Durante os exercícios Han Kuang, realizados de 5 a 14 de agosto de 2026, o presidente Lai Ching-te supervisionou um exercício de ataque costeiro perto de Zuoying, na costa sudoeste de Taiwan, onde dois novos tipos de drones foram implantados publicamente pela primeira vez .
O primeiro é um drone kamikaze de médio porte, também conhecido como munição de espera (loitering munition). Este drone de asa fixa e hélice é projetado para rastrear e atacar um alvo colidindo com ele. Durante o exercício, ele pairou sobre uma praia por aproximadamente 30 minutos antes de simular um ataque .
O segundo é um drone de ataque, uma plataforma de asa fixa separada que também ainda estava em fase de testes. Quatro drones de ataque foram lançados de um local próximo e simularam um ataque a alvos marítimos .
Além dessas duas novas plataformas, o exercício de 2026 incorporou várias outras capacidades relacionadas a drones em escala inédita:
Uma fonte militar confirmou que todos esses sistemas permanecem em uma fase de testes e ainda não estão em implantação operacional total . O exercício também marcou a primeira integração completa dos exercícios de resiliência civil com os exercícios militares Han Kuang .
Os novos drones de Taiwan são diretamente inspirados pelas inovações de combate que a Ucrânia pioneirou em sua guerra contra a Rússia. O Business Insider observou que os drones mostrados no Han Kuang representam uma "nova classe de drones de ataque que a Ucrânia tem usado de forma eficaz" . Tanto o Clash Report quanto o The Times of India confirmam que Taiwan está "se baseando fortemente nas lições de batalha da Ucrânia" para sua estratégia de drones .
No entanto, a comparação revela diferenças críticas impulsionadas pela geografia e pela missão.
| Aspecto | Drones do Han Kuang de Taiwan | Drones de batalha da Ucrânia |
|---|---|---|
| Função principal | Defesa costeira contra desembarque anfíbio; atrito antinavio/enxame | Antitanque, antipessoal, observação de artilharia, ataque profundo à logística |
| Tipo de plataforma | Munição de espera de asa fixa + drone de ataque | Mistura de quadricópteros FPV, asa fixa (ex.: UJ-22) e drones navais |
| Escala de uso | Fase de testes; pequeno número implantado | Produção em massa: dezenas de milhares por mês |
| Diferença tática chave | Projetado para desgastar embarcações de desembarque e ativos navais em um estreito estreito | Projetado para desgastar blindados, infantaria e linhas de suprimento em uma frente de 1.000+ km |
| Desafio climático | Estreito de Taiwan: ventos fortes, tufões, chuvas de monção, spray salino | Ucrânia: lama, neve, frio, saturação de guerra eletrônica |
A diferença mais significativa é o ambiente. A guerra de drones na Ucrânia é um conflito de desgaste terrestre travado em uma linha de frente que se estende por mais de 1.000 quilômetros. O cenário de Taiwan é focado no ambiente marítimo. Os drones devem operar sobre a água, encontrar e atingir embarcações de desembarque e navios de guerra em movimento rápido, e sobreviver às condições climáticas notoriamente severas do Estreito de Taiwan, incluindo fortes monções sazonais, ventos sustentados elevados, tufões frequentes e spray salino corrosivo .
Analistas do Modern War Institute e do Center for a New American Security (CNAS) enfatizam que os drones de Taiwan precisam ser "mais descartáveis" (attritable) e resistentes às intempéries do que qualquer sistema que a Ucrânia tenha utilizado em seu conflito terrestre . Fabricantes taiwaneses estão, segundo relatos, construindo drones com revestimentos resistentes às intempéries, eletrônicos selados e maiores relações empuxo-peso para lidar com as rajadas de vento sobre o estreito . O exercício de ataque costeiro testou especificamente drones de ataque voando baixo em um ambiente litorâneo, validando a tolerância climática e o desempenho em condições de mar .
O conceito "hellscape" foi cunhado em 2024 pelo Almirante Samuel Paparo, comandante do Comando Indo-Pacífico dos EUA. Ele prevê drones em massa, embarcações de superfície não tripuladas e outros sistemas descartáveis criando uma zona de matança densa e multidirecional no Estreito de Taiwan para desgastar uma frota invasora chinesa antes que ela possa desembarcar .
A lógica central é a dissuasão pelo custo. A estratégia visa tornar uma invasão anfíbia tão custosa em vidas e equipamentos que Pequim seja dissuadida de tentá-la. Um relatório do Taipei Times, citando uma fonte de segurança nacional, afirmou que o Exército de Libertação Popular (PLA) da China avalia que, se Taiwan implementar esta estratégia, a China sofreria perdas militares significativas com "nenhuma chance de vitória" .
No contexto de 2026, os drones preenchem três funções específicas dentro desta estratégia:
Analistas do CNAS, Stacie Pettyjohn e Molly Campbell, que publicaram um importante relatório sobre o conceito hellscape no início de 2026, argumentam que a estratégia envolve a criação de quatro camadas operacionais que se estendem por aproximadamente 80 quilômetros da costa taiwanesa, usando implantações sincronizadas de drones nos domínios aéreo, de superfície e subaquático .
A ambição de Taiwan em relação aos drones enfrenta atualmente seu maior obstáculo não da China, mas de seu próprio legislativo. A situação orçamentária é complexa e politicamente controversa em agosto de 2026.
O plano original: Em novembro de 2025, o governo propôs um orçamento especial de defesa de NT$ 1,25 trilhão (US$ 40 bilhões) que incluía a aquisição de mais de 210.000 drones. Após quase seis meses de disputa política, este pacote foi aprovado em maio de 2026, mas com uma alteração substancial: o legislativo liderado pela oposição removeu todo o financiamento para drones produzidos internamente desse projeto de lei, mantendo apenas os canais de Vendas Militares Estrangeiras (FMS) intactos .
A resposta do Gabinete: Em junho de 2026, o Gabinete propôs um projeto de lei de orçamento especial separado de NT$ 210 bilhões (US$ 6,6 bilhões) exclusivamente para drones produzidos domesticamente, distribuído ao longo de seis anos (2026–2031) . O Ministério da Defesa Nacional (MND) delineou o que isso financiaria:
O impasse legislativo: Em agosto de 2026, o Yuan Legislativo ainda não aprovou este projeto. Quatorze versões diferentes do projeto de vários partidos estão em revisão, sem consenso sobre o título, escopo, limite de gastos ou período de implementação do projeto . Críticos no legislativo discutem se devem usar um mecanismo de orçamento especial ou o orçamento geral, e se devem impor limites anuais de gastos . O Presidente Lai Ching-te apelou publicamente aos legisladores para que aprovem o orçamento rapidamente .
Preocupação de especialistas: Analistas do The Diplomat e da Foundation for Defense of Democracies (FDD) alertam que cada mês de atraso corrói a capacidade de Taiwan de construir um ecossistema de produção nacional de drones e fechar a lacuna de desenvolvimento antes do que veem como o cronograma militar acelerado da China .
Enquanto a aquisição militar doméstica está paralisada, as exportações comerciais de drones de Taiwan estão disparando de uma forma que revela a força de sua base industrial.
Taiwan está se posicionando explicitamente como um "hub asiático" para cadeias de suprimentos de drones não-chinesas ("livre da China" ou "non-red"), em meio a preocupações ocidentais com a segurança cibernética e a resiliência da cadeia de suprimentos em VANTs fabricados na China . Este crescimento impulsionado pelas exportações está ajudando os fabricantes taiwaneses a alcançar economias de escala que o mercado militar doméstico sozinho ainda não pode sustentar .
Um tema recorrente nas análises de defesa é que as condições climáticas e marítimas únicas do Estreito de Taiwan impõem requisitos de design que nenhum outro conflito de drones exigiu.
O estreito experimenta fortes monções sazonais, ventos sustentados elevados, tufões frequentes de junho a outubro e spray salino constante que degrada a eletrônica e as estruturas das aeronaves. Múltiplas fontes destacam isso como um requisito crítico de design para os drones de Taiwan .
O exercício de ataque costeiro em Zuoying testou especificamente drones de ataque voando baixo em um ambiente litorâneo, sugerindo que os militares estão validando a tolerância climática e o desempenho em condições de mar sob cenários realistas . Relatos da indústria indicam que os fabricantes taiwaneses estão construindo drones com revestimentos resistentes às intempéries, eletrônicos selados e maiores relações empuxo-peso para lidar com as rajadas de vento sobre o estreito .
O exercício Han Kuang de 2026 em Taiwan testou publicamente dois novos tipos de drones — uma munição de espera kamikaze e um drone de ataque — diretamente inspirados pelas inovações de batalha da Ucrânia, mas adaptados para um ambiente marítimo exclusivamente desafiador. Estes drones são o componente tático central da estratégia hellscape proposta pelos EUA, que visa tornar uma invasão anfíbia pela China proibitivamente cara.
No entanto, a ambição é minada por um impasse político doméstico: um orçamento de NT$ 210 bilhões (US$ 6,6 bilhões) para a produção nacional de drones permanece preso no parlamento, mesmo enquanto as exportações comerciais de drones de Taiwan disparam 20 vezes, a indústria visa 100.000 unidades por mês até 2030, e a ilha se posiciona como um hub crítico "livre da China" na cadeia global de suprimentos de drones. Se Taiwan conseguirá resolver o impasse orçamentário com rapidez suficiente para fechar sua lacuna de desenvolvimento de drones determinará se a estratégia hellscape permanecerá uma dissuasão crível.