Usando microscopia de dois fótons em camundongos vivos e mapeamento da expressão gênica ao longo de várias semanas, a equipe do Instituto de Farmacologia e Toxicologia da UZH, liderada pelo professor Bruno Weber, observou o seguinte processo :
“Mostramos que os astrócitos perilesionais passam por uma remodelação estrutural notável durante o repovoamento da lesão, caracterizada por proliferação celular e um estado multinucleado prolongado”, explicam os co-autores Marina Herwerth e Matthias Wyss, do Instituto de Farmacologia e Toxicologia da UZH .
A equipe identificou dezenas de genes e vias de sinalização que são ativados temporariamente durante esse processo de reparo. Essas moléculas podem servir como alvos para novos medicamentos que estimulem a regeneração em humanos .
A descoberta tem implicações diretas para doenças onde os astrócitos são destruídos:
“Se conseguirmos ativar ou potencializar farmacologicamente esse mecanismo de translocação nuclear, poderemos melhorar a recuperação ao restaurar as redes de astrócitos perdidas”, afirmam os pesquisadores .
Paralelamente, outro estudo publicado na Nature (2025/2026) por outros grupos revelou que astrócitos remotos à lesão (LRAs) – localizados longe do sítio da lesão – secretam a proteína CCN1. Essa proteína reprograma as micróglias (células imunes do cérebro) para eliminar detritos de mielina e apoiar a recuperação neurológica após lesão medular .
Juntas, essas descobertas mostram que os astrócitos possuem múltiplas estratégias de reparo do SNC que antes eram subestimadas: tanto a sinalização de longa distância (via CCN1) quanto a migração nuclear local.
Os resultados abrem uma nova fronteira na medicina regenerativa. Segundo os autores, os próximos passos incluem:
“O cérebro adulto pode ter uma capacidade de autorreparo muito maior do que imaginávamos”, concluem os pesquisadores . A expectativa é que, em alguns anos, terapias baseadas nesse mecanismo possam chegar aos consultórios médicos – oferecendo esperança a milhões de pacientes com lesões neurológicas hoje consideradas irreversíveis.