredor Transcaspiano/BTC também foi relatada . No entanto, esses volumes continuam sendo uma fração dos aproximadamente 80 milhões de toneladas por ano que normalmente fluem pelo CPC .
Não há solução rápida à vista. Analistas observam que, mesmo após a expansão, as rotas alternativas só conseguem absorver uma pequena parcela do volume de exportação do Cazaquistão. A dependência estrutural do país em relação ao CPC provavelmente persistirá por anos .