O Caroline Bezengi, com bandeira dos Camarões, é sancionado pela União Europeia, Reino Unido, Suíça, Ucrânia e Canadá por transportar petróleo russo acima do teto de preço estabelecido pelo G7, fazendo parte da 'frota fantasma' da Rússia . Em 8 de junho de 2026, logo após partir do porto russo de Novorossiysk com uma carga completa de petróleo bruto com destino à Índia, a tripulação relatou uma explosão a bordo enquanto o navio navegava pela costa de Dhofar, em Omã . A tripulação foi evacuada sem ferimentos aproximadamente quatro dias depois, e o petroleiro, agora sem comando, encalhou nas rochas da Ilha Qibliyah (Jazirat Al Qibliyyah) , no Arquipélago de Al Hallaniyat — uma área marinha protegida na costa sul de Omã . No início de agosto, a embarcação já estava encalhada há quase dois meses .
Imagens de satélite analisadas pela Associated Press e outros especialistas independentes confirmam que o Caroline Bezengi está afundando progressivamente, ficando cada vez mais submerso à medida que se acomoda nas rochas . A condição do navio está se deteriorando significativamente. O Greenpeace Alemanha alertou que o vazamento acelerado indica uma falha estrutural no casco . Embora o navio ainda não tenha se partido completamente, especialistas temem que uma ruptura catastrófica do casco possa ocorrer a qualquer momento, especialmente devido ao mar agitado típico da temporada de monções, que atinge esta costa de junho a setembro .
A mancha de óleo cresceu exponencialmente ao longo de aproximadamente dez dias, de acordo com imagens de satélite públicas e análises de múltiplas organizações :
A discrepância entre os dados de 26 e 31 de julho reflete diferentes datas e coberturas de medição, mas a tendência geral é clara: a taxa de liberação de óleo está se acelerando bruscamente. Em 7 de agosto, o brilho do óleo era visível ao largo e já havia atingido as praias da Ilha Qibliyah, revestindo areia e rochas com petróleo bruto .
O vazamento está ocorrendo dentro da Reserva Natural das Ilhas Al Hallaniyat, uma das áreas marinhas protegidas mais importantes ecologicamente de Omã . As águas do arquipélago abrigam uma notável concentração de espécies ameaçadas e vulneráveis:
O Greenpeace Oriente Médio e Norte da África alertou que o vazamento ameaça todo o ecossistema do arquipélago, com o petróleo bruto já cobrindo a costa .
Após semanas com o navio abandonado e o vazamento se acelerando, Omã finalmente enviou equipes formais de resposta ao Caroline Bezengi em 6 de agosto de 2026, de acordo com a mídia estatal e a Reuters . O Ministério dos Transportes, Comunicações e Tecnologia da Informação de Omã havia emitido anteriormente um ultimato de 24 horas aos proprietários do navio, em 23 de julho, para que o removessem — mas o prazo foi ignorado .
O atraso destaca uma paralisia mais profunda que caracteriza este incidente desde o primeiro dia. Múltiplos fatores impediram que qualquer operação de salvamento eficaz fosse lançada:
A verdadeira propriedade beneficiária do navio, a responsabilidade do estado de bandeira e a cobertura de seguro permanecem opacas — uma característica definidora das embarcações da frota fantasma, que frequentemente usam estruturas complexas de empresas de fachada e bandeiras de conveniência . O navio tinha bandeira dos Camarões, uma bandeira que supostamente perdeu em uma repressão ao registro de petroleiros sancionados em junho . Sem uma parte responsável clara, ninguém se apresentou para financiar ou autorizar uma operação de resgate .
Apesar da aceleração dramática do vazamento, em 8 de agosto não havia nenhuma operação de resgate ativa confirmada para bombear a carga restante, reparar o casco ou reflutuar o navio . A localização do petroleiro em rochas, numa área remota e rasa, complica qualquer intervenção potencial .
O mar agitado da monção sudoeste (conhecido regionalmente como khareef) está dificultando qualquer resposta potencial e aumenta o risco de o navio se partir . Especialistas em salvamento observaram que operar nestas condições é extremamente difícil e perigoso, mesmo em circunstâncias ideais.
O Caroline Bezengi está sob sanções da UE, Reino Unido, Canadá, Suíça e Ucrânia . Estas sanções tornam legalmente complexo para empresas internacionais de salvamento se envolverem, pois qualquer operação pode envolver o manuseio de carga sancionada, a interação com entidades sancionadas ou a potencial violação de regimes de sanções . Seguradoras e instituições financeiras ocidentais também têm relutado em facilitar pagamentos para trabalhos de resgate em uma embarcação sancionada .
O Caroline Bezengi está afundando cada vez mais a cada dia, o vazamento de óleo já atingiu aproximadamente 800 km² e está se acelerando, e o petróleo bruto já está na costa de uma reserva natural protegida. As autoridades de Omã enviaram equipes de resposta, mas os obstáculos fundamentais — propriedade do salvamento, seguro e condições de monção — permanecem completamente sem solução. Com quase um milhão de barris de petróleo ainda a bordo, uma ruptura catastrófica em grande escala durante a temporada de monções pode produzir um dos piores derramamentos de óleo da história do Mar Arábico .
O incidente também ressalta um risco estrutural mais amplo: a envelhecida frota fantasma mundial — centenas de navios mal conservados e inadequadamente segurados, usados para contornar as sanções ao petróleo russo — está navegando por algumas das águas mais ambientalmente sensíveis do planeta, sem quase nenhum mecanismo de responsabilização em vigor. O Caroline Bezengi não é uma anomalia; é um aviso.